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Se a plena retomada econômica ainda é desafio para a Região de Araçatuba, pelo menos em um setor, a geração de postos de trabalho com carteira assinada demonstra passar longe de qualquer crise nos 43 municípios: a saúde.
O território já gerou, ao longo deste ano, 905 contratações formais neste segmento, superando, inclusive regiões mais populosas do Estado de São Paulo. Os números fazem parte do boletim econômico da Fehoesp (Federação dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo), divulgados na tarde de ontem, e foram obtidos juntos ao Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério do Trabalho e Emprego.
Dentre 12 regiões administrativas que constam no estudo, a de Araçatuba aparece na sétima posição, à frente das de Jundiaí, Mogi das Cruzes, Santos e Presidente Prudente, que possuem mais moradores.
Do total de empregos formais criados em Araçatuba, 68,6% foram no campo de atendimento hospitalar. Ao todo, 621. Outro destaque foi para a atividade médica ambulatorial, com 88 vagas criadas em 2018. Depois, vêm os subsetores de laboratório, diagnóstico e exame, com 51 oportunidades de trabalho abertas neste ano. As atividades de assistência a pessoas especiais (idosos, deficientes físicos, imunodeprimidos e convalecentes) geraram 39 empregos formais. Assistências psicossocial e social abriram 25 e 18 oportunidades, respectivamente.
Dos quesitos pesquisados, na região, os menores indicativos foram de contratações para fornecimento de infraestrutura (oito vagas), serviço móvel de remoção de pacientes (cinco) e gestão de saúde (dois).

ANÁLISE
Para o economista e professor da FAC-FEA (Faculdade da Fundação Educacional Araçatuba), Marco Aurélio Barbosa, estes dados evidenciam a expansão do setor de saúde na região em um cenário de baixo crescimento econômico. Ele ressalta que a cidade de Araçatuba, especificamente, vem se consolidando como polo de prestação de serviços neste segmento. Barbosa acredita que, com a consolidação de duas faculdades de medicina no município, esse processo tende a se intensificar. Hoje, em Araçatuba, já há formação de médicos no Unisalesiano (Centro Universitário Católico Salesiano) e, no ano que vem, deve começar na FEA. Ainda na região, a Funepe (Fundação Educacional de Penápolis) também já oferece curso de medicina.
“A instalação desses cursos potencializa o desenvolvimento do setor. São professores mestres e doutores que passam a circular na cidade, especialidades que surgem, movimentação de estagiários, surgimentos de novos serviços de apoio, ou seja, um polo médico embrionário”, afirma Barbosa, que coordena o Observatório da Economia Regional, da FEA.
“A prestação de serviços do setor privado vem, então, crescendo, tendo em vista, muitas vezes, as dificuldades encontradas no oferecimento do setor público.”
De acordo com ele, a expansão da cadeia produtiva na saúde, com planos e novos laboratório, gera emprego e renda. “E neste ponto de vista, são geralmente empregos mais remunerados, o que favorece o desenvolvimento econômico local.”

Região acompanha tendência nacional de crescimento

O desempenho positivo da região de Araçatuba na saúde acompanha tendência nacional do setor, conforme a Fehoesp. No acumulado de janeiro a setembro deste ano, houve a abertura de 73.731 vagas nas atividades do setor de hospitais, clínicas e laboratórios no Brasil, totalizando 2.225.964 trabalhadores.
Da mesma forma que ocorreu em Araçatuba, o subsetor de atendimento hospitalar respondeu pela maior fatia das contratações: 28.195 postos de trabalho com carteira assinada.
São Paulo, por sua vez, é o maior empregador na área da saúde no Brasil. Em setembro de 2018, o Estado chegou ao contingente de 733.470 trabalhadores em hospitais, clínicas e laboratórios. No acumulado do ano, foram geradas 22.295 vagas, destacando-se também a geração de 7.693 empregos em atendimento hospitalar. O território paulista emprega 33% do volume de trabalhadores alocados no setor em todo o Brasil.
Em nota distribuída por sua assessoria de imprensa, o presidente da federação, Yussif Ali Mere Jr., diz considerar “tímido” o crescimento, que, no entanto, ganha importância dentro do momento atual da economia brasileira, em que setores de influência, como a indústria, registram números negativos. “A saúde privada tem crescido com investimentos próprios, suprindo a lacuna deixada pelo SUS (Sistema Único de Saúde), que não consegue oferecer à população atendimento universal e integral”, alerta o médico.

Empregos na saúde
Confira quantas oportunidades de trabalho as microrregiões paulistas abriram neste ano:
Campinas 3.197
São José dos Campos 1.858
ABC 1.372
Bauru 1.314
Ribeirão Preto 1.292
São José do Rio Preto 1.001
Araçatuba 905
Santos 640
Jundiaí 625
Mogi das Cruzes 373
Presidente Prudente 245
Suzano 69
Fonte: Fehoesp (Federação dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo).

ARNON GOMES
Araçatuba

 


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