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Aumento salarial para parlamentares motiva abaixo-assinado com um milhão de assinaturas

ARNON GOMES – ARAÇATUBA

Bastou terminar a eleição de 7 de outubro e um nova mobilização política teve início: evitar que os congressistas de Brasília aumentem seus próprios salários. A pressão para que deputados e senadores não elevem suas remunerações veio em forma de abaixo-assinado, iniciado no dia 8 daquele mês. Até o momento, a iniciativa já conta com um milhão de assinaturas. Ontem, o idealizador da proposta, o deputado federal eleito Vinícius Poit (Novo) esteve em Araçatuba e divulgou o manifesto, durante encontro com representantes de seu partido.
O objetivo da ação, disse ele, é evitar a repetição dos episódios ocorridos após os pleitos de 2010 e 2014, os parlamentares aprovaram reajustes em seus ganhos. Em vídeo que circulou nas redes sociais, Poit mostra que, naqueles anos, os políticos de Brasília aprovaram “na calada da noite” correções de 60% e 23%, respectivamente, nos vencimentos. “E, para 2018, já está tudo arrumado para os 16,32%”, disse ele, referindo-se ao aumento de R$ 33,7 mil para R$ 39,3 mil no salário dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), recentemente aprovado pelo Senado, que deve ser usado para corrigir o valor pago aos parlamentares, como de costume.
“Nós queremos que Congresso não coloque na pauta o aumento. Se colocar, eu abro mão de receber”, prometeu Poit, afirmando que os deputados do Partido Novo vão abrir mão de uma série regalias a que os políticos têm direito na capital federal, como motorista, carro oficial e auxílio moradia. Outra medida voltada à contenção de gastos, segundo ele, será diminuir em mais da metade o número de assessores parlamentares. Em sua visita, Poit falou ainda sobre outro abaixo-assinado, este de iniciativa do Partido Novo e que já com dois milhões de assinaturas. Trata-se do pedido para que o presidente Michel Temer (MDB) veto o aumento para os ministros do Supremo. Ambas as medidas, afirmou Poit, contam com apoio do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).
EXEMPLO
Poit acredita que, com essa iniciativa, ajudará o Partido Novo a “dar exemplo”. Em sua primeira eleição, o partido foi uma das surpresas da eleição deste ano, com forte discurso pela moralidade na política. Seu candidato a presidente, João Amoêdo, obteve a quinta colocação na disputa, com mais de dois milhões de votos, e a legenda ainda ganhou a disputa pelo governo de Minas Gerais, como Romeu Zema. Eleito para seu primeiro mandato, Poit, que é de Rinópolis (SP) e tem 32 anos de idade, foi eleito para uma vaga na Câmara federal com 207.118 votos, 691 deles em Araçatuba. Fora da política, ele é empreendedor e tem um site de recrutamento.

Deputado eleito fala em apoiar Araçatuba, mas sem ser ‘office boy de emendas’

Questionado pela reportagem sobre como pretende apoiar Araçatuba no Congresso Nacional, uma vez que a cidade não elegeu deputados federais, Poit se colocou a disposição, mas diferente do modo tradicional, caracterizado por troca de favores com prefeitos e vereadores. “Isso (ajudar a trazer recursos) faz parte da nossa ação, mas se aproximando do cidadão, não da classe política”, afirmou. “Deputado não é office boy de trazer emendas”, complementou.
Poit promete se empenhar na revisão do Pacto Federativo, fazendo com que a cidade se beneficie mais dos impostos que arrecada. “O meu papel será trabalhar pela reforma do pacto para que fique mais dinheiro em Araçatuba e nenhum deputado precise ficar trazendo emendas”, declarou. “Enquanto houver emenda parlamentar, eu vou usar, mas não vai ser porque alguém vai me oferecer apoio político.”
Para receber as demandas locais, Poit afirmou que vai contar com correligionários na cidade. Eles ficarão encarregados de lhe apresentar problemas que necessitam de apoio federal.

 

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