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MUNICÍPIO GASTA R$ 2 MILHÕES POR ANO COM A REMOÇÃO DE LIXO DESCARTADO DE FORMA IRREGULAR

Um dinheiro que poderia socorrer a saúde ou a infraestrutura, para citar apenas duas áreas em que as demandas são grandes em Araçatuba, é usado para amenizar os efeitos da falta de conscientização de parte da população. Por ano, o município gasta cerca de R$ 2 milhões para recolher lixo de pontos de descarte irregular.
De acordo com a Sosp (Secretaria Municipal de Obras e Serviços Públicos), o montante é usado para fazer a limpeza de pelo menos 15 locais, já mapeados pela administração municipal, onde a incidência é maior (confira-os no quadro abaixo).
O titular da secretaria, Constantino Alexandre Vourlis, explica que esse serviço está previsto no contrato mantido pela Prefeitura com a Monte Azul Ambiental, empresa responsável pelo recolhimento e por dar destinação final a materiais descartados pela população. O montante desembolsado, explica ele, chega a esse patamar devido à estrutura utilizada. Segundo ele, são cinco caminhões, uma pá-carregadeira e cinco ajudantes.
Apesar das explicações, o secretário considera “revoltante” essa situação. “É dinheiro gasto por causa da falta de conscientização das pessoas e que, no entanto, deixa de ir para áreas prioritárias do município”, lamenta. “Muitas vezes, são colocadas placas, com a proibição de descarte, e as pessoas não respeitam”, complementa.
Um exemplo que confirma o entendimento de Constantino ocorreu durante o último fim de semana. Fogo, ainda de origem desaconhecida, foi ateado em um dos ecopontos mantidos pelo poder público local, no Jardim Carazza.
De acordo com o secretário de Obras, a gestão do prefeito Dilador Borges (PSDB) está trabalhando para ampliar esses ecopontos justamente para combater o despejo ilegal de lixo, entulho e demais resíduos. Hoje, conforme Constantino, Araçatuba tem dois ecopontos legalizados. Além do Jardim Carazza, o outro fica no bairro Lago Azul. Até o fim deste ano, a previsão é que outros oito entrem em funcionamento. Ele ressalta que os caminhões chegam a recolher, em média, volume de 4 mil metros cúbicos de lixo descartado irregularmente, por mês.

PROPOSTA
Uma das várias propostas que o governo local recebeu para conter esta situação veio do vereador Denilson Pichitelli (PSL). Na última semana, ainda durante o recesso legislativo, o parlamentar protocolou indicação que sugere à Prefeitura a construção do chamado “Parque do Povo”, entre as avenidas Padre Ângello Rudello e Ortêncio Giron e as ruas Luiz Grenge e Genésio Gomes da Rocha, no bairro Águas Claras, justamente um dos pontos que estão entre os “15 mais” citados pela Sosp como foco de ação clandestina.
O trecho, conforme constatou a resportagem de O LIBERAL REGIONAL, na tarde de ontem, pertence ao município e está abandonado. No documento, Pichitelli diz que o local é utilizado indevidamente para despejo de animais mortos, entulho, lixo, carcaça de veículos, além da pastagem de animais de grande porte.
“Esta situação está trazendo transtorno aos moradores, pois a área é foco de animais peçonhentos, dengue, além da fumaça em razão do fogo no mato e no lixo acumulados, o que está gerando doenças à população”, diz ele, em seu pedido.
Para a viabilização do projeto do parque, o vereador recomenda que o município corra atrás de parcerias com o Estado ou a União para a construção de equipamentos esportivos, culturais e educacionais e a recuperação de áreas verdes degradadas. Entre os itens propostos pelo parlamentar, está a construção de campos de futebol, quadras, pistas de cooper ou skate e a instalação de aparelhos de ginástica. Outra medida indicada é o plantio de árvores e a implantação de uma concha acústica para apresentações artísticas.
Ontem, em nota, a Prefeitura informou que a indicação do vereador será enviada ao Executivo assim que os trabalhos legislativos forem retomados. “Com ele em mãos, poderá ser feito o estudo dos impactos financeiro do pedido”, disse a Prefeitura, por meio de sua assessoria de imprensa.

CONFIRA A LISTA DOS 15 PONTOS CLANDESTINOS DE ENTULHO IDENTIFICADOS PELA SOSP, CUJA LIMPEZA CONSOME R$ 2 MILHÕES POR ANO:

RELAÇÃO
1. Bairros São José e Porto Real
2. Jardim Centenário
3. Bairro Manoel Pires – Avenida Dois de Dezembro
4. Bairro Claudionor Cinti – Rua Abel Silva
5. Avenida Paranapanema
6. Acea – Avenida Joaquim Pompeu de Toledo
7. Bambuzinho
8. Country – Avenida Odorindo Perenha
9. Rua dos Fundadores
10. Bairro Água Branca – Rua Manoel Martins Guerra
11. Bairro Alvorada – Rua Eça de Queiroz
12. Antigo traçado entre Alvorada ee Nova Iorque – Rua Waldir Lopes
13. Bairro Águas Claras/Verde Parque – Avenida Padre Angelo Rudelo
14. Avenida João Arruda Brasil (Fundo da Unesp)
15. Final da avenida Arthur Ferreira da Costa (Taane Andraus)

Fonte: Sosp (Secretaria Municipal de Obras e Serviços Públicos).

ARNON GOMES
Araçatuba

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