Morre o pecuarista Jorge Nakaguma

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O pecuarista e artista plástico Jorge Nakaguma faleceu na madrugada desta terça-feira (29), por volta de 4h30, na Santa Casa de Andradina. Há vários meses ele lutava contra um câncer. Jorge era irmão do médico cardiologista Hitoshi Nakaguma e da diretora da Apae de Andradina, Lídia Nakaguma Shimizu. Ele deixou a esposa Amelinha e o filho Júnior. O corpo foi velado na Funerária Cardassi e o sepultamento foi no final da tarde dessa terça-feira, no cemitério de Andradina.
Formado em odontologia, Jorge Nakaguma tornou-se referência na seleção de Nelore, que começou com os animais da linhagem VR. Porém, com conhecimento em genética e como profundo estudioso da raça, Nakaguma dsesenvolveu uma linhagem bastante diferente, valorizando a rusticidade. Um animal capaz de desenvolver-se bem a pasto e suportando calor superior a 40 graus, como é a característica da região Noroeste de São Paulo e de Mato Grosso do Sul. Ele costumava dizer que seus animais não era para encher os olhos ou ganhar prêmios em exposição. Valorizava a raça e sua capacidade de resistir às situações mais adversas.
A organização da 3ª Expoan, a Exposição Agropecuária de Andradina, exigiu muito de Jorge Nakaguma. Enquanto Fernando Demário dos Santos, que era o presidente da Comissão Organizadora, trabalhava no evento como um todo, Jorge Nakaguma e Geraldo Giuntini, ambos muito respeitados no meio dos selecionadores, percorreram muitos quilômetros para convencer criadores a exporem em Andradina. Não era uma tarefa fácil, porque esses criadores, de renome nacional, participavam de exposições de destaque. Nakaguma e Geraldinho Giuntini (com décadas de participação em exposições, principalmente quando trabalhava com Oswaldo Fujiwara), conseguiram levar para Andradina muitos criadores, como Cláudio Fernando de Souza Garcia (Totó), Orestes Prata Tibery Júnior (Orestinho), Tarek Abid (de Três Lagoas), Torres Homem, José Luiz Niemeyer dos Santos e tantos outros da região de Araçatuba.
Ao longo de anos, esta era a missão de Nakaguma e Geraldinho Giuntini, convencer selecionadores a participarem da Expoan. E o fizeram com sucesso, pois eram respeitados no meio.
Avesso às religiões, Jorge Nakaguma tinha seus próprios conceitos de vida e os defendia. A defesa intransigente dos seus pontos de vista era uma de suas principais características. Outra, muito marcante, era o respeito às pessoas. Tratava a todos com igualdade. Porém, se tivesse de reagir não se importava a condição social. Agia da mesma forma com grandes pecuaristas ou com os peões e tratadores dos animais. Respeitava, mas exigia respeito.
Além da leitura e dos cuidados diários com a sua criação de gado, Jorge Nakaguma também dedicava-se ao artesanato, trabalhando com argila. O fez com muita competência. Ou seja, era bom em tudo aquilo que se propunha fazer. Certamente a odontologia não o atraiu. Não exerceu a profissão, mas deixou um legado de décadas de trabalho na seleção do Nelore. Os pecuaristas certamente vão usufruir ainda por muito tempo de seu trabalho de seleção genética.

ANTÔNIO CRISPIM
Andradina


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