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QUEM AJUNTA, NÃO ESPALHA
Por Ygor Andrade
Toda bela cidade tem uma canção, ou um belíssimo cartão postal. Tem muita cidade por ai, gozando de seu passado cheio de história e, com razão. Castilho é uma delas. Me lembro de quando era um garotinho (não que isso tenha muito tempo), e a cidade vivia cheia de gente de outras cidades que faziam turismo, principalmente às margens do Rio Paraná. A pesca esportiva era algo que fazia Castilho ser reconhecida Brasil a dentro (e a fora). Digo isso com propriedade, pois morei fora por oito anos e, em um bate-papo em São Paulo, com pessoas que jamais havia visto na vida, ouvi a seguinte frase quando disse de onde eu era: “Castilho? Nossa, pesquei muito ‘na beira do rio’. Meu avô e eu iámos muito e passávamos horas lá”. Mas o que diferencia Castilho das outras cidades, é a união e a preocupação de um povo que soma, e não divide.
Sabe, em todos os lugares em que estive, nunca encontrei ‘um canto’ onde pudesse chamar de meu e, que de fato, fizesse me sentir tão feliz quanto essa pequena cidade do interior faz. Parece demagogia, mas é a mais pura verdade. Castilho tem seus encantos, tem suas peculiaridades e, claro, também tem seus problemas, mas ressalto que, jamais encontrei lugar melhor. Eu, que ainda sou muito caseiro, ainda assim, sinto falta da minha adolescência onde bastavam apenas alguns amigos mais entusiasmados que, qualquer momento, na praça jogando bola, ou em alguma sorveteria, se tornava inesquecível. Alguns, mais corajosos, se juntavam em aventuras épicas e rumavam, de bibicleta, em direção ao próprio Beira Rio, passando horas nadando e depois encarando uma volta torturante, mas satisfatória.
Hoje em dia, parece que, com o advento da internet, as coisas ruins têm mais importância do que as coisas boas. Seja lá quem esteja no poder, faça o que for, uma única coisa que não saia conforme o programado, acaba, por assim dizer, ganhando proporções atômicas, como uma bomba caindo sobre uma pequena cidade. Se não estou enganado, em 2013, a prefeita Fátima Nascimento, foi duramente criticada por ter “trocado” o Carnaval (tradicional festa da cidade e quem tem sim, grande importância em nosso calendário), pela compra de um equipamento para a Saúde local. À época, até fiz algum comentário a respeito. Disse que, não acreditava que ela fosse realizar uma Administração digna da cidade, mas que se continuasse trabalhando com esse tipo de pensamento, eu seria um dos primeiros a admitir seus feitos. Não interpretem de maneira errada, não estou dizendo que o Carnaval não deve ser realizado na cidade, como disse, tem sua importância, principalmente no que diz respeito à economia local, no entanto, a longo prazo, o legado que se espera, é aquele ao qual se usufrui, fisicame e emocionalmente. Hoje, sou um daqueles que consegue enxergar os pontos positivos da gestão de alguém que, lá atrás, duvidei.
Outra coisa que me faz acreditar que a cidade tem muito a crescer e que, o castlhense, tem muito com o que contribuir para isso, é o fato de que, voltando para cá, parece que nunca estive fora. Em uma das minhas visitas à “terrinha”, vi uma Castilho muito provinciana, sem muitas perspectivas. Muitas polêmicas e cheia de desgosto, mas depois que retornei para cá, depois que passei a acompanhar melhor o que acontece na cidade, tanto rem relação à política, quanto em relação ao dia a dia do comerciante, do estudante, do trabalhador que somente dorme aqui, vi que essa fase provinciana está acabando. Tem muita coisa boa chegando, mas infelizmente, a gente (num modo panorâmico, sem generalizar), só consegue enxergar as coisas ruins. Tipo a sindrome do patinho feio; mesmo que digam que somos incríveis, sempre achamos problemas para “enaltecer nossos defeitos”.
Investimentos em outras cidades cairão como outra bomba sobre Castilho, mas com impacto positivo. A construção de um novo hotel na cidade, por exemplo, pode ser vista como oportunismo por muitas pessoas, mas se pararmos e pensarmos no que isso trará de benefícios para a cidade, encontraremos ‘maneiras de investir melhor nossas energias, falando mais sobre o que a cidade tem de bom. Castilho ainda carece de muito investimento, principalmente no turismo local. Temos três rios que nos banham, mas ainda, não soubemos aproveitar seu potencial. A pesca, por sí só, não pode ser o único motivo para a vinda dos nossos turistas. Lugares que ofereçam lazer, descanso, paz; que ofereçam mais do que simplesmente um momento. Mas, sim, uma experiência. A vida é feita de experiências, e sempre nos lembramos com carinho, dos lugares incríveis que visitamos. Seja uma visita por puro prazer, ou a negócios, Castilho pode muito mais. Pode crescer mais, pode enriquecer mais e pode ser mais.
Ainda falando em investimentos, ouvi alguém dizendo que “as coisas estão aparecendo, por estarmos em ano eleitoral”. Acho um pouco ultrapassado usar essa frase, se levarmos em consdeiração que política se faz todos os dias, todos os meses, todos os anos e, me desculpe, se você pensa que política se faz somente de quatro em quatro anos, suas definições de “trabalho em prol do povo” estão desatualizadas. É preciso, como disse, que a cidade cresça ainda mais em muitos aspectos, mas, como diz o velho ditado, “quem não ajunta, espalha” e, jogar contra, não é a maneira mais fácil de fazer com que Castilho seja, de fato, uma cidade cada dia melhor.

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