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Promotora de Andradina defende a quarentena na cidade e desmente falsas notícias

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DIEGO FERNANDES – ANDRADINA

Como forma de tentar alertar a população de Andradina, a Promotora de Justiça Rúbia Prado Motizuki, que possui atribuição na área da saúde pública e vem acompanhando de perto as medidas da Prefeitura e dos Governos Estadual e Federal no combate à pandemia do novo coronavírus, gravou um vídeo, que foi publicado em rede social, rebatendo informações falsas que estão circulando na internet.
A promotora afirma no vídeo, com mais de 20 minutos de duração, que os andradinenses devem respeitar a quarentena imposta pelo Governo do Estado, como forma de prevenir casos da doença na cidade.
No depoimento, ela alerta para o baixo número de leitos de UTI disponíveis na cidade para o atendimento de casos de coronavírus, e ainda lembrou que com poucos casos Andradina já poderá ter um colapso na saúde pública.
Rúbia ainda comenta que a demora na conclusão dos testes dos casos suspeitos está relacionada à demanda, critica os pacientes que não estão cumprindo o isolamento e desmente informação de que o coronavírus não sobrevive ao calor da cidade.
Defesa à quarentena
Sobre a volta ao trabalho, a promotoria afirmou que há um conflito de interesses entre quem está de quarentena e quem está precisando trabalhar neste período. “Quem está trabalhando hoje eu recebo diversas denúncias ´pelo amor de Deus, para a minha empresa, eu quero ficar em casa, meus pais são idosos, eu tenho asma, uma filha com problema de sinusite alérgica grave´. As pessoas que estão trabalhando querem parar porque estão com medo. E as que estão paradas querem voltar porque também estão com medo. Mas eu preciso que vocês parem agora para que a gente volte à normalidade. Se não pararmos agora, nós pararemos lá na frente por tempo indeterminado, sem ter data certa para voltar, pessoas morrerão”, alertou.
Rúbia, que já morou por algum tempo no Japão, também, respondeu aos questionamentos sobre o fato de o país asiático não ter paralisado completamente as suas atividades e estar conseguindo controlar a pandemia. Segundo ela, as culturas são completamente distintas. “Eu morei lá e posso dizer com propriedade. Lá ninguém entra com sapato em qualquer estabelecimento comercial, a gente não troca de roupa numa loja sem trocar os sapatos, antes de entrar em residência você troca de sapato, antes de qualquer clínica de saúde você veste uma roupa especial. Lá qualquer pessoa acometida de uma gripe, ou qualquer doença, usa uma máscara em proteção ao outro. Ninguém lá come antes de lavar as mãos. A cultura é diferente, é muito mais fácil conter”, afirmou.
Todos os leitos de UTI da Santa Casa ocupados
Rúbia rebate as pessoas que estão querendo voltar ao trabalho normalmente afirmando que não há casos na cidade e por isso a situação estaria aparentemente tranquila. A promotora afirma que a Santa Casa de Andradina recebe pacientes de várias cidades da região e que os leitos de UTI já estão ocupados com outros pacientes. “O fato de não ter confirmação não significa que não temos casos. Nós temos vários suspeitos. Nós temos a Santa Casa como referência de toda a região, se precisamos de uma internação mais grave vem pra cá. Na Santa Casa de Andradina tem 10 leitos de UTI, esses leitos estão ocupados. Não são de coronavírus. São só 6 com respiradores. E estão ocupados! Pra onde vai um paciente de coronavírus que precise de respirador ou esteja em situação grave no município? Se vier de Castilho, Murutinga do Sul, Nova Independência, outros municípios, para onde vão? Não precisamos de um número muito grande para deixar o nosso hospital em crise”, afirmou ela, que ainda disse que tanto a Prefeitura quanto a Santa Casa alugaram 5 respiradores cada um, mas os equipamentos ainda não chegaram.
A promotora ainda afirma que os pacientes acometidos pelo coronavírus precisam de atendimento individual, o que além de complicar a demanda por equipamentos, ainda geraria problemas de pessoal. “Precisamos do respirador, do monitor, dos cabos, da equipe de saúde trabalhando. A Santa Casa não tem. Tem que ser uma equipe única, ela não pode atender outros pacientes, só o coronavírus. Por isso que a prefeitura está montando o centro de coronavírus, está se mobilizando pra isso. Precisa de um local isolado, com uma porta única e atendimento por equipe única. Precisamos de tempo e que esses aparelhos cheguem, precisamos nos preparar. Se houver uma contaminação em massa hoje e as pessoas precisarem de atendimento médico elas não terão”, disse ela, completando ainda que 2 ou 3 casos graves da doença na região já seriam suficientes para gerar um colapso na saúde em Andradina, sendo que 95% da população da cidade necessitaria de atendimento da Santa Casa.
Contágio rápido causa demora na chegada de resultados dos testes
A promotora também rebateu comentários de que a Prefeitura de Andradina ou a Promotoria estariam escondendo os testes para o novo coronavírus. Segundo Rúbia, não há resultados em Andradina por culpa da alta demanda. “Não é culpa de ninguém, os testes foram realizados e o resultado não veio. Os testes foram encaminhados para o laboratório Adolfo Lutz porque é o laboratório credenciado do Estado. Eles não estão vindo. O sistema está colapsado. Não é um problema isolado de Andradina. Alguns municípios estão divulgando resultados porque algumas pessoas estão fazendo testes em hospitais particulares, pessoas de alto poder aquisitivo. Não é a nossa realidade. Não temos condições de pagar por estes testes. E até esses estão encontrando problemas porque a demanda é muito grande”, disse ela, lembrando que o coronavírus tem um contágio muito rápido e o sistema de saúde não é preparado para isso.
Crítica a pacientes que “fugiram” do isolamento
Rubia ainda comentou sobre o caso dos pacientes que foram atendidos na Santa Casa com suspeita de coronavírus, que deveriam estar em isolamento, e foram vistos em supermercados da cidade. Ela condenou a atitude. “Algumas delas estavam nos supermercados, e não é uma, algumas delas. As equipes da Vigilância Epidemiológica não estão encontrando esses pacientes em casa, eles saem e colocam em risco toda a população”, afirmou.
Coronavírus sobrevive ao calor
Por fim, Rúbia explicou que é falsa a informação de que o coronavírus não sobrevive em altas temperaturas. “Vi que tem um vídeo dizendo que o vírus não sobrevive a uma temperatura acima de 22 graus, mentira! É fake News! O corpo tem uma temperatura média de 36 graus e ele fica e sobrevive. Nós temos morte em todas as regiões. Tivemos morte no Nordeste. Não acreditem. E outra, e o frio contribui, o inverno está chegando”, completou a promotora.

 


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