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DA REDAÇÃO – PEREIRA BARRETO

A costureira Elenir dos Santos, 43 anos, residente em Mirandópolis, era frequentadora assídua, com a sua família, da Praia Por do Sol, de Pereira Barreto. Ela, que é diabética, é uma das dezenas de vítimas do ataque de piranhas que ocorre desde o final de novembro. Elenir foi atacada no dia 25 de dezembro e disse que ao chegar não foi alertada por ninguém da administração da praia. “Sabia das piranhas porque vi a a reportagem, mas ninguém alertou que o problema continuava. Depois, uma comerciante do local me disse que eu era a terceira vítima do dia”, desabafou a costureira. Elenir só disse que só volta ao local depois que tiver certeza de que não há mais risco de ataque de piranhas.
Desde o final de novembro a Praia Por do Sol, de Pereira Barreto, que atraía milhares de pessoas, vem registrando ataques constantes de piranha. Isso pode até mesmo comprometer o local como fonte de receita. O primeiro ataque com registro de vítimas foi no dia 24 de novembro, quando três pessoas foram feridas. No entanto, com o período de férias e de festas, o movimento na praia aumentou e muito pouco foi feito pela Prefeitura, que limitou-se a limpar a área. Não resolveu e mais de 30 pessoas já foram atingidas, algumas com relativa gravidade. Mesmo diante deste quadro, o governo do prefeito João de Altayr Domingues, o Joãozinho, pouco fez para reverter a situação e evitar novas vítimas.
Segundo Elenir dos Santos, no dia de Natal à tarde, ela, duas filha e outros familiares, incluindo crianças, decidiram ir até Pereira Barreto, como fazem pelo menos uma vez a cada dois meses. Tudo transcorria normalmente até que ela, que estava em área com aproximadamente 1,40 metro de profundidade, sentiu a “fisgada” no dedão. “Rapidamente mandei saírem da água”, disse. A mordida da piranha levou um pedaço do seu dedão. O problema ficou mais sério porque Elenir é diabética e a cicatrização é mais difícil.
Por telefone, na tarde desse sábado, Elenir disse que está sendo medicada e fazendo curativo diariamente. Porém, profissionalmente a situação não é tão boa. Como ela é costureira e ganha por produção, sua renda ficou comprometida, já que desde o acidente não conseguiu trabalhar normalmente. “Dói muito”, afirmou.

HISTÓRICO

A Praia Municipal de Pereira Barreto foi construída com recursos da Cesp (Companhia Energética de São Paulo) como parte da compensação pelo enchimento do lago da Usina de Três Irmãos. Várias outras obras foram executadas. Com a praia, o objetivo do município era fortalecer a atividade turística como forma de compensar a perda de área de produção. Além disso, o município conseguiu a elevação à condição de estância turística, o que garantiu muitos investimentos em obras e atrativos.
No entanto, todo este trabalho que vem sendo desenvolvido desde o início dos anos 2000, pode ser comprometido com o recentes ataques das piranhas. Os sucessivos prefeitos, mesmo sabendo que o ataque de piranha era previsível no Rio Tietê, pois já foram registrados em Buritama e Itapura, nada fizeram. Mesmo com os recentes ataques, o governo do prefeito Joãozinho teve a dimensão exata do problema e de suas consequências para a economia do município. Como Elenir, muitas outras pessoas vão deixar de frequentar a praia municipal.
Nesta semana, várias outras pessoas foram atacadas. Foram cinco casos apenas no dia 1º de janeiro. Suspeita-se que o consumo de alimentos na margem do rio e até mesmo a atividade pesqueira, como a colocação de iscas ou até mesmo restos de peixe depois de limpos possam estão contribuindo para atrair as piranhas. Porém, isso é apenas especulação. É preciso estudo mais aprofundado sobre a questão.
Enquanto não há estudo e ações efetivas para evitar a presença das piranhas, a Prefeitura precisa agir mais efetivamente para alertar banhistas quanto aos riscos de acidente.

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Após 40 dias dos primeiros ataques, prefeito reúne secretários para discutir o problema

O primeiro ataque de piranhas em Pereira Barreto foi no dia 24 de novembro. No entanto, apenas na sexta-feira (3), após mais de 30 vítimas confirmadas e muitas outras que não procuraram socorro, o prefeito João de Altayr Domingues reuniu o secretariado para discutir a questão.
Na sexta-feira o prefeito Joãozinho convocou parte do seu secretariado para uma reunião em seu gabinete para tratar de assuntos referentes as posturas adotadas quanto a segurança dos banhistas em relação aos ataques de piranhas ocorridos nos últimos dias na praia “Pôr do Sol”. Foi apresentado um balanço das ações, como limpeza na orla da praia, afim de eliminar pontos que poderiam conter restos de alimentos. Também foi iniciado um trabalho de orientação aos pescadores para que evitassem a pesca naquele local, já que poderia ocorrer pontos de seva e limpeza de peixes.
Como estas medidas se mostraram ineficazes, a Prefeitura passou a colocar placas no local. Porém, isso só ocorreu semanas após os primeiros ataques. As placas “Colabore, respeite os banhistas, evite pescar na orla da praia”. Mas recentemente foram colocadas outras placas: “Atenção Banhistas. Área sujeita a ataque de Piranha, Cuidado”. Porém, as medidas foram tarde, pois muitas pessoas foram atacadas por falta de orientação.
O prefeito Joãozinho vai propor parceria com a empresa que administra a Usina de Três Irmãos e a Marinha do Brasil para ações mais efetivas. Na próxima terça-feira (7), o secretário de Turismo Igor Grespan, irá se reunir com uma equipe de biólogos da Unesp para um eventual estudo sobre os comportamentos desse peixe, buscando entender a razão dos ataques.
No entanto, as medidas estão sendo tomadas tardiamente o estrago já foi feito.

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