Home Cidades Caro, pesado, mas um objeto de união: o primeiro aparelho de TV de Araçatuba

Caro, pesado, mas um objeto de união: o primeiro aparelho de TV de Araçatuba

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ARNON GOMES – ARAÇATUBA

A história oficial do Brasil cravou o ano de 1500 como o marco inicial do país. Foi quando Pedro Álvares Cabral e as caravelas portuguesas aqui chegaram, dando início à colonização.

Em Araçatuba, o número referente ao ano de nascimento da maior nação da América Latina serviu para o pontapé de uma história que, na última sexta-feira (18/09), foi motivo de intensas comemorações e homenagens: os 70 anos da televisão brasileira.

Na cidade, foi no número 1500 de uma de suas mais famosas ruas, a Cussy de Almeida, onde se deram os primeiros testes para a instalação da grande novidade que apareceu na comunicação em 1950.  Entretanto, da chegada da tevê ao País à implantação em Araçatuba, houve um hiato de 14 anos. O ano era 1964. Foi o advogado Rubens Carvalho Homem quem resolveu investir na aquisição do primeiro aparelho do tipo na cidade.

Mas, segundo relatos de familiares, ele procurou fazer segredo. Conta sua neta, Natália Xavier Totti, que sr. Rubens procurou manter o receptor longe da vista dos demais para evitar aglomeração em frente à sua casa. Filha do “desbravador”, a professora Heloísa Ferraz Homem Xavier tem na memória como se deram os esforços para fazer funcionar aquele equipamento, então um produto de luxo. Segundo dona Helô, como é conhecida, seu pai e o médico Nico Vilela, motivados pela curiosidade, iniciaram os testes na garagem da casa localizada na Cussy.

Era um produto nobre e que chamava atenção pelo tamanho. “Meu pai comprou uma TV que, na época, tinha quase o preço de um carro. Era muita cara. Daí colocou uma antena gigantesca em cima de casa”, relembra dona Helô. Ela ressalta que foram várias noites na tentativa de fazer o objeto funcionar. Até que, de repente, “alguns rabiscos” começaram a aparecer. As primeiras imagens vistas foram da telenovela “Direito de Nascer”, exibida pela extinta TV Tupi entre 1964 e 65 e que tinha como protagonista Albertinho Fernandes, personagem vivido pelo ator Amilton Fernandes, já falecido. Logo, um alvoroço se formou na residência da família.

“Nesse dia, a garagem foi aberta. Foi uma farra de gente passando e querendo ver. Um fato inusitado foi ver minha irmã chegando da escola de um curso noturno e deparar com aquela aglomeração de gente saindo e entrando. Ela pensou que alguém de casa tivesse morrido”, conta dona Helô. Ela ressalta que vários amigos da família foram à residência ver a novidade.

Isso serviu para fortalecer vínculos de amizades e familiares. “Como ninguém podia comprar, então, onde tinha televisão, a vizinhança ia toda assistir”, relembra. Com o tempo, a imagem melhorou de vez, com a chegada das transmissões de antenas de São Paulo para o interior. Já a televisão com imagem colorida chegou à cidade em meados da década de 1970.


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