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ARNON GOMES – ARAÇATUBA

Perto de o poder público ter que decidir sobre o retorno às aulas presencias em meio à pandemia de covid-19, doença provocada pelo novo coronavírus, a Câmara Municipal quer um posicionamento da Prefeitura a respeito desta questão que, nos últimos dias, tem sido motivo de intensos debates entre pais, professores e equipes de gestão escolar.

Na noite de ontem, o Legislativo aprovou requerimento de autoria da vereadora Beatriz Soares Nogueira (Rede) que pergunta se está sendo realizado algum estudo junto aos estudantes da rede municipal que subsidie o retorno das crianças.

A resposta para esta pergunta já existe. Procurada pela reportagem, a secretária municipal de Educação, Silvana de Souza e Sousa, informou que pesquisa realizada pela pasta apontou que 17% dos pais dos cerca de 16 mil alunos têm interesse na retomada no atual momento.

Entretanto, Beatriz, que ocupou o mesmo cargo de Silvana no governo Cido Sério (PSD), antecessor da atual gestão, quer saber mais. No mesmo documento, a parlamentar indaga se está em elaboração outro estudo, semelhante ao feito na rede municipal, mas junto aos estudantes de escolas particulares.

Outros dois questionamentos encerram o pedido de informações da representante da Rede Sustentabilidade. O primeiro é se está sendo feita a testagem de alunos e familiares, ao menos por amostragem. E ainda: quais critérios serão considerados para a decisão de retorno ou não às aulas em Araçatuba.

Beatriz disse estar preocupada com a regularização das atividades escolares ainda neste ano. “As crianças, normalmente, são assintomáticas para a covid”, disse ela. A parlamentar argumenta que parte significativa dos alunos mora com os avós. “Portanto, uma decisão de volta às aulas deve ser tomada com base em critérios muito significativos. É uma decisão muito séria porque envolve vidas das famílias araçatubenses. Por isso, questiono os critérios e se há alguma pesquisa”, explicou a vereadora.

LADO OFICIAL

Silvana, por sua vez, afirma que o retorno vai depender das condições sanitárias. No último dia 7, o governador João Doria (PSDB) anunciou o adiamento da volta às aulas para 7 de outubro, porém, permitindo que as instituições localizadas em regiões enquadradas na fase amarela do Plano São Paulo (caso de Araçatuba) possam reabrir seus espaços já em 8 de setembro.

Mesmo assim, Silvana enfatizou que ainda não há data definida. “Outubro está sendo colocado como uma perspectiva, mas sem estar fixada em decreto. Então, pode retornar em setembro para atividades de reforço, recuperação e com número limitado de alunos”, disse ela. Mas, para esses casos, a Secretaria Municipal de Educação já deliberou que não irá promover a volta às aulas em setembro. “Vamos ter plantões para alunos que tiverem necessidade, mas não com duração de aulas, no formato de agrupamento de estudantes”, frisou.

A secretária explicou que a pesquisa feita com os pais servirá de base para as ações da educação enquanto Doria ou o prefeito Dilador Borges (PSDB) não publicam decreto, permitindo o retorno. “Aqueles que não querem as aulas presenciais vão continuar fazendo as atividades somente de forma remota; aqueles que querem presencial irão às escolas somente nos dias nos quais estiverem escalados – no máximo, duas vezes na semana. Fora isso, continuarão acompanhando de forma remota. É o modelo híbrido”, detalhou.

REUNIÃO

A reportagem de O LIBERAL REGIONAL apurou que, nesta quarta-feira, diretores de colégios particulares da cidade terão reunião com representantes das secretarias municipais de Educação e Saúde para decidirem sobre o retorno presencial em 8 de setembro.

Enquanto isso, as instituições de ensino privadas se preparam para receber os alunos que, desde março, quando começou a pandemia, assistem aulas apenas em ambientes virtuais.

 

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RETRANCA

 

Decisão do prefeito de SP embasou questionamento de vereadora

 

Em seu requerimento, a vereadora Beatriz citou decisão tomada pelo prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), acerca da possibilidade de volta às aulas em setembro.

Em 18 de agosto, o prefeito da capital paulista anunciou que nem o retorno às aulas de reforço e uso de laboratórios e bibliotecas no município acontecerá em setembro. A decisão vale para instituições de ensino públicas e particulares da maior cidade do país.

Apesar da liberação do governo estadual para que algumas atividades possam retornar em setembro, uma vez que a capital preenche o requisito, a administração municipal diz acreditar que uma volta representaria um aumento no número de casos da covid-19 na cidade.

Para justificar a decisão, a Prefeitura apresentou dados de inquérito sorológico feito com seis mil alunos da rede municipal, com idade entre 4 e 14 anos. Os números chegam perto do observado em Araçatuba. De acordo com os dados, 16,1% dos alunos da rede pública municipal já contraiu a doença causada pelo novo coronavírus. O índice é maior do que o encontrado na população geral de São Paulo, que foi de 10,9% de infectados.

Um dos resultados que levou a prefeitura a optar por não reabrir as escolas em setembro é que 64,4% dos estudantes -isto é, cerca de 2 a cada 3 alunos- são assintomáticos.


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