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Em um ano tão difícil à Acrepom (Associação dos Catadores de Papel, Papelão e Materiais Recicláveis) de Araçatuba, depois que a sede foi atingida por um incêndio em junho deste ano, funcionários localizaram R$ 36 mil dentro do fundo falso de um cofre que foi descartado pela Polícia Civil do município nos últimos. Em um gesto de honestidade, a entidade comunicou o fato às autoridades e devolveu toda a quantia. O caso ocorreu no fim da manhã dessa quinta-feira (27).

Era uma mais uma manhã de muito trabalho na associação. Tem sido assim nos últimos dias, após um incêndio criminoso destruir parte da Acrepom em junho deste ano. Para se reerguer, a Acrepom precisou mais do que nunca da união dos funcionários e da ajuda da população, por meio de doações, sejam elas fisicamente ou virtualmente.

União essa que já gera bons resultados. Hoje mesmo chegou uma das principais máquinas para que eles possam trabalhar, uma espécie de fragmentadora, que custa mais de dez mil reais. A coordenadora de pátio, Silvia Cristina dos Santos, contou à reportagem que viu o cofre jogado e pensou em utilizá-lo como apoio para uma caixa d’agua no local.

“O cofre já era para ter sido descartado na caçamba de ferro-velho, mas não sei o que aconteceu e eu quis porque quis ele. Os meus dois colegas, Pedro e Manoel, começaram a chutar, porque ele já estava bastante danificado. Foi, aí, que vimos a primeira nota. A gente ficou muito feliz e foram surgindo mais notas. A partir daí, acabou a brincadeira e levamos o caso até a secretaria, pois era muito dinheiro e sabíamos que tinha dono”, revelou.

CONTAGEM

Todo o valor estava separado em notas de R$ 100 e R$ 50. A secretária da Acrepom, Alexandra Santos Alves, tomou conhecimento a respeito da localização do dinheiro e imediatamente comunicou a situação aos superiores, que começaram a fazer a contagem.

No momento de identificar quem teria descartado o objeto, mais uma surpresa surgiu, já que o cofre havia sido apreendido pela Polícia Civil de Araçatuba. “A Polícia Civil é uma das parceiras da entidade, já que traz muitos materiais aqui. Nós procuramos saber de quem era e descobrimos que era da polícia”, revelou.

FURTADO

A Delegacia Seccional de Araçatuba informou à reportagem que o cofre não pertencia à Polícia Civil e que o objeto foi localizado abandonado. Indivíduos desconhecidos teriam furtado, retirado o que havia dentro e descartado.

“Foi destinado à destruição para a Acrepom e no processo de destruição chegaram a um compartimento secreto imperceptível, onde estava o dinheiro, que pertence à vítima do furto e deverá ser restituído”, finalizou a nota.

HONESTIDADE

Mesmo diante das adversidades enfrentadas ao longo de todos esses anos, os funcionários da Acrepom vão levar mais um aprendizado para casa depois do que aconteceu. A honestidade e o trabalho voluntário que realizam para cerca de 26 famílias vão continuar construindo sonhos.

“A nossa honestidade sempre vai prevalecer. A gente precisa trabalhar para nos manter e acredito que Deus vai nos recompensar por tudo isso. Estamos lutando para conseguirmos tudo o que perdemos desde o incêndio e tudo vai melhorar, eu tenho certeza”, finalizou a coordenadora de pátio.

INCÊNDIO

O fogo começou a atingir a Acrepom por volta de meio dia de um domingo, dia 21 de junho de 2020. Rapidamente, as equipes do Corpo de Bombeiros foram acionadas e compareceram ao local. Foi um trabalho difícil, já que muitos materiais eram inflamáveis, o que fez com que as chamas se espalhassem rapidamente. 

O trânsito precisou ser interditado para o trabalho das equipes. A Polícia Militar e a Guarda Municipal deram suporte para a interdição. Aproximadamente duas horas depois, o fogo foi totalmente controlado. O prejuízo estimado, de acordo com os dirigentes da associação, é de mais de R$ 300 mil, já que muitos dos equipamentos novos foram queimados. 

A Acrepom surgiu em 1996  a partir de uma preocupação do Centro de Direitos Humanos em parceria com a Pastoral da Juventude, a partir da  reflexão da Campanha da Fraternidade (Quaresma de 1995) que  trouxe o tema sobre os excluídos.  Descobriu-se que em Araçatuba, havia, aproximadamente, cem pessoas  coletando papéis pela rua e  vivendo  em condições  de total precariedade.  

No mês passado, a perícia feita no local concluiu que o incêndio foi criminoso, mas até agora nenhum suspeito foi identificado. Os peritos identificaram um maior foco de incêndio no refeitório, no setor de prensa e no de fragmentação. Nesse local havia maior ação do fogo, que se propagou por meio do forro de madeira, estrutura do telhado e, depois, pela recepção, o vestiário e a biblioteca. 

Acontece que a perícia constatou, após um minucioso exame no local, um foco de menor proporção na cozinha e outro na parede externa do mesmo cômodo, próximo ao armário do gás. “Portanto, devido à existência de três focos não interligados, induz-se que o incêndio teve início de maneira proposital”, complementou o relatório. 


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