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Conhecida como a capital do calçado infantil, Birigui tem 123.638 habitantes, conforme a última estimativa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Nos últimos anos, o município presenciou estabilidade nos índices de crimes violentos com destaque para o ano passado quando o número ficou bem abaixo das últimas contagens. Mas, de um ano para cá, foi a taxa que mais cresceu nas 139 cidades paulistas analisadas no primeiro semestre pelo Instituto Sou da Paz, que realiza pesquisas aplicadas para melhor compreender algumas realidades.

Birigui foi na contramão de outros 99 municípios paulistas com mais de 50 mil habitantes, que tiveram queda de 11% no primeiro semestre deste ano, em comparação com 2019 no índice geral medido pelos crimes de roubos, estupros e homicídios.

O IECV (Índice de Exposição à Criminalidade Violenta) é calculado pela média ponderada de três subíndices de crimes: vida (homicídios e latrocínios), contra a dignidade sexual (estupros) e contra o patrimônio (roubos). No primeiro semestre de 2019, o IECV de Birigui foi de 1,69. Neste ano, ficou em 3,05, uma variação de 80%.  Para a diretora executiva do Instituto Sou da Paz, Carolina Ricardo, o destaque na cidade foi pelos crimes de homicídios e estupros.

“Mais do que dar respostas, o indicador promove novas perguntas. O que tem acontecido em Birigui, que mesmo em um momento de pandemia, em que se esperasse, talvez, a diminuição dos registros de estupros, ainda que possam ter diminuído um pouco, eles continuam altos. É muito importante, sobretudo as prefeituras, identificarem as vítimas para se debruçar e tentar identificar as causas e criar redes de apoio para esse tipo de violência”, explicou.

HOMICÍDIOS ESCLARECIDOS

Dados da Secretaria da Segurança Pública do Estado mostram que Birigui registrou cinco assassinatos em todo o ano passado. No primeiro semestre deste ano foram 12.  O Estado somou 1.522 vítimas de homicídio nos seis primeiros meses do ano (média de oito casos por dia), o que representou a primeira alta semestral em sete anos. Em 55 cidades houve mais mortes violentas no primeiro semestre deste ano do que no primeiro semestre do ano passado, como o caso de Birigui, por exemplo. De acordo com o delegado Cristiano de Oliveira Mello, responsável pela Polícia Civil da cidade, 95% dos crimes já foram esclarecidos.

“Estatisticamente falando, Birigui vinha sempre mantendo um nível baixo com relação ao crime de homicídio. Houve um pequeno acréscimo, que resultou no aumento, aparentemente significativo, mas estaticamente falando. Em números específicos até que não houve um aumento muito grande”.

O único homicídio que ainda segue em investigação é do peão de rodeios José Antônio Vieira de Andrade, de 55 anos. Ele foi morto a tiros no último dia 28 de junho no primeiro dia que havia se mudado para uma casa nova na cidade. Um homem bateu na porta e atirou quando a vítima apareceu. O autor fugiu e ainda não foi localizado.

“Ainda restam algumas diligências para serem feitas e levar à Justiça a autoria desse crime. Mas, 95% dos crimes violentos em Birigui foram todos esclarecidos”, concluiu o delegado.

DÉFICIT DE AGENTES

Um dos órgãos de segurança pública que atua na cidade é a Polícia Municipal, principalmente no patrulhamento nos prédios públicos. A grande dificuldade encontrada para se realizar um trabalho efetivamente completo, segundo o comandante da Instituição José Carlos Fernandes, é o déficit de agentes, que hoje está em 40.

“Quantidade acaba aumentando a situação de segurança. O prefeito fez o concurso público, que está em andamento, para a contratação de mais guardas municipais, porém o governo federal congelou todas as contratações no âmbito do município. Portanto, durante 19 meses não será possível contratar os novos guardas e vamos ter que trabalhar com o efetivo que temos”, contou à reportagem.

A reportagem questionou a Polícia Militar a respeito dos números e perguntou como o efetivo trabalha para evitar o aumento dos índices criminais, além de indagar se há a falta de policiais para que se consiga desenvolver um trabalho maior de patrulhamento preventivo e ostensivo. Até o fechamento dessa edição não houve resposta.

REGIÕES ANALISADAS

O Instituto Sou da Paz identificou queda de 11% no índice de crimes violentos em 99 cidades analisadas. Segundo a diretora executiva, isso pode ser explicado pelas medidas restritivas e o isolamento social adotados em decorrência da pandemia de coronavírus.

O melhor índice foi o da cidade de Matão, a 307 quilômetros da capital paulista. Foi a cidade que mais reduziu os registros de criminalidade no primeiro semestre, com queda de 70%. Já no litoral e no Vale do Paraíba estão as cidades com os maiores indicadores de violência, com Itanhaém no topo da lista.

 

ARAÇATUBA, ANDRADINA E PENÁPOLIS REGISTRAM QUEDA

 

O IECV medido pelo Instituto Sou da Paz registrou queda no primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado nas três outras maiores cidades da região.

Em Araçatuba, por exemplo, o índice passou de 4,89 (2019) para 4,53, uma redução de 7%. O destaque ficou por conta da queda nas ocorrências de estupros (-22%) e roubos (-18%). Já os homicídios aumentaram 23%.

Na cidade de Andradina, a queda no índice geral foi de 1,9% (2,52 para 2,47). No primeiro semestre, o município contabilizou um assassinato contra dois no ano passado. Foram registrados dois casos de estupros a mais do que em 2019, totalizando sete. Já os roubos tiveram queda de 51% em igual período.

Já em Penápolis, o índice geral teve redução de 5,6% (2,99 para 2,82). No ano passado, o município não teve homicídio no primeiro semestre, diferentemente desse ano, com o registro de um. Os estupros caíram 18% e os roubos 14%.

 

 

LINS TEM ALTA NO ÍNDICE GERAL PUXADO PELOS ESTUPROS E ROUBOS

O município de Lins foi o segundo da região que registrou alta no IECV neste ano. A variação foi de 12% (4,46 em 2019 para 5,01 em 2020). O aumento se deve ao número de ocorrências de estupros, que registraram alta de 25% de um ano para cá.

Já os roubos aumentaram 11%. O índice de homicídios foi o único que registrou queda no primeiro semestre dos dois anos analisados. Três pessoas foram assassinadas na cidade em 2019. Neste ano, duas.


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