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DIEGO FERNANDES – ARAÇATUBA

Em sua entrevista coletiva diária desta sexta-feira, o governador João Dória (PSDB) anunciará ao lado de sua equipe, a nova classificação das regiões paulistas no Plano São Paulo de flexibilização da economia. A reclassificação valerá a partir da semana que vem. A região de Araçatuba, pertencente ao DRS 2, atualmente está na fase 1 (vermelha), com todo o seu comércio não essencial fechado.

Enquanto chega ao final da quarta semana seguida de lojas e shoppings fechados, Araçatuba segue registrando aumento nos casos diários de coronavírus, conforme o jornal O LIBERAL REGIONAL vem noticiando diariamente. Líderes do comércio araçatubense não concordam com a “demonização” do setor no momento mais delicado da pandemia.

Para eles, os grandes vilões do crescimento no número de casos são outros fatores, como por exemplo a falta de conscientização. Após repercussão de matéria publicada ontem sobre o assunto, o jornal O LIBERAL REGIONAL traz mais uma série de opiniões sobre o assunto.

Três líderes do comércio conversaram com a reportagem e apresentaram suas razões para o aumento de casos. Nenhum deles acredita que o comércio seja o culpado.

“Comércio está fechado de maneira injusta”, aponta sindicalista

Gener Silva

Para o presidente do Sincomércio, o Sindicato do Comércio Varejista de Araçatuba e Região, Gener Silva, o grande vilão do crescimento de casos na cidade, no estado e no mundo, são as viagens de negócios e turismo.

Ele crê que a falta de cuidado que ocorreu no começo da pandemia desencadeou na situação vivida no atual momento. Para ele, o comércio nunca foi o grande problema. “Está sendo tratando o comércio como grande vilão, mas não é. É muito importante o varejo, entretanto as lojas estão proibidas de comercializar de maneira injusta porque qualquer movimento na micro e pequena empresa não seria tanto quanto acontece, por exemplo, nos supermercados”, afirmou Gener Silva.

Em sua explanação à reportagem, o dirigente lojista relatou a importância do pequeno e médio comerciante para a geração de empregos e renda no país. “Eu sempre defendi a ideia de que o pequeno varejo, a micro ou pequena empresa no Brasil e em São Paulo representa 85% do número total de empresas. Os empregados também representam praticamente o mesmo percentual. Quando as micro e pequenas empresas têm clientes são um, dois, três, quatro ao mesmo tempo. Eu acho injusto (ficar fechado)”, opinou.

O dirigente ainda completou afirmando que o grande problema ocorreu no início da pandemia. “É só verificar a origem da contaminação, que foi viagem de negócios e viagem de turismo, esse é o grande vilão. O intercâmbio de pessoas contaminadas inicialmente”, concluiu.

Organizadora de evento acredita que pequeno varejo não tem poder de aumentar casos de covid

Mirela Vilela

A empresária e comerciante Mirela Vilela, proprietária de uma loja de calçados e há dois anos organizadora do evento Street Fashion, crê que estabelecimentos que recebem menos pessoas por metro quadrado não são grandes locais de contaminação.

Ela elege outros vilões, como a falta de cuidado da população. A empresária também crê que a testagem tem sido muito importante no conhecimento dos novos casos. “Muitas pessoas não se conscientizaram ainda e não estão tomando os devidos cuidados como uso de máscara, higienização das mãos. E outro fator muito importante também é o aumento da testagem, com isso gera maior confirmação do número de casos”, disse.

Mirela comenta que lojas menores, as quais formam boa parte do comércio da cidade, não causam grandes aglomerações, um dos fatores a serem evitados durante a pandemia. “Não acredito que em lojas onde não acontecem grandes fluxos de pessoas trabalhando em horário normal, não acredito que eles sejam os grandes vilões desta pandemia”, concluiu.

Presidente do Calçadão fala em irresponsabilidade para quem aponta culpados

César Braga

Para o presidente da ALCA, Associação dos Lojistas do Calçadão de Araçatuba, César Braga, é uma irresponsabilidade culpar o comércio ou qualquer outro setor pelo aumento no número de casos de covid-19.

O dirigente, que é dono de uma óptica, acredita que a novidade da pandemia está surpreendendo a todos da mesma forma. “Eu acho que não existe vilão, acho que não pode jogar a culpa no comércio, ou no pessoal que vai no mercado, ou no pessoal que fica na rua, isso é uma questão de saúde mundial. Isso é um vírus, novidade pra todo mundo, todos estão sujeitos a se contaminar”, disse.

César Braga diz que estabelecimentos do comércio essencial, que estão abertos, é que podem sofrer aglomerações por conta do “desespero” da população em querer sair de casa. “Mesmo ramos considerados essenciais que estão abertos, eu estou percebendo que isso já está cansando a gente, por mais que o povo saia pra rua, as pessoas não estão saindo pra consumir”, afirmou.


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