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Ygor Andrade

A Pandemia, o efeito cascata e o reconhecimento do trabalho

Recentemente, em Castilho, algumas pessoas se manifestaram contrárias ou mesmo, descrentes em relação a efetiva atuação da Barreira Sanitária instalada no Portal da cidade. Um engenheiro três-lagoense fez um vídeo comparando as barreiras de Castilho e, claro, de Três Lagoas. Nesse vídeo, elogios foram feitos a maneira como a cidade deste lado do Rio Paraná tem tratado quem chega, e lamentações (para não dizer críticas) foram feitas ao modus operandi da vizinha sul-motogrossense.
No geral, comparações são feitas quando algo está bom e outra coisa está ruim, mas, as reações de algumas pessoas me fizeram lembrar de um ditado que diz: “Santo de casa não faz milagre”. A aplicação dessa frase pode variar para muitas pessoas e tipos de crenças. Há quem diga que, o Santo que é de casa não faz milagres porque são conhecidos de perto por seus devotos, mas eu ainda assim, me pergunto: Será que o problema está no Santo ou está “no jeito que eu quero que as coisas aconteçam?”

SENSAÇÃO DE SEGURANÇA
Veja bem, se pararmos para pensar, e fizermos uma analogia bem primária da situação, vamos entender que, se algo sai de acordo com aquilo que eu acredito ser o melhor, o ideal, ou mesmo o infalível, tudo bem. Mas, se não, isso acaba se tornando “gasto de dinheiro público sem efetividade”. Talvez, e só talvez, jogar uma “aguinha no pneu do carro” não seja a forma mais efetiva ou inteligente de combater a Covid-19. Mas a sensação de segurança que as ações surtem, é melhor do que nada. Explico: Se você causa em alguém, a sensação de segurança, seja lá qual for o motivo, você causa também, uma reação de prevenção. “Olha, minha cidade está se mobilizando para combater o vírus, eu não posso fazer menos do que isso”.

AÇÕES MOTIVADORAS
Uma vez me contaram uma estória: Uma menina ia para escola, todos os dias, com a mesma roupa. Um dia com o cabelo solto, outro dia com o cabelo preso; mas todos os dias com a mesma roupa. Um sapato surrado, um vestido velho com remendos e um casaquinho cheio de manchas e com cheiro de velho. Uma de suas professoras percebeu e foi procurar saber mais sobre a realidade daquela criança. Quando chegou ao endereço, percebeu que a vila em que a menina morava era muito humilde e as condições não eram tão boas. Sensibilizada, ela doou algumas roupas novas para aquela menina, cujo pai trabalhava muito para manter o seu sustento, de sua mãe e de seus três outros irmãos. A mãe vendo aquilo, pensou: “Não posso deixar minha filha com essas roupas novas, numa casa tão desarrumada e cheia de poiera”. Isso causou um efeito cascata, pois o pai, vendo o esforço da mãe disse: “Não posso deixar minha esposa limpar a casa todos os dias, sendo que ela está tão mal cuidada”, foi lá e reformou a casa toda, limpou a frente, pintou, plantou algumas flores. Mas não parou por ai, os vizinhos, ao verem isso, começaram a cuidar melhor de suas casas e aquele bairro humilde, acabou se transformando em uma belo lugar para se morar.

TODOS SÃO RESPONSÁVEIS
Se pararmos para pensar nessa parábola, a pequena atitude de alguém, gerou outras pequenas atitudes em outras pessoas e uma comunidade inteira foi beneficiada com aquilo. Talvez a sensação de segurança que Castilho deu ao engenheiro que mora do outro lado do Rio Paraná, fez com que ele enxergasse alguns detalhes que podem melhorar “em sua casa”. Falando tanto da cidade, quando de seu lar. Aquele conto de que, cada ação tem sua reação, gentileza gera gentileza e assim por diante, talvez seja verdade.
Não sou psicólogo, mas acredito que podemos nos reprogramar para experimentar coisas diferentes sem achar que estamos nos deixando levar por outrém. Podemos aprender novas formas de “criticar e construir”, sem achar que o nosso está certo e o do outro, por pensar coisas diferentes, está errado.
Em cidades pequenas é muito comum que as pessoas questionem pouco algumas ações tomadas pelo Goveno local, no entanto, quando fazem, muitas vezes pecam pelo exagero. Não me entendam de maneira errada, não estou dizendo que não devem questionar, mas sim, fazê-lo com um pouco de consciência. A crítica, pela crítica não pode ser encorajada, assim como fazer, por fazer, também não deve acontecer.

ENSINO A DISTÂNCIA
Outra ação vem chamando a atenção de toda a cidade. O empenho dos professores da rede pública de ensino. O trabalho que vem sendo desenvolvido por eles é de tirar o chapéu, mas é outra classe injustiçada. E isso não é uma exclusividade de Castilho. Antes da pandemia, não que fosse uma unanimidade, os professores sofriam certo tipo de perseguição em relação a metodologia de trabalho. Houve muitos casos, repito, não em Castilho, que professores chegaram a ser agredidos por alunos, ou mesmo por pais de alunos pelas notas baixas que (merecidamente) foram dadas aos estudantes em questão.
Hoje, o reconhecimento do trabalho dos mestres é, quase uma unanimidade entre as famílias que se dividem entre trabalho e afazeres domésticos, para ajudar as crianças a continuar aprendendo, realizando as tarefas diárias propostas pelos educadores.
Um total de 90% das crianças da rede municipal de ensino continua estudando em casa. Infelizmente, 10% sofre com problemas estruturais de conexão com a Internet. No Brasil, um pacote de dados decente, custa algo em torno de 50 reais mensais. Mas acaba muito rápido. Entre um vídeo e outro, entre uma aula e outra, não deve durar mais do que alguns minutos, isso atrapalha. Sonhos estão sendo atrasados devido à pandemia, mas o trabalho tem sido exemplar. Tanto que a Administração da Prefeita Fátima Nascimento trabalha para que essas crianças, as que fazem parte dos 10%, tenham conexão banda larga em casa, por um período determinado, bancado pela municipalidade, para que não sejam prejudicadas. Mas como tudo é muito caro no Brasil, os altos valores estão impossibilitando a realização destes desejos.
Mesmo assim, o trabalho realizado, as atividades propostas, os ensinamentos que estão atingindo níveis além dos aceitáveis, tendo em vista que é um momento ao qual ninguém se preparou, precisam ser reconhecidos.

A6 Castilho (2)


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