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A carismática política que nunca disputou uma eleição

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ARNON GOMES – ARAÇATUBA

Caçula de Dona Terezinha, a jornalista Mônica Guglielmi Maluly assegura: “Minha mãe era mais política do que meu pai”. E revela: “Muitas pessoas próximas brincavam, dizendo que ele só tinha tantos mandatos por causa dela”.

Falecida no último sábado, após sofrer derrame, Therezinha Costa Faria Maluly foi política a vida inteira sem nunca ter exercido um mandato eletivo. É certo que até tentaram convencê-la a participar de eleições, principalmente após a morte do marido, o ex-prefeito Jorge Maluly Netto, em 2012, mas ela não quis. A política a que Dona Terezinha se dedicou não foi a palaciana. Gostava do corpo a corpo, de estar no meio das pessoas, o que explica a definição de sua filha mais nova. Era uma pessoa comunicativa, daquelas que, quando cumprimentada, abraçava qualquer um, mesmo sem conhecer, independentemente de classe social.

Situações como essas, diz Mônica, eram comuns quando o casal ia a restaurantes ou festas. Muitas vezes, Maluy Netto já estava do lado de fora e Dona Therezinha permanecia se despedindo das pessoas. “Era uma pessoa exuberante, o que a tornou muito querida pela população de Araçatuba”, diz Mônica. “E amava a família”, completa Mônica, que cuidou de Dona Terezinha nos últimos meses. Juntas, almoçavam todos os dias. Antes da pandemia, que a prendeu dentro de casa, costumava sair com a filha.

Dona Therezinha optou por fazer política em trilhas opostas à convencional por ter essa arte na veia. Seu pai, o médico Oswaldo Brandi de Faria, foi o primeiro prefeito de Guararapes e ainda governou Cafelândia e Mirandópolis.

Casada com Maluly Netto em 1958, acompanhou a carreira deste que, além de ter sido prefeito de Araçatuba, também esteve à frente do Executivo em Mirandópolis, foi deputado estadual, deputado federal e secretário estadual do Emprego e das Relações do Trabalho. Enfim, um nome que exerceu enorme influência na política regional por pelo menos 40 anos, o que fez de sua esposa e de sua família pessoas igualmente influentes.

Parceira inseparável de Maluly, Dona Therezinha se mostrava principal aliada e defensora do famoso cacique da política regional, inclusive, nos momentos delicados, tirando-os com bom humor. Em casa, fazia tanta questão de bem receber os parceiros políticos do de Maluly Netto que esse fato, por várias vezes, chegou a ser registrado em campanhas eleitorais.

Se o DNA já fortalecia o espírito político de Dona Therezinha, um pouco de sua trajetória de vida lhe dava ainda mais musculatura para tal. Nas lembranças de sua outra filha, Tânia Maluly, ex-primeira-dama de Araçatuba e Mirandópolis foi uma mulher à frente do seu tempo. Conta a filha que Dona Therezinha foi a primeira mulher a dirigir e a usar calças compridas em Mirandópolis, “nunca se importando com regras sociais”. E ressalta: “Sempre defendeu a igualdade e a presença da mulher no mercado de trabalho”.

SOCIAL

Assim, a política levou Dona Terezinha a ser uma pessoa de destaque na área social. Que o diga sua outra filha, Tânia Maluly. Ela foi testemunha dessa dedicação da mãe durante o mandato do seu pai na Prefeitura de Araçatuba.

Na ocasião, Dona Therezinha foi secretária municipal de Assistência Social e Tânia, presidente do Fundo Social de Solidariedade. Minha mãe foi um exemplo de dedicação na área assistencial. “(Therezinha) Fazia o que podia e o que não podia para atender à população mais carente. Nunca mediu esforços para conseguir o melhor para a população”, conta Tânia.

BEIJO VERMELHO

E fazia todos estes trabalhos com muito carinho, segundo o filho Jorginho Maluly, que seguiu os passos do pai na política, tendo sido prefeito de Mirandópolis e deputado federal. Apesar da personalidade forte, da voz inconfundível e da falta de papas na língua, ser carinhosa era uma das maiores virtudes de Dona Therezinha, conta o filho. O beijo vermelho, marca da cor do batom que utilizava com frequência, ficará lembrado na memória de todos que a conheceram. “O sinônimo dela era o amor ao próximo. Era uma virtude que tinha”, diz ele.

O filho ainda destaca a importância dela dentro do ambiente familiar. Seja como esposa, mãe, avó ou bisavó, mantinha o perfil de “superprotetora” de sua tradicional família.

Mesmo com a surpresa da perda, que deixou todos os seus familiares surpresos, Jorginho diz ter uma certeza: a de que sua mãe viveu muito bem seus 85 anos. “Foi uma trajetória de conquistas e realizações. Saber que ela teve uma vida de luz, bem vivida, intensa e realiza nos reconforta nesse momento”, finaliza ele.

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Parlamentar destaca o legado de Jorge Maluly Netto

O deputado federal Fausto Pinato, que cursou direito em Araçatuba, se manifestou pela morte de dona Therezinha. Ele disse que mesmo antes de disputar uma eleição, atuando ainda como militante e assessor político, pode conhecer o trabalho de Jorge Maluly e de dona Therezinha. Pinato reverenciou a atuação política da ex-primeira-dama de Araçatuba, que conduzia tudo de tal forma para o marido ser o centro das atenções. De acordo com o parlamentar, o sucesso de Maluly Netto era motivo de alegria para dona Therezinha.

Com origem política em Fernandópolis, que ampliou sua base política para outras regiões, inclusive Araçatuba, o parlamentar Fausto Pinato disse que ao deixar o Congresso, Maluly Netto deixou uma lacuna na região e que hoje trabalha para suprir essa lacuna. (AC)


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