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FOTO CEDIDA: IVAN AMBRÓSIO/JORNAL INTERIOR

O laudo do Instituto de Criminalística o qual a reportagem do jornal O LIBERAL REGIONAL teve acesso afirma que a marquise do Penápolis Shopping Center, em Penápolis, estava com excesso de peso ao desabar e matar a jovem Késia Aquilino Cândido, de apenas 18 anos, em novembro do ano passado na cidade. Uma fisioterapeuta, de 38 anos, também ficou ferida no desabamento.  

O relatório pericial respondeu quatro perguntas. A primeira delas sobre a causa do desabamento. A segunda, se havia desrespeito às normas técnicas de engenharia/construção. A terceira, se o material utilizado no prédio era adequado para a sustentação da marquise. Por fim, se havia falhas, rachaduras ou danos na estrutura.  

A perícia aponta que a estrutura original da marquise tratava-se de uma laje de espessura de dez centímetros aproximadamente e, sobre ela, foram sobrepostas sete camadas de argamassa, com espessuras variando entre dois e três centímetros, possivelmente com o objetivo de conter infiltração de água. Tais camadas, de acordo com os peritos, teriam sido sobrepostas em épocas diferentes. Isso teria aumentado em 82% o peso da marquise em relação à original. 

“Essa sobrecarga provavelmente contribuiu para a ruptura frágil da marquise. Ruptura frágil é aquela que se dá repentinamente, sem aviso, em contraposição à ruptura dúctil, em que as deformações antecedem a ruína da estrutura”, constata o documento. 

O laudo traz, também, a instalação de três condicionadores de ar apoiados sobre a laje da marquise. Com o acréscimo do peso desses aparelhos, a perícia concluiu que o excesso de peso chegou a 84% da marquise original. 

INFILTRAÇÃO E TRINCAS 

Os peritos identificaram uma diferença de coloração na construção, sugerindo infiltração de água na marquise. Além disso, identificaram uma trinca transversal, de aproximadamente 30 centímetros abaixo do alinhamento inferior do engastamento da marquise e ao longo de toda a sua extensão. “Também havia uma trinca vertical de aproximadamente 1,85 metros ao longo do batente esquerdo da janela que ficava acima da marquise desabada, com início no parapeito desta janela, no segundo pavimento do edifício”, concluiu. 

OUTRO LADO 

Por meio de uma nota, a síndica do Penápolis Shopping Center, Carla Braz, informou que foi contratado o serviço para uma perícia particular e houve a identificação de equívocos em relação ao laudo do Instituto de Criminalística.  

“Independentemente disso, quando nós assumimos esse condomínio, a marquise já estava dessa forma. Nós, do shopping, podemos afirmar e comprovar que nunca foi feita nenhuma reforma de nossa parte”, explicou. 

O condomínio reafirmou que realiza todas as manutenções obrigatórias, inclusive com laudo de vistoria do Corpo de Bombeiros e da Vigilância Sanitária.  

“Foi uma surpresa, uma tragédia. Nós sentimos muito por isso, estamos todos assustados e tristes”, finalizou Carla Braz. 

O DESABAMENTO 

O incidente aconteceu no início da tarde de um sábado, 23 de novembro de 2019. A marquise do comércio desabou e atingiu a jovem Késia Aquilino Cândido, de 18 anos. A vítima não resistiu aos ferimentos e morreu ainda no local. Uma fisioterapeuta, de 38 anos, também foi atingida pelos blocos de concreto e sofreu ferimentos graves. Ela foi socorrida e transferida no mesmo dia para um hospital particular de Araçatuba, onde passou por uma cirurgia na coluna. Ela se recuperou dias depois. 

Após o desabamento, equipes do Corpo de Bombeiros, da Polícia Militar e outros voluntários prestaram o socorro às vítimas da tragédia. Um caminhão munck também foi utilizado para prestar auxílio. Na segunda-feira seguinte, peritos criminais, além do delegado Guilherme Brandão de Souza estiveram no local fazendo novas análises para apurar como a estrutura foi ao chão.  Além disso, técnicos do Crea (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Estado de São Paulo) também compareceram ao estabelecimento comercial e abriram um procedimento investigativo. As investigações ainda continuam. 

O estabelecimento chegou a ser interditado, assim como ruas próximas ao shopping, mas a liberação ocorreu alguns dias depois. 


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