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A retirada de uma paciente de 81 anos, diagnosticada com Covid-19, da Santa Casa de Araçatuba virou caso de polícia na tarde de segunda-feira (6). Representantes da unidade hospitalar registraram boletim de ocorrência depois que a idosa morreu no último sábado (4), quatro dias após ter saído do isolamento mediante assinatura de um termo de responsabilidade por uma filha. A reportagem apurou que o velório ocorreu normalmente e a funerária não foi comunicada a respeito da contaminação. 

O boletim de ocorrência foi registrado na Central de Flagrantes da cidade por uma auxiliar administrativa, de 22 anos. Ela contou em depoimento aos investigadores que a aposentada deu entrada na Santa Casa no último dia 27 de junho. A paciente apresentava infecção no trato urinário de localização não específica. 

As equipes médicas a submeteram a diversos exames, inclusive para coronavírus. O resultado foi positivo para a doença e, desde então, a mulher foi colocada na ala de isolamento para iniciar o monitoramento e acompanhamento necessários. 

NÃO ACEITOU 

Ainda de acordo com o relato da representante do hospital na delegacia, uma filha da paciente não teria concordado em deixar a mãe sozinha no isolamento para pacientes com suspeita de Covid-19.  

A mulher teria procurado a direção técnica da unidade e solicitou alta, alegando que iria levar a mãe embora. Ela foi orientada a respeito de todos os riscos de tomar a atitude, mas mesmo assim assinou um termo de responsabilidade e retirou a idosa do hospital. 

MORTE 

Cerca de quatro dias depois da alta assinada, a paciente não resistiu e morreu no último sábado (4). A reportagem apurou que a família não comunicou a funerária de que a aposentada estaria infectada pelo coronavírus, por esse motivo, o velório ocorreu normalmente, em uma capela particular da cidade. O sepultamento ocorreu no mesmo dia em um cemitério do município. 

Conforme preconização do Ministério da Saúde, para esse tipo de caso, não são indicados os velórios pelo alto risco de contaminação. Por isso, a cerimônia deve ser a mais breve possível, com caixão lacrado e sepultamento direto. 

A Polícia Civil registrou o caso como evasão/fuga de estabelecimento hospitalar consumada. Um inquérito será aberto para dar prosseguimento às investigações.  


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