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O delegado da Polícia Federal de Araçatuba, Frederico Franco Rezende, e o coordenador nacional da unidade de Repressão de Falsificação de Moedas, Rodrigo Koehler, deram entrevista coletiva, na manhã dessa sexta-feira (3), depois da deflagração da operação ‘Matriz 188’, responsável por desarticular uma organização criminosa que tinha o terceiro maior laboratório de falsificação de dinheiro do país. As autoridades detalharam as ações dos criminosos. Os mandados de buscas foram cumpridos em Birigui e Araçatuba.  

As 12 decisões judiciais foram cumpridas na manhã de quinta-feira (2) em diversos endereços. No laboratório dedicado ao serviço ilegal, a PF prendeu três pessoas em flagrante, entre elas o homem apontado como chefe do esquema. Ele estava em liberdade condicional pelo mesmo crime quando foi preso em flagrante, em 2018, dentro de uma agência dos Correios, de onde enviaria notas falsas.  

As investigações começaram há mais de um ano, quando a polícia identificou um volume muito grande de apreensões de notas falsificadas pelas polícias civil, militar e federal.  

“As investigações começaram no começo de 2019, quando  notamos uma crescente enxurrada de cédulas falsas de toda sorte. O fato nos chamou a atenção e demos sequência na instauração de um inquérito policial e aprofundamos as investigações”, disse Frederico Franco Rezende. 

Ao longo dos trabalhos investigativos, a PF conseguiu identificar todos os integrantes da organização criminosa, com sede em Birigui. As ações contaram com o apoio da Unidade Nacional de Repressão ao Crime de Moeda Falsa e de peritos de Brasília (DF). 

MANDADOS 

A organização criminosa utilizava maquinário diversificado e várias técnicas gráficas para simular os itens de segurança das cédulas verdadeiras. Há também suspeita de que possuam matrizes de cédulas de dólar, o que ainda está sendo objeto de investigação. 

“Certamente, esse laboratório está entre os três maiores do país. Nós chegamos a essa conclusão, após analisarmos a quantia de cédulas falsas impressas nos últimos anos e espalhadas por diversos cantos do país”, complementou Frederico. 

Nos últimos três anos, organização criminosa colocou no meio circulante brasileiro milhares de cédulas falsas, sendo que foram apreendidas e retidas no comércio e já contabilizadas pela PF: 996 exemplares de 10 reais; 58.738 de 20 reais; 15.234 de 50 reais; e 3.012 de 100 reais, sem contar com as apreendidas durante a operação, que ainda estão sendo contadas e periciadas. No total foram produzidas até o momento 77.980 cédulas falsas, somando mais de R$ 2 milhões em dinheiro falso retirado do mercado brasileiro. 

ITENS DE SEGURANÇA 

O coordenador nacional da unidade de repressão a esse tipo de crime, Rodrigo Koehler, revelou que os bandidos conseguiam simular muitos dos itens de segurança presentes em uma nota verdadeira. Por isso, muitas vezes, comerciantes não percebiam as fraudes, mesmo realizando testes de caneta e com máquinas ultravioletas. Contou, ainda, que o grupo introduzia entre 200 mil e 300 mil cédulas falsas por mês no mercado brasileiro. 

“A marca d’agua já não é mais um item que seja tão confiável. Um item muito importante, de se analisar, é o quebra-cabeças. Em todas as cédulas há um desenho na parte esquerda superior. A priori, não significa nada. Mas, quando colocada contra a luz, ela forma exatamente o numeral da cédula com círculos concêntricos. A nota falsa não forma o número exato”, explicou.  

CORREIOS 

Além do laboratório na casa de um dos integrantes, foi encontrado um grande número de cédulas falsas, que seriam vendidas pela internet e enviadas via Correios. Os suspeitos faziam toda a negociação pelas redes sociais, principalmente o WhatsApp. 

Na casa de um dos alvos da operação, a PF apreendeu milhares de cédulas falsas prontas e em fase de confecção, impressão e acabamento. Também foi apreendida grande quantidade de aparatos para falsificação de moeda, como papéis, impressoras, tintas, equipamento gráfico pesado e material de acabamento. O investigado não foi localizado e continua foragido. 

A partir de agora, as investigações devem continuar, justamente para tentar identificar outros integrantes da quadrilha. Eles responderão pelos crimes de moeda falsa, cuja pena é de 3 a 12 anos de reclusão e pelo delito de organização criminosa, com pena de 3 a 8 anos de reclusão. 

Os presos foram encaminhados à Cadeia Pública de Penápolis, onde permanecerão à disposição da Justiça Federal. 


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