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A semana começou com muita dor e tristeza para funcionários, colaboradores e voluntários da Acrepom (Associação dos Catadores de Papel, Papelão e Materiais Recicláveis de Araçatuba). O local foi parcialmente destruído por um incêndio na tarde de domingo (21). As causas ainda são investigadas, mas já se sabe que as chamas tiveram início da parte interna e não nos materiais recicláveis.

Durante a manhã dessa segunda-feira (22), as equipes da Defesa Civil estiveram no local e fizeram uma avaliação. De acordo com o engenheiro da Prefeitura, Kiyoshi Nishimura, duas paredes terão que ser demolidas do prédio principal, já que foram as mais atingidas pelo incêndio.

“O restante continuou intacto. São mais essas paredes da frente que terão que ser derrubadas e construídas de novo”, complementou.

Já nos fundos, onde os funcionários realizam a separação dos materiais e a prensagem, tudo foi recuperado e o trabalho poderá continuar. Segundo o presidente da Acrepom, Lázaro Eduardo Pereira, os equipamentos novos e alguns veículos foram totalmente queimados.

“De equipamentos, como prensa, veículos e outros objetos, nós estimamos um prejuízo entre R$ 250 mil e R$ 300 mil”.

EMOÇÃO

Muitos colaboradores estiveram na Associação pela primeira vez depois do incêndio. Foi difícil conter as lágrimas. Ali, existem histórias de muitos anos de trabalho e vitórias de vida. A grande maioria trabalhava em situações de extrema vulnerabilidade social no antigo lixão da cidade.

“Eu chorei muito, os meus sonhos estão aqui. Mas, tenho fé de que vamos nos reerguer e voltar o mais rápido possível”, contou um funcionário emocionado à reportagem.

Cerca de 15 pessoas se reuniram em frente à Associação e fizeram uma oração, enquanto equipes retiravam os entulhos do que restou do prédio principal com uma retroescavadeira. Depois, alguns responsáveis pela Acrepom, desde sua fundação, discursaram para os trabalhadores. Mesmo após o incêndio, o projeto não vai acabar.

“Nós vamos ressurgir das cinzas. É só o começo de uma nova história”, finalizou o presidente Lázaro Eduardo Pereira.

INCÊNDIO

O fogo começou a atingir a Acrepom por volta de meio dia. Rapidamente, as equipes do Corpo de Bombeiros foram acionadas e compareceram ao local. Foi um trabalho difícil, já que muitos materiais eram inflamáveis, o que fez com que as chamas se espalhassem rapidamente.

O trânsito precisou ser interditado para o trabalho das equipes. A Polícia Militar e a Guarda Municipal deram suporte para a interdição. Aproximadamente duas horas depois, o fogo foi totalmente controlado. O laudo da perícia deve apontar as circunstâncias do incêndio. A Polícia Civil vai abrir inquérito para dar andamento às investigações.

HISTÓRIA

A Acrepom surgiu em 1996  a partir de uma preocupação do Centro de Direitos Humanos em parceria com a Pastoral da Juventude, a partir da  reflexão da Campanha da Fraternidade (Quaresma de 1995) que  trouxe o tema sobre os excluídos.  Descobriu-se que em Araçatuba, havia, aproximadamente, cem pessoas  coletando papéis pela rua e  vivendo  em condições  de total precariedade: dormiam  dentro dos próprios carrinhos de coleta, ou pelas  ruas  e praças, ou nos fundos de depósitos, ao lado  de  papelão e outros materiais, totalmente expostos à chuva, frio  e em  situação de total  insalubridade.

A partir de janeiro de 1996, o Centro de Direitos Humanos de Araçatuba, começou a realizar reuniões mensais com catadores/catadoras de papel e outros materiais recicláveis, visando à organização dos mesmos, resultando, assim, na sua fundação. Em junho de  1997, foi celebrado um convênio com a Cáritas  Brasileira – Regional  Sul I,  que   cedeu em comodato, as prensas, elevador para fardos,  balança, triturador de vidro e de papéis sigilosos, além de 25 carrinhos  destinados à coleta, nas ruas.

A Prefeitura Municipal de Araçatuba cedeu, a título de empréstimo,  o prédio para a sede. Atualmente são 30 associados, mas de forma  indireta  a Acrepom atinge, aproximadamente, cem famílias,  considerando  os  “terceiros”,  pessoas e grupos informais  que coletam  de forma autônoma o material  e  vendem,  bem como os adolescentes  que  cumprem medida  de Prestação de Serviço  à Comunidade.


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