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Criminosos estão se aproveitando da pandemia de coronavírus para agir contra aquelas pessoas que mais precisam. Uma das formas de ajudar em meio à crise econômica foi por meio do pagamento do auxílio emergencial, destinado a trabalhadores informais, microempreendedores individuais, autônomos e desempregados. Mas, estelionatários utilizam os dados dessas pessoas para sacar o benefício antes delas. Levantamento feito pela reportagem mostra que desde o início de junho, 27 pessoas procuraram a Central de Flagrantes de Araçatuba depois de serem vítimas dessa situação.

Todos os casos são parecidos. As vítimas têm o direito de receber o auxílio emergencial e foram até a agência da Caixa Econômica Federal, localizada na Praça Rui Barbosa, área central do município.

Chegando lá, tiveram a informação de que pessoa desconhecida já havia feito o saque ou até mesmo compras no débito utilizando-se dos dados. O prejuízo varia de R$ 600 a R$ 1.200.

Uma representante comercial, de 25 anos, por exemplo, registrou boletim de ocorrência no último dia três de junho. Ela descobriu que os criminosos sacaram R$ 590 e deixaram, apenas, dez reais na conta dela.

Em outra situação, registrada na delegacia no dia seis de junho, um homem de 54 anos descobriu que um indivíduo, morador no estado do Pará, já havia sacado a segunda parcela do auxílio emergencial. O perfil dessas vítimas também varia, de acordo com o levantamento feito pela reportagem. São homens e mulheres com idades entre 26 a 64 anos.

INVESTIGAÇÕES

De acordo com o delegado da Polícia Civil de Araçatuba, Getúlio Nardo, houve uma crescente procura de vítimas nos últimos dias na cidade. Para ele, os crimes são realizados de duas formas: presencialmente ou por meio de hackers.

“Isso será investigado por meio das câmeras de monitoramento das agências para se saber quem realizou esse saque indevido. É algo a ser apurado e aprimorado pelo próprio serviço da Caixa Econômica Federal, para que não aconteça mais”.

POLÍCIA FEDERAL

Na última quarta-feira (10), a Polícia Federal, com apoio da Caixa Econômica Federal e da Polícia Militar de São Paulo, deflagrou a operação ‘Covideiros’, com o objetivo de combater fraudes relativas a saques indevidos do benefício social na capital paulista.

As investigações mostraram que os crimes são cometidos por uma associação criminosa que clona os dados de cartões cidadãos pertencentes a reais beneficiários em casas lotéricas localizadas no Ceará. Em sequência, são produzidos cartões clonados com tais dados no estado de São Paulo. Posteriormente, as senhas vinculadas aos cartões clonados são recadastradas em casas lotéricas localizadas na zona leste de São Paulo (os funcionários dessas casas lotéricas são cooptados pela associação criminosa, recebendo instruções remotamente e auferindo parte dos lucros gerados com as fraudes).

Tal ato possibilita que os fraudadores efetivem os saques ambicionados e evita que o real beneficiário usufrua do valor que é seu de direito. Por fim, são arregimentadas pessoas que, de posse de inúmeros cartões clonados, dirigem-se ao autoatendimento de agências bancárias, em horários de pouca movimentação, e realizam os saques e tentativas de saques com os cartões clonados.


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