Compartilhe esta notícia!

ARNON GOMES – ARAÇATUBA

A Faculdade de Medicina Veterinária da Unesp (Universidade Estadual Paulista) de Araçatuba acaba de dar uma importante contribuição à divulgação de informações sobre o novo coronavírus. Pesquisadores da instituição criaram aplicativo que funciona como um “acelerômetro da COVID-19”. O objetivo é monitorar em tempo real a tendência de aceleração ou desaceleração do crescimento da doença em mais de 200 países e territórios.
A ferramenta está disponível gratuitamente no formato online. Ela carrega dados de casos notificados disponíveis na base do ECDC (Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças), com atualizações diárias, e aplica técnicas de modelagem matemática para diagnosticar o estágio atual da epidemia em um determinado local.
Professor do Programa de Pós-Graduação em Ciência Animal da Faculdade de Medicina Veterinária, Yuri Tani Utsunomiya foi o primeiro autor do artigo que descreve o desenvolvimento do modelo matemático, publicado na revista Frontiers in Medicine.
Em entrevista à Agência Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), o docente destacou que, além de possibilitar aos municípios, estados e ao país uma dimensão do que está acontecendo, o aplicativo permite aos gestores públicos avaliar se uma determinada medida adotada para conter o contágio do novo coronavírus está ou não surtindo efeito
COMO UM CARRO
Utsunomiya explicou a evolução da epidemia, comparando-a com um automóvel. Segundo ele, na fase inicial, a doença avança de forma lenta e o número de casos diários aumenta pouco, assim como um carro andando sob o efeito da embreagem. No estudo, ele classifica a velocidade de crescimento como uma incidência que é medida de acordo com o número de novos casos por dia. Já a prevalência corresponde ao total de registros acumulados ao longo do tempo, que seria o equivalente à distância percorrida pelo automóvel imaginário.
“Quando o pedal de aceleração é pressionado, o número de casos começa a crescer rapidamente, assim como um carro acelerado adquirindo velocidade. Nesta segunda fase da epidemia ocorre o crescimento exponencial do número de casos. O que todos os países buscam é cessar essa aceleração e iniciar a frenagem da doença e, vale dizer, são duas operações distintas”, disse ele, na entrevista, reproduzida no Portal do Governo de São Paulo.
“A primeira consiste em tirar o pé do pedal de aceleração, para que esta caia a zero. Quando isso ocorre, o pico de incidência é atingido. A segunda operação envolve exercer uma aceleração negativa sobre a doença [pisar o freio] para que sua velocidade de crescimento diminua até zero. Sem velocidade, o automóvel para. E é isso que queremos, que a COVID-19 pare de ser disseminada”, ressalta o professor da Unesp.
POSSIBILIDADE
O acelerômetro da COVID-19 permite ver, em tempo real, se determinado país está com o pé no acelerador ou no freio – com algum grau de imprecisão nos locais em que há muita subnotificação de casos. Porém, ressalta o pesquisador, a transição entre os quatro estágios de crescimento da epidemia – lento (verde), exponencial (rosa), desaceleração (amarelo) e estacionário (azul) – pode ocorrer de forma alternada. Ou seja, mesmo após entrar em desaceleração ou até em crescimento estacionário, a doença pode voltar para a fase exponencial caso medidas de controle sejam abandonadas.
“O que notamos com a análise de mais de 200 países e territórios é que medidas de controle eficazes produzem um efeito rápido na curva de aceleração, muito antes da queda efetiva no número de casos diários. Esse comportamento da curva possui alta relevância para a avaliação das políticas públicas de controle”, diz.
O professor – bolsista de doutorado e mestrado na Fapesp – enfatiza que, conforme o estudo, ficou claro que medidas de supressão são extremamente efetivas no combate à Covid-19. No entanto, ressalta, têm sido criticadas por gerarem problemas de ordem social e profundo efeito negativo na economia. Segundo o pesquisador, o Japão foi um dos únicos países que conseguiram desacelerar o crescimento dos casos novos apenas com medidas de mitigação.
“É necessária muita cautela na comparação de estratégias adotadas por diferentes países, pois fatores como infraestrutura de saúde, quantidade e frequência de testes, densidade populacional e aderência da população às recomendações dos órgãos de saúde podem ser determinantes para a viabilidade de medidas de mitigação”, afirma.

a3 acelerômetro Unesp

Crédito: Divulgação
APLICATIVO – Ferramenta auxilia poder público a tomar medidas necessárias, conforme crescimento da doença


Compartilhe esta notícia!