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Policiais civis da EIE (Equipe de Intervenção Estratégica), da 1ª Seccional e da 1ª Delegacia do Idoso de São Paulo, com o apoio de integrantes do GOE/DEIC de Araçatuba, deflagraram, na manhã dessa quarta-feira (3), a Operação Nereu, que investiga a ação criminosa de um estelionatário contra um banco virtual da capital paulista. O prejuízo estimado, até agora, é de cerca de R$ 500 mil.

 

As equipes cumpriram quatro mandados de buscas e um de prisão em Araçatuba e Santo Antônio do Aracanguá. De acordo com o delegado responsável pelas investigações, Fábio Daré, as investigações começaram há alguns meses após o banco descobrir o furto do cheque especial de diversas contas cadastradas.

 

ESQUEMA

 

A reportagem do jornal O LIBERAL REGIONAL apurou que o principal alvo da operação, Valter de Paula Petenati, trabalhava em uma empresa especializada em bitcoins (moedas virtuais). Ele aproveitava disso para ter acesso aos dados dos clientes, principalmente idosos. Ao todo, foram 258. Utilizando a foto e a cópia da identidade dessas pessoas, o suspeito abria contas com os nomes delas em um banco virtual e, por fim, furtava as quantias do cheque especial de cada uma.

 

“Com os dados da empresa de bitcoins, ele fotografava a pessoa cadastrada, entrava no aplicativo do banco e mandava para a instituição a imagem como se fosse ele. O banco não conseguia ler a parte digital de que aquela era uma foto de computador. Com a conta aberta, gerava-se um limite e ele conseguia transferir o dinheiro para ele”, revelou o delegado.

 

A suspeita é a de que, até agora, o indiciado tenha dado prejuízo de aproximadamente R$ 500 mil ao banco virtual.

 

MOVIMENTAÇÕES FINANCEIRAS

 

Em um primeiro momento, o investigado transferia o dinheiro para uma conta própria. Mas, passados alguns dias, ele também passou a fazer a transferência para a conta da esposa e chegou a abrir duas contas em nomes das filhas, uma de nove e a outra de dez anos, além de também fazer transferências para o cunhado e um amigo.

 

“Após algum tempo, o banco percebeu que esses depósitos eram feitos em alguns CPFs, apenas, e fez os bloqueios. O suspeito não ficou satisfeito e, aí que eu acho que está a maldade dele, abriu contas nos nomes das duas filhas, além de transferir para a conta da esposa, do cunhado e de um amigo”, explicou Daré.

 

RASTRO DO DINHEIRO

 

As investigações mostraram que Valter passou a lesar o banco em novembro do ano passado. De lá para cá, ele comprou veículos de luxo. Em um Audi Q3, por exemplo, ele teria dado R$ 94 mil em espécie ao vendedor. Além disso, o autor abriu lojas para a esposa, uma delas localizada em Santo Antônio do Aracanguá, que foi alvo de buscas.

 

Mas, para surpresa do delegado, o amigo do acusado revelou, em depoimento, que na conta dele havia sido movimentado cerca de um milhão de reais. Por isso, a polícia quer saber se outros bancos virtuais foram vítimas do golpista.

 

“Isso já liga um alerta para nós, porque não é só meio milhão de um banco. Pode ser que existam outros bancos envolvidos, outros bancos digitais”, complementou o delegado.

 

PRISÃO TEMPORÁRIA

 

Além dos veículos apreendidos, a Polícia Civil confiscou computadores, documentos e dinheiro. O mandado de prisão do homem é válido por cinco dias. Ele foi transferido para uma unidade prisional da capital paulista e vai responder por furto, mediante fraude, e associação criminosa. As investigações continuam, justamente para saber a participação dos familiares de Valter no esquema criminoso ou de outras pessoas.


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