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ARNON GOMES – ARAÇATUBA

O comércio e os shoppings centers, na Região de Araçatuba, poderão reabrir as portas a partir da próxima segunda-feira. A retomada das atividades desses setores foi confirmada ontem com a apresentação do Plano São Paulo, pelo governador João Doria (PSDB), que estabeleceu condições para a reabertura gradual de setores da economia durante a quarentena para enfrentamento à pandemia de coronavírus.

As 17 regiões paulista foram classificadas em cinco fases conforme os critérios médicos e epidemiológicos para que o sistema de saúde continue em pleno funcionamento. Araçatuba foi classificada na fase dois (identificada com cor laranja), com situação em atenção, mas considerada sob controle. Além dos estabelecimentos comerciais, municípios nessa condição poderão permitir a retomada de atividades imobiliárias, concessionárias e escritórios.

Em Lins e Promissão, municípios da área de circulação do SRC (Sistema Regional de Comunicação), salões de beleza, bares, restaurantes e similares poderão abrir. Isso porque estas cidades fazem parte da Região Administrativa de Bauru, que está na fase três (cor amarela), com indicadores mais avançados em relação ao combate à pandemia, o que permite uma maior abertura de serviços.

A decisão do governador tende a criar um impasse em Araçatuba. De acordo com o plano de João Doria, academias de ginástica e salões de beleza ainda não podem abrir na cidade. Entretanto, desde a semana passada, a Justiça local concedeu liminar (de maneira acertada) a pelo menos dez estabelecimentos desses ramos que haviam entrado com mandado de segurança para poderem funcionar baseados em decreto do presidente Jair Bolsonaro que os incluiu entre os serviços essenciais.

ELABORAÇÃO

De acordo com o Palácio dos Bandeirantes, o plano foi elaborado por autoridades estaduais em sintonia com especialistas do Centro de Contingência do coronavírus e do Comitê Econômico Extraordinário que atuam voluntariamente em apoio ao Estado. Os eixos principais das cinco fases de reabertura também foram discutidos com prefeitos e representantes de diversas associações comerciais e empresariais.

O Estado ainda autorizou prefeitos a conduzir e fiscalizar a flexibilização. Os pré-requisitos para a retomada são adesão aos protocolos de testagem e apresentação de fundamentação científica para liberação das atividades.

As cinco fases do programa vão do nível máximo de restrição de atividades não essenciais (vermelho) a etapas identificadas como controle (laranja), flexibilização (amarelo), abertura parcial (verde) e normal controlado (azul).

As fases são determinadas pelo acompanhamento semanal da taxa de ocupação de leitos de UTI exclusivas a pacientes contaminados pelo coronavírus e o número de novas internações no mesmo período. Uma região só poderá passar a uma reclassificação – com restrição menor ou maior – após 14 dias da fase inicial, mantendo os indicadores de saúde estáveis.

Segundo o governo paulista, em todos os 645 municípios do Estado, a indústria e a construção civil seguem funcionando normalmente. A interdição total de espaços públicos, teatros, cinemas e eventos que geram aglomerações – festas, shows, campeonatos etc – permanece por tempo indeterminado. A retomada de aulas presenciais no setor de educação e o retorno da capacidade total das frotas de transportes seguem sem previsão.

FORA

Segundo João Doria nenhuma das 17 regiões está na zona azul, que prevê a liberação de todas as atividades econômicas segundo protocolos sanitários definidos no Plano São Paulo. A zona verde, segunda mais ampla na escala, também não foi alcançada até o momento e permanece como meta de curto prazo para cada região.

Com exceção da capital, todos os municípios da Grande São Paulo, Baixada Santista e de Registro permanecem na fase vermelha e não terão nenhum tipo de mudança na quarentena em vigor desde o dia 24 de março. Nessas regiões, o sistema de saúde está pressionado por altas taxas de ocupação de UTI e avanço de casos confirmados de pacientes com coronavírus.

 

Região tem 376 casos e 20 mortes em 43 município

 

Até ontem, o Estado de São Paulo tinha 84.483 casos confirmados de coronavírus, com 6.712 mortes. Na Região de Araçatuba, o total de casos chega a 376, com 20 mortes até o momento. Apesar desses números baixos, o índice de isolamento social continua como um dos menores dentre os 43 municípios: 37%, enquanto no Estado, a média é de 47%.

Durante a entrevista em que anunciou a retomada gradual, João Doria avaliou que as medidas de isolamento adotadas ajudaram a evitar número ainda maior de mortes.

O distanciamento social ainda é a principal recomendação para conter a disseminação do coronavírus. Mesmo com a reabertura em São Paulo, há exigência do isolamento social das pessoas de grupos de risco, como maiores de 55 anos, portadores de doenças cardíacas e/ou crônicas e pacientes imunodeprimidos ou em tratamento oncológico.

 

 

Prefeitos recebem notícia com frustração

A3 SALMEIRÃO

Prefeitos de cidades da região não esconderam a frustração com a liberação de determinados serviços dentro do Plano São Paulo, anunciado ontem por Doria.

“Observei atentamente a fala do governador e acredito que Birigui poderia estar em outra faixa, pois a cidade está fazendo a lição de casa e não podemos ter a mesma regra dos outros municípios. Na minha opinião deveria ser analisada cidade por cidade”, disse Cristiano Salmeirão (PTB), prefeito de Birigui, município que, somente ontem, registrou sua primeira morte por covid-19. O chefe do Executivo destacou medidas de sua administração para combater a pandemia, como fechamento de rodoviária e suspensão do transporte público.

Por isso, disse ele, a medida anunciada pelo governador não vai atender as necessidades de Birigui. “Só atenderia por completo se tivéssemos a oportunidade de reabrir bares, restaurantes, salões de beleza, academias…Fizemos a nossa parte e, infelizmente, não alcançamos o outro estágio. Mas continuar fazendo nossa parte”, completou.

O prefeito de Penápolis, Célio de Oliveira (sem partido), também considerou a liberação como frustrante. “Pela estrutura que temos hoje, para Penápolis e os municípios do consórcio, com a instalação do centro de referência específico para a covid e com os casos controlados, Penápolis era para estar de sobra na faixa amarela”, declarou. “A cidade está pronta para flexibilizar ainda mais porque temos uma situação absolutamente sob controle.”

Já a prefeita Tamiko Inoue (PSDB), de Andradina, viu a reabertura como algo mais ou menos positivo para o restabelecimento da economia local. “Andradina fechou 2019 como a cidade que mais gerou emprego na região e tinha tudo para, neste ano, com as políticas públicas executadas. Vemos a reabertura como algo positivo, mas a população tem que continuar fazendo sua parte, com medidas de higienização e uso de máscara”, disse ela, por meio de sua assessoria de imprensa. A partir de segunda-feira Andradina vai abrir outros setores. Embora o município aparece nas estatísticas com três mortes, as autoridades entendem que apenas uma mulher de 88 anos e com comorbidades pode ser contabilizada. Uma morte ocorreu dentro da penitenciária e outra em Grosso, onde o paciente trabalhava.


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