Compartilhe esta notícia!

Nos dias atuais, pequenas atitudes comprovam que o mundo pode mesmo dar certo. A pandemia de coronavírus chegou e assola todo o mundo com a sua velocidade de propagação e o alto número de mortes. No Brasil, a cada dia, os números de casos aumentam exponencialmente, assim como o de óbitos. Mas o vírus também trouxe exemplos de honestidade e caráter. É o exemplo de um senhor muito conhecido em Nova Luzitânia, cidade com cerca de quatro mil habitantes, localizada a 60 quilômetros de Araçatuba. Ele decidiu vender frutas, verduras e legumes totalmente na confiança, sem ficar na banca.

O nome dele é José Aquino, de 66 anos. Com muita simplicidade, ele recebeu a equipe de reportagem do jornal O LIBERAL REGIONAL no centro da cidade, ao lado do banco Santander. É ali que há nove anos ele tem o seu ganha pão com as vendas de milhos, bananas, mandioca e o que tiver plantado na roça.

 

Todos que passam pelo seo José o cumprimentam. É muito querido em toda a cidade. A rotina começa bem cedo, antes mesmo do Sol nascer, conforme relatou. Ele acorda todos os dias por volta das 4h30, faz o café e vai para a roça, um pedacinho de terra arrendado a quatro quilômetros da cidade.

 

Lá, sozinho, planta e colhe. Agora, é a época do milho e esse é o principal produto para venda na área central. Mas, o trabalho do aposentado sofreu uma reviravolta com a chegada do coronavírus no Brasil. Apesar de Nova Luzitânia ainda não ter registrado nenhum caso confirmado da doença, o José ficou com medo, pois é do grupo de risco e tem outras comorbidades, como pressão alta, por exemplo.

 

“Então, eu não ia conseguir ficar mais aqui na banca para vender e receber. Foi aí que eu tive a ideia de fazer a caixinha”, contou.

 

A caixinha é um pequeno espaço de metal onde ele colou uma folha de papel escrita: “Pague aqui, cinco reais”. As pessoas passam pela banca, escolhem o que mais lhe agradam, pagam pelo produto e vão embora. Assim mesmo, totalmente na confiança.

 

“Eu monto a banca por volta das 7h, deixou aqui e vou para casa descascar mais milho, porque é perigoso ficar e ter contato com as pessoas com esse negócio de coronavírus”.

 

Além da banca da confiança, uma sobrinha do aposentado também passou a  vender os produtos colhidos na roça pelo WhatsApp e fez o maior sucesso. Mas, a grande pergunta que fica é a seguinte: será que o seo José nunca foi passado para trás? Ele mesmo responde, aos risos.

 

“Essa é a oitava vez que eu monto a banca dessa forma. Por enquanto, ninguém levou pacote de milho de graça para casa não”.

 

Depois de deixar a banca lá na calçada por todo o dia, ele vai até o local e a recolhe por volta das 18h. Quem conhece o vendedor, aprovou essa nova forma de venda.

 

“Isso é uma benção, porque em um momento tão difícil como esse, ele não perdeu a esperança e continuou fazendo as vendinhas dele. Isso mostra que o povo tem caráter. A gente pode, sim, fazer um mundo melhor”, avaliou um amigo.

 

E é dessa forma, com simplicidade, honestidade e experiência de vida que o José pretende passar por mais esse momento difícil em sua vida. “Eu tenho orgulho do que eu faço. Isso é a minha vida toda”, complementou, emocionado.

 

 

 

 

 


Compartilhe esta notícia!