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Medidas de combate à covid-19 são tema de primeira sessão por videoconferência da Câmara

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DIEGO FERNANDES – ARAÇATUBA

Quarentena, isolamento social e coronavírus foram temas presentes na primeira sessão ordinária da Câmara Municipal de Araçatuba realizada pelo sistema de videoconferência. Na reunião realizada na última segunda-feira, durante a fase do pequeno expediente, alguns vereadores utilizaram do tempo para falar sobre o tema. E houve discordância entre os parlamentares.
O primeiro a falar sobre o tema foi o vereador Flávio Salatino (MDB). O parlamentar, que é médico cardiologista, afirmou ser contra a conduta que está sendo adotada pelo país no combate à pandemia. Segundo ele, cada país está tendo uma taxa de mortalidade diferente com relação ao vírus e este índice é que deveria nortear as ações. “A taxa de mortalidade mundial do coronavírus é de 5,5%. A taxa vai a 12% na Itália. No Hemisfério Sul tem 2,9% na Argentina, 1,2% no Paraguai, no Brasil está 4,5%. Tudo tem que ser pensado conforme a realidade de cada país”, afirmou o vereador.
Salatino defendeu que o caos social e o problema econômico acontecerão em grande escala com as medidas que estão sendo adotadas. “Eu vejo isso do ponto de vista econômico como o prenúncio de uma tragédia, tendo em vista que as pessoas já estão com dificuldade. Quem depende do seu ganha pão para poder trabalhar, comprar seu alimento, já está com dificuldade. A conta vai ser muito grande pra sociedade brasileira. Dizem que eu estou sendo frio, calculista. Não. Nós estamos sacrificando a sociedade por uma epidemia que poderia ser controlada diferente. O caos social está se apresentando no horizonte”, afirmou.
Por fim, o vereador defendeu que crianças devem voltar às escolas. “Eu sou a favor de cuidar das pessoas vulneráveis, de risco, portadores de comorbidades. Esses sim deveriam ser resguardados. A mortalidade para crianças de 0 a 9 anos é de menos de 0,1%, não tem sentido tirá-los da escola”, concluiu.
O vereador doutor Jaime (PTB), discordou do colega de legislativo e acredita que é necessário realizar o isolamento social para que a curva de crescimento de casos do vírus não continue crescendo. “Me parece lógica a ideia de tentar esticar a curva, para que se acontecer, e vai acontecer, tenhamos condição de tratar todo mundo, para não ter que escolher os mais pobres”, disse.
O parlamentar demonstrou preocupação com a possibilidade de a condição social poder ser algo determinante no momento em que vários pacientes precisarem de tratamento contra a covid-19. “As pessoas com condição vão encontrar sempre um respirador, agora os pobres, até pra detectar vai demorar mais, essa é a tendência. É temerário. É difícil uma posição como a dele (Flávio Salatino) na medicina. Nós não podemos abrir mão da proteção à vida, principalmente quando sabemos que não vamos atender os pobres na velocidade que precisa. Eu penso que a ideia fica em casa é importante. Todos que ficaram em casa se recuperaram muito mais cedo”, opinou.
Já a vereadora Beatriz Nogueira (Rede Sustentabilidade) foi por uma linha diferente e afirmou não acreditar nos números oficiais de casos de coronavírus divulgados. A parlamentar afirmou que conhece pessoas de Brasília (DF) que foram tratadas sem entrarem na contabilidade oficial. “Os hospitais de Brasília só estavam registrando quem estava com a situação gravíssima. Cuidado com os números oficiais. Eles não são verdadeiros. Só em Brasília centenas de casos não foram registrados. Essas pessoas que eu conheço se trataram, se cuidaram, mas não foram nem registradas. A tendência é piorar se nós não levarmos isso a sério”, disse a vereadora.


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