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Os voos por uma nova vida

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A vida de um garoto de apenas 11 anos se foi de maneira abrupta, deixando familiares e amigos perplexos. Apesar da pouca idade, ele sofreu um AVCH (Acidente Vascular Cerebral Hemorrágico) dentro da escola onde estudava, em Araçatuba, na última segunda-feira (17), mas não resistiu e teve morte cerebral. Da tristeza da perda, outras oito pessoas tiveram a esperança de continuar a viver após a família do jovem tomar a atitude de doar os seus órgãos.
Desde o início da quarta-feira (19), uma força-tarefa de várias equipes médicas de Araçatuba, São Paulo e São José do Rio Preto foi realizada para que os órgãos fossem captados e transplantados naqueles pacientes tão necessitados.
A distância foi encurtada por terra e pelo ar, com ajuda do helicóptero Águia da Polícia Militar e o apoio da escolta da Guarda Civil Municipal. O tempo, às vezes é curto, mas a esperança nunca deixa de sondar àqueles que aguardam tanto por um momento como esse.
MORTE CEREBRAL

A criança teve morte cerebral constatada às 15h08 de terça (18) após todos os exames do protocolo de morte encefálica serem feitos por equipes médicas da Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante da Santa Casa de Araçatuba.
Ao serem informados de que não havia mais nada a ser feito, os familiares responsáveis pelo paciente aceitaram doar os órgãos, mas não autorizaram a divulgação de seu nome.
O garoto passou mal durante a aula na Escola Estadual Doutor Joubert de Carvalho. Ele chegou a avisar um professor, que imediatamente prestou socorro e acionou uma viatura do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência). O jovem foi levado às pressas para a Santa Casa, onde já chegou inconsciente e em estado gravíssimo.

CAPTAÇÃO

Ao todo, oito pessoas foram beneficiadas pelos órgãos da criança. A começar pelo fígado (uma pessoa), rins (duas pessoas), córneas (duas) e pulmão (uma). O coração também beneficiou duas pessoas, já que os médicos retiraram duas válvulas para serem transplantadas em crianças que sofrem de insuficiência cardíaca.
Os rins e as córneas foram levados para o Hospital de Base de Rio Preto, já que conseguem ficar por mais tempo fora de um corpo. Já o fígado foi levado para o Aeroporto Dario Guarita, onde embarcou em um voo fretado até Ribeirão Preto para ser transplantado em um paciente de lá.
HELICÓPTERO ÁGUIA

Já os pulmões do paciente foram transportados com o auxílio do helicóptero Águia, da Polícia Militar. Aos saírem da Santa Casa foram escoltados por policiais e guardas até o aeroporto.
De lá, o órgão embarcou na aeronave, que seguiu voo até o aeroporto de Penápolis, onde um jato do Incor já o aguardava na pista de pouso. O avião não conseguiu pousar em Araçatuba, já que no mesmo horário o aeroporto da cidade fica fechado para pousos e decolagens por conta de obras de melhorias. Depois de decolar, a aeronave seguiu diretamente para São Paulo, onde mais uma vida foi salva

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Helicóptero Águia levanta voo rumo ao aeroporto de Penápolis

 

VOO INCOR
Equipes chegam a Penápolis e embarcam em avião do Incor para SP (IVAN AMBRÓSIO/JORNAL INTERIOR)

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