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ARNON GOMES

A região reduziu em 92% o desemprego no ano passado. A constatação está no levantamento do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério da Economia, divulgado ontem.

De acordo com o balanço, em 2019, a região fechou 139 postos de trabalho com carteira assinada, consequência de 75.121 admissões e 75.259 demissões. Em 2018, o saldo havia sido de -1.745 empregos formais, em razão de 72.928 contratações e 74.673 dispensas.

Os números levam em conta as 43 cidades da região de Araçatuba, mais os municípios de Lins e Promissão, onde o jornal O LIBERAL REGIONAL também circula.

DEZEMBRO

A permanência do saldo negativo no cômputo geral do último ano teve forte influência do resultado de dezembro.

No último mês do ano que passou, a região terminou com saldo de -3.708 postos com registro em carteira.

Naquele período, que normalmente encerra a safra da cana-de-açúcar, carro-chefe da economia regional, o volume de demissões praticamente dobrou em relação ao de contratações: 7.435 desligamentos ante 3.727 contratações.

Somente em dezembro, a indústria de calçados, principal empregadora de Birigui, segunda maior cidade da região, dispensou 728 trabalhadores e contratou apenas 35.

Ao longo de 2019, por vários momentos, a região registrou saldo positivo, com destaque para o primeiro trimestre e os meses de setembro e outurbo.

ANDRADINA

Das maiores cidades da região, o melhor desempenho durante o ano passado foi observado em Andradina.

A cidade, que tem na indústria frigorífica sua maior geradora de oportunidades, foi a única a terminar 2019 com saldo positivo.

No ano anterior, foram criados 931 empregos com carteira assinada, resultado da diferença de 5.884 admissões e 4.953 demissões. Já os municípios de Araçatuba, Birigui, Penápolis e Lins terminaram o ano passado com saldo negativo: -153, -615, -236 e -335, respectivamente.

ANÁLISE

Professor da FAC-FEA (Faculdade da Fundação Educacional Araçatuba), o economista Marco Aurélio Barbosa avalia que algumas cidades se destacaram no ano favorecidas pelo aumento das exportações.

“Esse foi o caso da cidade de Andradina, que aplicou substancialmente suas exportações para a China desencadeando efeitos positivos no setor industrial”, avalia o estudioso, que coordena, na instituição de ensino superior, o Observatório da Economia Regional.

Ao longo do ano, a “explosão” de empregos no setor industrial em Andradina foi atribuída à necessidade da produção alimentícia regional atender o mercado chinês, que tem sofrido com os efeitos da peste suína e, por isso, aumentou as importações de carne do Brasil.

 

 

Para economista, situação vai melhorando aos poucos

 

Ainda na entrevista concedida ao LIBERAL, o economista Marco Aurélio Barbosa disse que o Caged mostra que, aos poucos, os números estão melhorando e acompanhando o ritmo do desempenho macroeconômico do Brasil. “Apesar de ainda fechar negativo, tivemos uma melhora do saldo final entre 2018 e 2019, trazendo boas perspectivas para 2020”, disse o professor.

Ele avaliou que houve um desempenho regional “muito favorável” no setor de serviços.

Porém, ressaltou que, neste ano, a indústria tem tendência de encerrar o ciclo de “encolhimento” iniciado em 2015. “Dessa forma, o setor industrial poderá agregar ao saldo positivo do emprego neste ano”, acredita.

Barbosa disse ainda que outro setor que deve engrenar uma recuperação, na região, é o da construção civil.

“Trata-se de um importante segmento em termos de empregabilidade em decorrência de sua cadeia produtiva e efeito multiplicador local”, destaca.

CONJUNTURA

Tamanho otimismo Barbosa atribui à atual coniunturaeconômica, a qual considera favorável devido ao crescimento do PIB de 2,3%, às taxas de juros reduzidas (Selic de 4,5%), à inflação controlada, ao volume de crédito disponível a pessoas físicas e jurídicas, à taxa de câmbio favorável às exportações e ao cenário internacional mais estável.

Todos esses elementos, disse ele, “potencializam o desempenho macroeconômico com efeitos positivos nas cidades da região”.

 

 

País registrou o melhor desempenho em seis anos

 

Em todo o Brasil, 2019 terminou com a criação de 644 mil vagas de emprego formal, 21,63% a mais que o registrado em 2018. De acordo com o Ministério da Economia, foi o maior saldo de emprego com carteira assinada em números absolutos desde 2013.

Dados do Caged mostram que o estoque de empregos formais chegou a 39 milhões de vínculos. Em 2018, esse número tinha ficado em 38,4 milhões.

Todos os oitos setores da economia registraram saldo positivo no último ano. O destaque ficou com o setor de serviços, responsável pela geração de 382,5 mil postos. No comércio, foram 145,4 mil novas vagas e na construção civil, 71,1 mil. O menor desempenho foi o da administração pública, com 822 novas vagas.

Ainda no ano passado, o saldo foi positivo para todos os estados, com destaque para São Paulo, com a geração de 184,1 mil novos postos, Minas Gerais, com 97,7 mil, e Santa Catarina, com 71,4 mil.

De acordo com o Caged, também houve aumento real nos salários. No ano, o salário médio de admissão foi de R$ 1.626,06 e o salário médio de desligamento, de R$ 1.791,97. Em termos reais (considerado o deflacionamento pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor, o INPC), registrou-se crescimento de 0,63% para o salário médio de admissão e de 0,7% para o salário de desligamento, na comparação com novembro do ano passado.

 


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