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Até parece cena de filme. Um crime brutal que chamou a atenção dos delegados da DIG (Delegacia de Investigações Gerais). “Em todos esses anos de carreira, eu nunca tinha visto algo assim”, iniciou a coletiva de imprensa o delegado Antônio Paulo Natal. Dois dias depois do desaparecimento e o encontro do corpo do advogado Ronaldo César Capelari, 53, a Polícia Civil conseguiu esclarecer a morte e prendeu quatro pessoas temporariamente.

 

Foi um crime meticulosamente planejado, mas que segundo a polícia, deu errado. A chave de todo o mistério é uma jovem de 24 anos de idade, que vivia na residência onde o corpo da vítima foi localizado por policiais militares durante a noite de terça-feira (14). Ela mesma decidiu procurar a polícia com uma história que não convenceu os delegados responsáveis pelas investigações.

 

“Essa pessoa (jovem suspeita) sabendo que a polícia estava atrás dela procurou a DIG com uma história fantasiosa, dizendo que realmente havia alugado a casa, mas a residência ficava aberta e não saberia dizer o que aconteceu. É claro que isso não procedia e começamos a interrogá-la e confessou participação no crime. Ela disse que conhecia o doutor Ronaldo há dois meses e tinha seu contato pessoal. Além disso, informou que possuía alguns amigos no bairro Água Branca e que eles tinham a convidado para tramar um roubo contra a vítima. Os suspeitos pensavam que o advogado poderia ter bastante dinheiro”, revelou Natal durante entrevista coletiva.

 

Ainda segundo a polícia, o papel da mulher foi ligar e atrair o advogado até a casa. A vítima estacionou a caminhonete S-10 em frente ao imóvel quando foi rendida pelos outros três suspeitos.

 

“Ela ligou para o Ronaldo o convidando para ir até a sua casa para conversar, só que quando ele estava prestes a chegar, a suspeita saiu e deixou a casa aberta. O advogado chegou, estacionou a caminhonete em frente do imóvel e ao adentrar foi rendido por três pessoas, que o arrastaram com bastante violência para o interior do local. Ela alega que até essa parte viu tudo, mas depois ficou assustada e foi embora. Somente no dia seguinte, um dos autores acabou confessando que matou o advogado, porque ele tentou reagir ao assalto”, complementou o delegado.

 

CENÁRIO DESOLADOR

 

No interior do imóvel da suspeita, muita bagunça. Trata-se de uma casa pequena, de apenas dois cômodos. No chão da cozinha, um colchão estava jogado no piso. No banheiro, várias marcas de sangue e uma mangueira. Os autores esquartejaram o corpo do advogado e com a água corrente tentava não deixar os vestígios. Depois, eles colocaram todos os membros em três sacos de lixo.

 

Para os investigadores, os assassinos decidiram esquartejar o corpo da vítima depois que bateram a caminhonete no muro da casa. Eles desistiram de fazer o transporte na carroceria do veículo para não chamar a atenção da vizinhança.

“Segundo a jovem, eles iam desmanchar a caminhonete para vender peças. Mas, como deu errado a retirada do corpo da casa após a batida no muro, acabaram desistindo. O trio teria dito que esquartejou o corpo e colocou em sacos de lixo para carregá-los durante a noite e sumir com tudo”, afirmou o delegado.

 

PRISÃO TEMPORÁRIA

 

A Polícia Civil pediu a prisão temporária de todos os suspeitos. Eles vão responder por latrocínio, que é o roubo seguido de morte, e ocultação de cadáver. Juntas, as penas podem ser superiores a 30 anos de prisão. O delegado acrescentou, ainda, que de todos os detidos, um permaneceu em silêncio durante o depoimento, o segundo negou os fatos e o terceiro confirmou que foi chamado para fazer o roubo contra o advogado, mas não chegou a participar, pois teria desistido.

 

ABALO FAMILIAR

 

Nenhum familiar do advogado quis gravar entrevista, mas as pessoas mais próximas de Ronaldo dizem que ele era uma pessoa muito tranquila, não tinha nenhuma desavença e trabalhava bastante. Ele era advogado de profissão e guitarrista de uma banda nas horas vagas. Frequentava bares e restaurantes da cidade. A forma como o crime foi cometido deixou não só a família, mas grande parte da população de Araçatuba em choque. A vítima deixa a esposa e dois filhos, um de 13 e outro de 18 anos. O corpo foi sepultado em um cemitério particular do município no fim da tarde dessa quarta-feira (15).

O advogado Pedro Augusto Chagas Junior era colega de Ronaldo e o conhecia há pelo menos 15 anos. A notícia da morte do amigo ainda é um choque, difícil de acreditar. “Foi um choque muito grande, porque não esperava que isso fosse acontecer com ele. Era um profissional nada dava a entender que teria um fim desse. Era uma pessoa tranquila, não era envolvida em processos criminais, não tinha motivos para ter esse fim ”, contou.

 

MANIFESTAÇÕES

 

O assassinato brutal mobilizou até mesmo a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) em Araçatuba, que colabora com as investigações. O presidente Sandro Valdelino Ferreira Cardoso agradeceu  emprenho dos policiais civis e militares desde o dia do sumiço.

 

“A OAB, de agora em diante, vai acompanhar o inquérito para saber e cobrar a Justiça. Foi um crime bárbaro, não só porque trata-se de um advogado, mas toda a comunidade ficou chocada com o que ocorreu”.

 

DESAPARECIMENTO

O advogado desapareceu quando saiu da residência onde mora, em um condomínio fechado, a noite da última segunda-feira (13) e seguia com a caminhonete para uma academia localizada na Avenida José Ferreira Baptista, no bairro Ipanema. Testemunhas contaram que ele não chegou a entrar no local para fazer a aula de natação, que teria duração de aproximadamente uma hora.

A família começou a estranhar o sumiço do advogado e tentou entrar em contato com o celular, mas já não dava sinal. Durante toda a noite, amigos e parentes saíram em busca de uma notícia, mas não conseguiram encontrar nenhuma informação. No início da manhã dessa terça-feira (14), eles comunicaram o desaparecimento à polícia, que imediatamente começou a fazer as investigações.

Doze horas depois, uma viatura da Polícia Militar fazia patrulhamento de rotina pela zona leste de Araçatuba quando foi abordada por um morador daquelas redondezas informando que encontrou uma caminhonete parada em uma estrada de terra a poucos metros dali. Toda a área foi isolada para o trabalho da perícia técnica, que chegou alguns minutos depois com investigadores da DIG (Delegacia de Investigações Gerais). Os peritos recolheram digitais deixadas na caminhonete. A partir de agora, as investigações continuam.

“Nós vamos confrontar tudo o que ela disse e interrogá-la novamente. Além disso, colher mais provas, imagens de câmeras de segurança, digitais e materiais genéticos”, finalizou o delegado.


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