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Agregar valor à produção leiteira é meta da Secretaria de Agricultura para a região Bragantina

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DA REDAÇÃO – SÃO PAULO

A produção de leite no Estado de São Paulo vem enfrentando vários desafios nos últimos anos, dentre todos talvez o principal seja o econômico. Uma pergunta que sempre inquieta os extensionistas rurais da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo é como viabilizar economicamente a atividade, a qual por suas características no Estado e particularmente na região Bragantina, apresenta alto custo de produção?
Segundo os técnicos da Coordenadoria de Desenvolvimento Rural Sustentável (CDRS), órgão vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento, pelo perfil característico da região, dois fatores se destacam a favor da atividade: o grande potencial de comercialização de produtos com maior valor agregado devido à proximidade de regiões de alto poder aquisitivo; e o fato de a região ser um polo turístico que atrai milhares de pessoas todos os finais de semana às cidades da região.
Em 13 de dezembro, o diretor técnico da CDRS Regional Bragança Paulista, médico veterinário Walmir Cármino Pisciottano, acompanhado pelo médico veterinário Marcelo Baptista, assistente de planejamento e responsável pela cadeia do leite na referida Regional, e pelo engenheiro agrônomo Ricardo Moncorvo, chefe da Casa da Agricultura de Amparo, município pertencente á área de atuação da CDRS Bragança Paulista, estiveram em visita técnica à Fazenda Atalaia, em Amparo, para conhecer e verificar o potencial da propriedade com o intuito de mostrá-la como um caso de sucesso na agregação de valor ao leite. “A finalidade é que a propriedade se torne modelo na região e possa servir para, em Dias de Campo promovidos pela Secretaria, capacitar os demais produtores de leite da região”, afirmou Walmir Pisciottano.
A propriedade sempre foi atendida pela Casa da Agricultura de Amparo, pois há anos o proprietário aderiu a um projeto voltado para a pecuária leiteira oferecido pela Secretaria de Agricultura via extensão rural. Tal projeto pregava a gestão e o planejamento da propriedade e a aplicação de Boas Práticas Agropecuárias (BPA) como bem-estar animal, alimentação balanceada, melhoramento genético e outras tecnologias. “Ao demonstrarmos o sucesso da atividade, estaremos incentivando outros produtores que terão a oportunidade de trocar informações, verificar os desafios e os problemas enfrentados e as soluções propostas”, explica Walmir, dizendo que capacitações voltadas à atividade estão sendo programadas para 2020. “Não adianta produzir leite para entregar para as usinas. O custo de produção é muito alto na região e a atividade não se torna viável se não houver agregação de valor”, ensina o extensionista.
A Fazenda Atalaia, propriedade de Paulo Matta de Resende, é responsável pela produção de quatro mil litros de leite por dia destinados, na totalidade, ao laticínio próprio onde são processados mais de uma dezena de queijos especiais, entre frescais e maturados. O proprietário vem em uma luta constante, já há décadas, para tornar viável toda essa produção. “Iniciei com uma produção de 40 litros/dia há 30 anos; aos poucos fui aumentando a produção e devagar fui diversificando os tipos de queijos oferecidos”, conta Paulo de Resende.
A grande virada, segundo o proprietário, aconteceu em 2018 quando um queijo de sua produção recebeu medalha de ouro em um concurso na Espanha concorrendo com centenas de queijos de países tradicionais na atividade como Itália, França, Espanha e outros. A Fazenda Atalaia recebe todos os dias e, principalmente, nos finais de semana a visita de dezenas de turistas para conhecer os famosos queijos e visitar as construções que datam de 1870 e que, aos poucos, estão sendo restauradas pelo proprietário.
Várias reportagens já foram realizadas na Fazenda Atalaia e exibidas em programas de TV de grande audiência o que contribuiu muito para projetar o nome da Fazenda. “Este é um ótimo exemplo de como aliar a agregação de valor ao turismo rural da região viabilizando a pecuária leiteira”, finalizaram os técnicos após a visita.

 


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