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DA REDAÇÃO – ARAÇATUBA

Onze pessoas foram presas em uma operação deflagrada pela Polícia Federal na manhã dessa quarta-feira (4) em Araçatuba, outras cidades da região e de mais quatro estados do país. As investigações duraram um ano e meio e mostraram a atuação de uma organização criminosa especializada no tráfico internacional de drogas realizado por aviões privados. O chefe da quadrilha, a esposa dele, pilotos e pessoas que auxiliavam na logística foram detidos.

Ao todo foram cumpridos 33 mandados de busca e apreensão. Três alvos não tinham sido encontrados até o fechamento dessa edição. As prisões do chefe da organização criminosa, Rubens de Almeida Salles Neto, da esposa, Beatriz Gatti Simões e do irmão, Carlos Salles, aconteceram em São José do Rio Preto. Segundo a Polícia Federal, o homem se identificava como empresário e assumiu o comando das operações de tráfico internacional depois da prisão do sogro em outra operação deflagrada pela Polícia Federal. Alguns meses depois, ele faleceu.

As outras detenções foram feitas em Paranaíba, São Paulo, Bauru, Americana, Rondonópolis (MT) e Governador Valadares (MG). Na região, os policiais federais também cumpriram mandados de buscas nos municípios de Pereira Barreto e Guararapes, nesta última cidade, a reportagem do jornal O LIBERAL REGIONAL apurou que o mandado foi cumprido na residência de um piloto. O araçatubense e pecuarista Luciano Verbena Junior foi preso durante a operação em Paranaíba.

FUNCIONAMENTO

As investigações da operação ‘Voo Baixo’ tiveram início em maio de 2018. A organização tinha ligação com uma facção criminosa que age dentro e fora dos presídios do país. O empresário preso em São José do Rio Preto articulava a compra e o transporte aéreo de cocaína de traficantes bolivianos, recebia a carga em fazendas localizadas em Mato Grosso do Sul e a transportava com aviões privados para o estado de São Paulo.

De acordo com a PF, 85% de todos os carregamentos eram enviados por meio de navios do porto de Santos a países da Europa. O restante ficava no Brasil. Em entrevista coletiva na sede da Polícia Federal da capital paulista, o delegado responsável pelas investigações, Fabrício Galli, disse que as aeronaves que transportavam os entorpecentes pousavam em pistas clandestinas e tinham planos de voos falsificados.

“Os aviões possuem registros e todos os certificados em dia. Essas aeronaves pousavam em pistas clandestinas com um plano de voo diferente daquele estabelecido”.

AERONAVE ABATIDA

Um desses aviões foi abatido no ano passado por equipes da Força Aérea Brasileira ao entrar no território nacional sem autorização. As equipes encontraram em seu interior meia tonelada de cocaína. Segundo a PF, a organização movimentava cerca de 1,5 tonelada da droga por mês.

Ao longo das investigações foram apreendidas 2,6 toneladas de cocaína e 14 aviões, 11 deles só nessa quarta. Além disso, a Justiça autorizou o bloqueio de bens e a indisponibilidade de fazendas. Desde maio do ano passado, 11 pessoas foram presas em flagrante. Ontem, seis pilotos, o chefe do grupo, a esposa dele e outros três responsáveis pela logística e abastecimento das aeronaves também acabaram detidos, totalizando 22 prisões.

Os investigados irão responder por tráfico de drogas e associação ao tráfico, cujas penas podem ser entre cinco e 15 anos de prisão. A partir da operação, novas fases poderão surgir, já que existe a suspeita de envolvimento de outras pessoas, incluindo estrangeiros.

“Nós já comunicamos a polícia da Bolívia a respeito dessas investigações e novas fases poderão surgir com o andamento dos trabalhos”, finalizou o delegado.

FOTO: OPERAÇÃO VOO BAIXO

FLAGRANTE – Foto mostra criminosos abastecendo avião com cocaína em pista clandestina

CRÉDITO: POLÍCIA FEDERAL


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