Cidades

Médicos suspendem greve após prefeitura informar que devolverá intervenção

Depois de anunciarem uma greve por pagamentos atrasados, médicos que trabalham na Santa Casa de Penápolis decidiram suspender a paralisação por mais 24 horas após uma reunião com o secretário de saúde do município Wilson Carlos Braz. O corpo clínico deverá se reunir novamente às nove horas da manhã desta quarta-feira para tentar uma nova rodada de negociação. Agora, o que está em jogo é a confirmação da devolução da intervenção do hospital para a Irmandade e, posteriormente, para uma OSS (Organização Social de Saúde).

 

De acordo com Lucas Quessada, um dos médicos envolvidos no movimento, a suspensão da greve ocorreu logo após a reunião envolvendo o diretor técnico e representante do corpo clínico. “Eles nos pediram mais 24 horas de prazo, porque existe uma tramitação entre a prefeitura e a Santa Casa de que a Irmandade vai assumir novamente a responsabilidade do hospital, saindo a intervenção do município. Nessas circunstâncias, nós temos que aguardar para podermos conversar com a Irmandade, que ficaria responsável por esse passivo médico e também por mandar condições financeiras para comprar os medicamentos que vem faltando”, informou durante entrevista.

 

Há mais de uma semana, os médicos da Santa Casa e o prefeito Célio de Oliveira (sem partido) vinham negociando uma saída para o impasse. O corpo clínico, formado por 20 médicos, diz que está os salários dos plantões atrasados desde fevereiro deste ano. Já a produtividade médica, que são os recursos repassados pelo SUS (Sistema Único de Saúde) não são pagos há quase um ano.

 

“Nós recebemos, agora no mês de maio, metade do pagamento devido de fevereiro, ou seja, já são mais de 90 dias de atraso no pagamento do salário dos plantões. Além disso, desde julho do ano passado estamos sem receber a produção médica. Houve, na segunda, uma proposta da Irmandade de pagar toda essa produção e mais a metade restante de fevereiro, mas não deram a certeza do pagamento de março e abril”, justificou.

 

A proposta dos médicos era para que o pagamento de fevereiro e março fosse feito em junho, com a garantia de que o de abril fosse quitado até o final de junho. Os médicos chegaram a admitir que se pagasse fevereiro, março e toda a produtividade, mesmo deixando abril para outra negociação, aceitariam. Mas também não houve acordo.

 

PROPOSTAS

 

Em uma nota divulgada na noite de terça-feira (10), a prefeitura elencou as propostas realizadas aos médicos durante rodada de negociação. Foi apresentado o pagamento da outra metade referente aos salários do mês de fevereiro deste ano até o fim da semana. Os recursos serão possíveis, segundo a administração municipal, já que não descontará uma antecipação de repasse de R$ 100 mil.

 

O pagamento dos meses de julho, agosto e setembro do ano passado, também seriam pagos até o fim da semana. Já os acertos em relação aos meses de outubro, novembro e dezembro de 2018, além de janeiro e fevereiro deste ano, seriam quitados até o fim de junho.

“Nós apresentamos uma proposta de pagamento de todos os plantões, de toda a produção e, infelizmente, esse movimento que começou com 20 médicos e hoje não tem metade, resolve ainda assim manter a paralisação. Isso prova, por si só, que o problema não é o atraso financeiro e sim político”, avaliou o prefeito Célio de Oliveira durante entrevista à reportagem.

 

Célio ainda enfatizou que nenhuma paralisação vai conseguir parar o funcionamento da Santa Casa, mesmo se ele tiver que substituir todos os médicos grevistas. “Se médicos pararem, sete, oito, dez, doze, quinze, nós vamos substituir todos os plantões. A Santa Casa não fecha”.

 

Ainda de acordo com a prefeitura, a negociação de devolver a intervenção da Santa Casa para a Irmandade já acontecia há seis meses e foi uma forma de aprimorar os atendimentos no local, depois da chegada do curso de medicina até o município.

 

“A Prefeitura, quero deixar claro, vai continuar portando cinco milhões de reais por ano na Santa Casa, mesmo com a Irmandade e com a Organização Social. Até porque sem a prefeitura, o hospital não se mantém”, finalizou o prefeito.

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