Cidades

Médicos iniciam greve a partir de hoje

Vinte e um médicos que prestam atendimento na Santa Casa de Penápolis iniciam, nesta terça-feira, por tempo indeterminado, greve por causa de atrasos salariais.
Os profissionais comunicaram ontem a decisão ao Ministério Público após rejeitarem proposta feita pelo hospital, de quitar, entre os salários atrasados, metade do pagamento de fevereiro e três meses da produção médica (valor incorporado à remuneração mensal), que não é paga desde julho do ano passado.
“Não tem nem como garantir o de março no mês corrente (junho) e nós estamos parando a partir de amanhã”, disse ao jornal O LIBERAL REGIONAL um dos líderes do movimento grevista, que pediu para não se identificar.
A proposta dos médicos era para que o pagamento de fevereiro e março fosse feito em junho, com a garantia de que o de abril fosse quitado até o final de junho. Os médicos chegaram a admitir que se fossem pagos fevereiro, março e toda a produtividade, mesmo deixando abril para outra negociação, aceitariam. Mas também não houve acordo.
Procurada pela reportagem no fim da tarde dessa segunda-feira, a administradora da Santa Casa, Renata Cristina Vidal, disse que ainda não havia sido oficialmente comunicada da decisão dos profisssionais. Mas informou que já iria pedir à direção clínica para tomar providências a fim de que o atendimento não fique prejudicado hoje. Ela ressaltou que, até o final desta semana, consegue cumprir a proposta de pagamento não aceita pelos médicos.
Na condição de interventora da Santa Casa, a Prefeitura também se manifetou. O prefeito Célio de Oliveira (sem partido) voltou a dizer que “os médicos podem parar; o hospital não para”.
E ressaltou: “Iríamos liquidar 50% do pagamento de fevereiro deles. Eles sempre receberam com três meses de atraso. Isso aí é histórico. Iríamos pagar a produção de três meses. Até o final do mês, iria liquidar todo o atraso na produção até fevereiro. E vão parar?” Por isso, concluiu: “O movimento, então, não é por questão financeira. É questão política. Por algum motivo querem fazer isso daí”.

TRÉGUA
A segunda-feira foi o último dia da “trégua” dada pelos médicos para que houvesse um acordo. O início da paralisação estava previsto para a última quinta-feira, quando venceu prazo de 72 horas dado por eles para que o problema fosse resolvido. Entretanto, os profissionais acataram, na ocasião, pedido de relaxamento feito pela direção do hospital até o início desta semana.
Os médicos comunicaram a decisão pela greve em carta aberta à população, Santa Casa, Prefeitura, Promotoria de Justiça e ao CRM (Conselho Regional de Medicina). No texto, reconhecem as “enormes dificuldades financeiras” enfrentadas pelo hospital, porém, afirmam que situação “está beirando o insustentável”. Além dos três meses de salários atrasados, alegam que, há mais de um ano, trabalham com atraso em seus recebimentos.

COMO FICA
Os médicos que cruzarão os braços são cirurgiões e especialistas em diferentes áreas que trabalham diretamente como plantonistas. Com a greve, apenas casos de emergência (situações em que há risco de morte iminente) e de urgência (sem risco iminente) serão atendidos. Da mesma forma, pacientes hospitalizados terão seus tratamentos concluídos, sem quaisquer prejuízos. Além de Penápolis, a Santa Casa atende mais seis municípios: Luiziânia, Braúna, Glicério, Avanhandava, Alto Alegre e Barbosa.

Caso será investigado pelo Cremesp

Ainda ontem, o Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo) informou que abrirá sindicância para apurar as condições de trabalho e as denúncias de constante atraso no salário dos profissionais e limitações de atendimento na santa Casa de Penápolis. Todas estas informações foram levadas por médicos ao órgão representante da categoria na carta aberta feita há uma semana. O conselho decidiu acompanhar a realidade da unidade de saúde após analisar o documento, qué é assinado por 21 membros do corpo clínico.
Em nota distribuída à imprensa nessa segunda-feira, a conselheira doutora Regina Marquezini disse: “O Conselho tomou ciência dos fatos e vamos, por meio de sindicância, averiguar a situação da Santa Casa. A princípio, apoiamos a medida dos médicos – que há um ano não recebem seus salários – em suspender o atendimento, desde que os serviços de urgência e emergência sejam mantidos, não colocando a população em risco”.
Além dos atrasos no repasse dos pagamentos referentes aos plantões e à produção médica, os profissionais relatam a falta de insumos básicos de trabalho, como antibióticos.

ARNON GOMES
Araçatuba

 

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