Cidades

Médicos da Santa Casa ameaçam cruzar os braços

Vinte médicos da Santa Casa de Penápolis ameaçam entrar em greve se, até a próxima segunda-feira, não receberem o pagamento de salários atrasados. O início da paralisação estava previsto para ontem, quando venceu prazo de 72 horas dado por eles para que o problema fosse resolvido. Entretanto, os profissionais acataram pedido feito pela direção do hospital para que esticasse o prazo até o início da semana que vem.
Em ofício encaminhado aos funcionários do corpo clínico, a administradora hospitalar, Renata Cristina Vidal, confirma o recebimento de correspondência indicando a paralisação, mas pede um relaxamento do tempo então estipulado até 10 de junho. De acordo ela, nesse período, a instituição tentará fazer negociações com a Prefeitura, atual gestora da Santa Casa, a fim de regularizar as pendências com os profissionais da saúde.
“Ressaltamos que de vital importância no âmbito hospitalar, o assunto em questão (pagamento dos médicos) é motivo de constante preocupação dessa administração”, diz a administradora.
A carta em que anunciam a greve foi direcionada à população, Santa Casa, Prefeitura, Promotoria de Justiça e ao CRM (Conselho Regional de Medicina) na última segunda-feira. Nela, os médicos reconhecem as “enormes dificuldades financeiras” enfrentadas pelo hospital, porém, afirmam que situação “está beirando o insustentável”. Eles alegam que, há mais de um ano, trabalham com atraso em seus recebimentos.
O texto também relata o fracasso de todas as negociações até o momento. “Em conversa com a Santa Casa (sob intervenção da Prefeitura de Penápolis), houve a promessa de resolução em janeiro, que depois passou para março, que depois passou para abril e já estamos em junho, com piora da situação”, dizem.
Cirurgiões e especialistas em diferentes áreas médicas que trabalham diretamente como plantonistas receberam, no último dia 31, 50% dos plantões referentes ao mês de fevereiro, enquanto a produção médica, incorporada aos salários, não é paga desde junho do ano passado, totalizando onze meses de atraso.
CONDIÇÕES
Não bastasse a demora no pagamento, os médicos relatam, no documento, todo um quadro de más condições de trabalho. Falam na dificuldade de completar tratamentos por falta de antibióticos. Segundo eles, a quantidade era insuficiente, necessitando de trocas frequentes de esquemas de tratamento. Muitas vezes, destacam, é difícil prevenir trombose por falta de medicamento específico. Houve ainda dias em que faltaram insumos básicos para o funcionamento. “Desnecessário dizer que isso coloca em risco o paciente, valor principal de tudo isso, além de colocar em risco os próprios médicos”, lamentam.

EMERGÊNCIA
Caso a greve se concretize, apenas casos de emergência (situações em que há risco de morte iminente) e de urgência (sem risco iminente) serão atendidos. Da mesma forma, pacientes hospitalizados terão seus tratamentos concluídos, sem quaisquer prejuízos. Além de Penápolis, a Santa Casa atende mais seis municípios: Luiziânia, Braúna, Glicério, Avanhandava, Alto Alegre e Barbosa.

Prefeito minimiza pressão e diz que hospital não vai parar

Procurado pela reportagem, o prefeito Célio de Oliveira (sem partido) minimizou a pressão dos médicos e afirmou que a Santa Casa não vai parar. “Os médicos podem parar; a Santa Casa não pode parar de atender”, declarou.
Ele diz ter a informação que, dos 20 médicos signatários do comunicado de greve, cinco já retiraram seus nomes. “O corpo clínico da Santa Casa tem mais de 120 médicos. São 15 que assinaram esse documento. Não vai parar nada. Existem outros médicos no corpo clínico que podem ser convocados para dar os plantões”, ressaltou.
Sobre o que tem feito para regularizar a situação dos médicos, o prefeito declarou: “Estamos fazendo o esforço. A Prefeitura já faz seu repasse para a Santa Casa. É a Santa Casa que está com dificuldade para pagar. Estamos tentando uma reengenharia porque foi feita uma antecipação do repasse neste mês. Dia 10, a gente terá que repassar o restante. Estamos vendo se não descontamos essa anteciapação para poder compor. Independentemente de pagamento ou não pagamento, se os médicos quiserem parar, podem parar”.

ARNON GOMES
Araçatuba

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