Cidades

Ex-alunos invadem escola e matam sete pessoas; os dois também morrem

Nesta quarta-feira (13), o Brasil viveu um dia de muita tristeza, incredulidade e uma pergunta: O que levou dois alunos a invadirem a Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano, na Grande São Paulo e atirar contra alunos, professores e funcionários? A polícia diz que a motivação ainda está sendo investigada e que o massacre foi planejado por mais de um ano. No total foram 10 mortes. Antes de invadirem a escola, onde executaram sete pessoas (cinco alunos e duas funcionárias), os assassinos mataram o comerciante Jorge Antônio Moraes, 51 anos, tio de Guilherme Monteiro, um dos ex-alunos. De acordo com a polícia, um assassino atirou no outro e depois se matou.
As autoridades se manifestaram com tristeza. O governador João Doria (PSDB) visitou a escola. “Foi a cena mais triste que assisti em toda a minha vida”, disse o governador. “Fiquei consternado, chocado com o que vi aqui. Nunca tinha visto uma cena igual em toda a minha vida. Então a minha solidariedade a essas famílias. De todos, aos que estão feridos também.”
O presidente Jair Bolsonaro postou mensagem na rede social Twitter em que prestou condolências aos parentes das vítimas do massacre na Escola Estadual Professor Raul Brasil, em Suzano, na Grande São Paulo. Na mensagem, o presidente chama a tragédia de “monstruosidade e covardia sem tamanho”.

O MASSACRE
Os ex-alunos Guilherme Tauci Monteiro ,17 anos e Luiz Henrique de Castro, 25 anos, chegaram à escola em um Onix branco (carro alugado). Antes de invadirem o estabelecimento de ensino, os assassinos foram a uma loja de carros e mataram a tiros o comerciante Jorge Antônio Moraes.
Eles chegaram à escola por volta de 9h30. O comandante-geral da Polícia Militar, Marcelo Salles, informou que os dois jovens usaram um revólver calibre 38 e uma arma medieval semelhante a um arco e flecha.
Salles disse ainda que os estudantes atacados estavam na hora do recreio. A escola foi isolada devido à suspeita de explosivosa

Vítimas
Além dos 10 mortos, outras 23 pessoas foram encaminhadas a unidades de saúde: Hospital Santa Maria (9), Santa Casa (3), Hospital Luzia de Pinho Mello (2), Hospital Santana (2), Hospital Santa Marcelina (5), Hospital das Clínicas (2).

Alunos mortos
Caio Oliveira, 15 anos
Claiton Antônio Ribeiro, 17 anos
Douglas Murilo Celestino, 16 anos
Kaio Lucas da Costa Limeira, 15 anos
Samuel Melquíades Silva de Oliveira, 16 anos
Funcionárias:
Marilena Ferreira Vieira Umezo, 59 anos: coordenadora pedagógica da escola.
Eliana Regina de Oliveira Xavier, 38 anos: era inspetora na escola.

Dono da loja de carros
Jorge Antônio Moraes, 51 anos: comerciante, morto antes da entrada dos assassinos na escola; ele é tio de Guilherme, um dos assassinos.

Feridos
Adna Bezerra, 16 anos: estável
Anderson Carrilho de Brito, 15 anos: estado grave
Beatriz Gonçalves, 15 anos: estável
Guilherme Ramos, 14 anos: passa por cirurgia
Jenifer Silva Cavalcanti: estado grave
José Vitor Ramos Lemos: atingido com machado.
Leonardo Martinez Santos: passará por cirurgia
Leonardo Vinicius Santana: estável
Leticia Melo Nunes: estável
Murilo Gomes Louro Benite: estável
Samuel Silva Felix

Assassinos
Guilherme Tauci Monteiro ,17 anos
Luiz Henrique de Castro, 25 anos

Atirador não tinha histórico de problema na escola, diz secretário

AGÊNCIA BRASIL
Suzano

O secretário estadual da Educação de São Paulo, Rossieli Soares, disse ontem (13) que um dos atiradores, Guilherme Taucci Monteiro, de 17 anos, não tinha histórico de problemas na escola estadual Raul Brasil, em Suzano, onde ocorreu o massacre. Os dois atiradores eram ex-alunos da escola.
“A informação que temos sobre o Guilherme é que ele foi aluno por dois anos no primeiro e no segundo ano do ensino médio, e ele nunca trouxe problemas. Não há registros de problemas desse aluno. Era um aluno muito quieto, calmo e não teria mais problemas. Mas vamos levantar mais informações”, disse o secretário.
Segundo Soares, Guilherme chegou à escola dizendo que iria procurar a secretaria. Os funcionários imaginaram que o aluno iria tentar voltar a estudar, já que ele não havia comparecido aos estudos no ano passado. “Trata-se de um ex-aluno que estava sendo inclusive monitorado por um processo da secretaria para que retornasse à escola. O aluno é conhecido. Era para ele ter estudado no ano de 2018 e [hoje] voltou à escola, alegando que iria para a secretaria para retomar os estudos. A informação que a gente tem é que a escola estava aberta para receber um ex-aluno que queria voltar a estudar. E aí, do nada, começou o ataque”, disse o secretário.
Quanto ao segundo atirador, identificado como Luiz Henrique de Castro, de 25 anos, Soares disse que ainda não foi possível levantar o histórico escolar dele.

Reunião com familiares
O secretário informou que, junto com a Polícia Militar e a prefeitura, reuniu-se hoje com familiares das vítimas para dar suporte e informações, e que a conversa com eles “foi absolutamente triste”. “É muito difícil falar sobre isso, falar com as famílias, olhar para uma mãe que perdeu o seu filho. Não existe dor maior.”
“Primeiro, é uma das tragédias mais marcantes que esse país já teve. Não há como descrever a tristeza, o sofrimento das pessoas. Estávamos conversando com as famílias, dando o suporte, informando caso a caso, entendendo ainda a forma como podemos ajudar. Essa é a nossa prioridade neste momento”, disse o secretário. “É um momento muito difícil. Não há coisa mais difícil do que perder um filho.”
O secretário afirmou que a questão da segurança é um dos grandes problemas da educação atualmente. ele destacou que é um problema que vem sendo bastante discutido pela pasta. “A segurança nas escolas é uma preocupação do governo do estado. Temos câmeras de segurança. Estamos com mais de 41 mil câmeras de segurança no estado. Nessa escola, havia mais de 16 câmeras que estavam funcionando no momento. Mas isso, por si só, não resolve. Podemos discutir o uso de uniforme. Mas nada sozinho impediria uma tragédia”, ressaltou.
“Além de tratar da segurança da escola, precisamos de todo cuidado com esses jovens que podem estar sofrendo bullying.”. De acordo com Soares, esse é um problema que tem afetado as escolas em todo o mundo. “Precisamos aprender cada vez mais com tudo isso que está acontecendo.”

Polícia acredita que tiroteio foi cuidadosamente planejado

AGÊNCIA BRASIL
Suzano

A tragédia que chocou o país ontem (13) e transformou a Escola Estadual Professor Raul Brasil, em Suzano, a 57 quilômetros de São Paulo, em um cenário de guerra é um quebra-cabeça em fase de montagem. O tiroteio promovido por dois jovens provocou dez mortes e o mesmo número de feridos. A Polícia Civil busca compreender o crime e já sabe que houve um plano meticulosamente organizado.
O secretário de Segurança Pública de São Paulo, João Camilo Pires de Campos, disse que policiais coletam depoimentos e provas. Segundo ele, é possível confirmar alguns detalhes sobre o que ocorreu antes e durante do massacre no colégio.
No começo da manhã, Guilherme Taucci Monteiro, de 17 anos, e Luiz Henrique de Castro, de 25 anos, foram à locadora de Jorge Antonio Moraes, de 51 anos. Lá, eles atiraram contra Jorge, que era tio de Guilherme, e deixaram o local em um carro Chevrolet Onix branco roubado e seguiram para o colégio.
Não se sabe em que momento Guilherme colocou a máscara para não ser reconhecido, mas a primeira pessoa atingida foi a coordenadora Marilena Ferreira Vieira Umezo, 59 anos, depois Eliana Regina de Oliveira Xavier, 38 anos, funcionária do colégio. Os dois atiradores estavam juntos logo na entrada.
Com base nos primeiros depoimentos, a polícia acredita que os dois atiradores partiram para o ataque juntos. Quando eles se deparam no Centro de Línguas com a porta fechada e perceberam que estavam encurralados pelos policiais da força tática teriam se desesperado.
A polícia foi acionada por causa do assalto à locadora de veículos e chegou à escola em oito minutos. Ao serem surpreendidos pelos policiais, os dois jovens estavam preparados para entrar em uma sala lotada de alunos. Neste momento, segundo o secretário, um jovem atirou no outro e depois suicidou-se.

Brasil reúne histórico recente de tragédias em escolas

AGÊNCIA BRASIL
Suzano

Tragédias envolvendo tiroteios e ataques em escolas são contabilizadas na história recente do país. O episódio registrado ontem na Escola EStadual Professor Raul Brasil, em Suzano, na Grande de São Paulo, junta-se a outros. Conforme matérias publicadas pela Agência Brasil, o caso mais recente ocorreu no Colégio Goyases, em Goiânia, quando adolescente de 14 anos assediado por bullying matou dois colegas de 13 anos e feriu outros com a arma da mãe, policial civil.
Na apuração das razões do crime, o autor dos disparos disse à polícia que se inspirou no atentado ocorrido em 1999 na escola de Columbine (Estados Unidos), com quinze mortos e 24 feridos, e no massacre ocorrido em Realengo, no subúrbio carioca, em 2011 – quando um adulto (23 anos) efetuou mais de 60 disparos e matou 12 crianças na escola municipal Tasso da Silveira.
Os dois casos são os que registram os maiores números de vítimas. No mesmo ano do episódio em Realengo, uma criança de 10 anos em São Caetano do Sul (SP) atirou em sua professora (4ª série) e depois se matou. Em abril de 2012, um adolescente de 16 anos da cidade de Santa Rita (PB) atirou em três alunas quando tentava acertar um outro estudante.
Há registro de mortes de estudantes também por arma branca, como o assassinato por facada contra um adolescente por um colega de sala em uma escola rural em Corrente (PI).

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