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Vereadores elegem o presidente mais jovem da história da Câmara de Birigui

A maior casa legislativa da região de Araçatuba iniciará um novo capítulo em sua história quase centenária a partir de janeiro. Não apenas por causa do início da gestão do vereador Felipe Barone (PPS), eleito seu presidente na noite de terça-feira. Mas pelo fato de o parlamentar, de apenas 21 anos de idade, ser o seu líder mais jovem em 96 anos.
Após receber dez dos 17 votos possíveis, ele sucederá o parlamentar Valdemir Frederico, o Vadão da Farmácia (PTB), no comando do Legislativo no próximo biênio. Para chegar ao feito, Barone precisou do apoio da oposição, uma vez que a base do prefeito Cristiano Salmeirão (PTB) rachou. Com isso, o futuro chefe do Legislativo terá como vice o vereador Luiz Roberto Ferrari (DEM), que integra o quarteto considerado adversário da atual administração.
A nova mesa diretora ainda tem o vereador Fabiano Amadeu como primeiro secretário. Correligionário de Barone, ele é também o segundo parlamentar mais jovem da Casa – tem 34 anos. Já o segundo secretário será o vereador Andrey Servelatti (PSDB), que, assim como Barone e Amadeu, apoia o governo.
Essa composição traz outras curiosidades. Os quatro membros da nova mesa diretora estão em seus primeiros mandatos. E, com exceção de Barone, atualmente primeiro secretário, nenhum deles já exerceu cargo de comando na Câmara. “Formamos a chapa da nova política”, disse Barone, ontem à tarde, em entrevista ao O LIBERAL REGIONAL.
A chapa vencedora recebeu ainda os votos dos vereadores José Fermino Grosso (DEM), Benedito Dafé (PV), Cesinha Pantarotto (Podemos), Carla Protetora (PSD), Odair Piacente (PSC) e Leandro Moreira (PRB).
Apesar de, nos meses anteriores, vários parlamentares ensaiarem uma candidatura, o único adversário de Barone foi o vereador José Luiz Buchalla (PRP), atual vice-presidente. Ele tinha como vice Eduardo Dentista (PT), Vadão de primeiro secretário e Rogério Guilhen (PV) como segundo. Além destes três e de seu próprio voto, Buchalla teve também o apoio Cal Barbosa (PSB), José Roberto Paquinha (PSD) e Pastor Reginaldo (PTB).
Barone reconhece que a participação da ala opositora a Salmeirão foi fundamental. “Os dois lados concorrentes queriam (a oposição). Fomos ‘namorando’ e chegamos ao consenso com o Ferrari, que queria ser o vice”, disse ele.
O novo presidente afirmou também que nunca escondeu seu interesse em chegar ao posto, tendo colocado esta vontade em reunião com vereadores há pelo menos três meses. “Nesses dois anos em que estive como primeiro secretário, sempre estive presente na tomada de decisões na Câmara e entendia que faria diferente. Então, por que não me candidatar?”, conta o parlamentar. “Exercer a presidência da Câmara não tem segredo. Basta ter boa vontade e pulso firme”, afirma Barone, que administrará um orçamento de R$ 11 milhões a partir de 2019.

Estudante de Direito, futuro presidente foi eleito vereador com 19 anos

Ocorrida em meio a um clima de agitação política por causa da cassação da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e das manifestações anticorrupção no País, a eleição de municipal de 2016 foi a primeira disputada por Barone. Então com 19 anos de idade, ele recebeu 914 votos, sendo o décimo segundo vereador mais votado na cidade.
Ele conta que, desde os 15, sonhava em entrar na política, assistindo pela tevê o conturbado cotidiano em Brasília, mas pensando em fazer diferente. Recém-aprovado para o quinto ano do curso de Direito da Uniesp, ele pensa em estudar, posteriormente, economia, outra área que, em seu entendimento, é fundamental para quem está na política.
Barone não vem de família de tradição na política, embora seu pai, Hermínio dos Santos Brito, tenha sido filiado a partidos e figura presente nos bastidores. Do pai, o novo presidente herdou ainda o apelido Barone, que foi “colocado” em seu nome. Apesar de ter sido eleito vereador no grupo que apoiou Cristiano Salmeirão prefeito, Barone promete postura neutra como presidente. “Não vou puxar a sardinha para ninguém”, assegurou.
Ao falar de planos para sua gestão, Barone citou o desejo de implantar o painel eletrônico de votação, a fim de garantir melhor acompanhamento das sessões. E ainda fazer aquilo que os presidentes dos últimos 12 anos tentaram e não conseguiram: uma nova sede própria para a Câmara. Hoje, a Casa funciona em imóvel alugado, o que consome R$ 19 mil por mês dos cofres públicos.

ARNON GOMES
Birigui

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