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Criança com doença que afeta sistema nervoso recebe festa surpresa da PM

Aos cinco anos de idade e uma história de obstáculos e vitórias. Este é Pedro Henrique de Souza Almeida, ou só ‘Pedrinho’, como é conhecido por toda a equipe médica e de enfermagem da Santa Casa de Araçatuba. Internado há 19 meses, a criança tem a síndrome de Guillain-Barré, uma doença autoimune que afeta o sistema nervoso. Mesmo com todas as dificuldades, o pequeno não deixou de sonhar. Sempre gostou da Polícia Militar, já que o pai é PM em Penápolis. E às vésperas de completar cinco anos, ele recebeu uma surpresa no leito da UTI Neonatal do hospital com direito a bolo, decorações e até a farda da Polícia Militar.

A festa começou na noite de quarta-feira (19). Os policiais da Rocam (Ronda Ostensiva com Apoio de Motocicletas) Cássio, Fiorotto, Higor, Vantini e Anderson foram os anfitriões. O dia-a-dia de muito trabalho e perigo pelas ruas da cidade se transformou em um ato de solidariedade e ainda mais amor ao próximo.

Na semana passada, o garoto disse para uma integrante da equipe de enfermagem que gostaria de ganhar uma festa decorada com o tema da ROCAM. “Decidimos unir esforços para realizar o sonho do Pedrinho que após um ano e sete meses tratando dele, o consideramos como um filho”, disse a enfermeira Rita de Cássia Marchiolli que coordenou a organização da festa e recolheu contribuições para comprar todos os itens da festa, incluindo a confecção de uma farda, tamanho infantil.

Esposa do soldado Marchiolli, da Força Tática, a enfermeira contou a história de Pedrinho para o marido e pediu apoio para reunir policiais de uma equipe da ROCAM para uma surpresa extra ao aniversariante. Além da visita da equipe da ROCAM, Pedrinho teve outra surpresa: seu pai, Wesley Dias de Almeida, que é soldado do Rádio Patrulhamento em Penápolis entrou junto com os policiais da ROCAM. “Foi a primeira vez que ele me viu fardado pois antes eu trabalhava em Piracicaba e quando vinha nas folgas para a Penápolis estava sempre à paisana”, explicou.

QUADRO CLÍNICO

Pedrinho é de Penápolis e foi Internado na Santa Casa de Araçatuba em fevereiro de 2017 em um quadro clínico grave. Em estágio bastante avançado, a doença havia paralisado todo o seu corpo, causado insuficiência respiratória e comprometido a sua fala. O menino, na época com pouco mais de três anos, conseguia interagir somente através do olhar.

“Falavam que era inflamação de garganta; garganta irritada; até que era frescura dele, eu ouvi nessas consultas”, relembra a mãe.

Ao saber do diagnóstico da síndrome Guillain-Barré, o desespero tomou conta.“A gente perdeu o chão. Foram dias de muita agonia para a família toda e desesperador para mim que estava em Piracicaba e não podia estar ao lado dele como gostaria”, relembra o pai.

Atualmente, a criança consegue movimentar parcialmente os braços, voltou a falar e com a melhora da deglutição já se alimenta com dieta sólida e reforço de dieta enteral que é ministrada através de uma sonda para garantir que ele receba todos os nutrientes necessários. Pedrinho também voltou a ter sensibilidade nas pernas, mas ainda não consegue movimentá-las. A respiração continua mantida através de aparelhos, porém alternada por pequenos intervalos por meio de nebulização. “Estamos felizes com esse progresso e confiantes que no tempo de Deus ele vai recuperar também o movimento das pernas”, afirma Thais de Souza Simões, mãe de Pedrinho.

Os papéis na quarta foram invertidos. O verdadeiro herói foi Pedrinho. “Não resta dúvida de que o Pedro Henrique é um herói por resistir tão bravamente nesta luta pela vida e recuperação dos movimentos”, explicou o Cabo Fiorotto, integrante da ROCAM.

Além de todos os presentes e da surpresa, Pedro Henrique ainda ganhou o convite das equipes policiais para passar um dia na sede da Força Tática de Araçatuba, onde também está a Rocam.

Falta pouco para que a etapa desse sonho se realize. De acordo com a coordenação médica da UTI Neonatal, Pedro Henrique está sendo preparado clinicamente para receber alta. Porém só poderá deixar o hospital se tiver em sua casa uma estrutura com respirador e outros equipamentos necessários. A família já deu entrada com ação judicial para conseguir estrutura e profissionais para os cuidados dentro de casa.

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