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PF DESCOBRE DESVIOS MILIONÁRIOS DENTRO DA PREFEITURA DE JALES

“Farra no Tesouro”. O nome retrata o que acontecia no setor da Tesouraria da Prefeitura de Jales, município a 114 quilômetros de Araçatuba há pelo menos sete anos, de acordo com a Polícia Federal. Um esquema de corrupção que surpreendeu até mesmo os policiais, acostumados com esse tipo de situação. A PF deflagrou a operação, hoje (31), depois de descobrir que a  ex-tesoureira e atual Diretora de Finanças do município desviava recursos da saúde e da educação para benefícios próprios. O prejuízo estimado é entre cinco a dez milhões de reais. O marido dela, a irmã, o cunhado e a atual Secretária de Saúde também foram presos temporariamente.

 

As investigações começaram no início do ano, após o centro de inteligência da Polícia Federal, receber denúncia anônima informando que nos últimos anos o patrimônio da diretora Érica Cristina Carpi Oliveira e do marido Roberto Oliveira havia crescido muito. A partir dessas informações, a PF conseguiu descobrir o rastro da corrupção, que acontecia há quase uma década, sem que ninguém percebesse. Hoje, foram cumpridos cinco mandados de prisão temporária e 13 mandados de buscas, sendo 12 em Jales e um em Santa Fé do Sul, todos expedidos pela 5ª Vara da Justiça Estadual de Jales, com parecer favorável do Ministério Público Estadual.

Foram presos a diretora financeira, o marido, a irmã dela Simone Carpi e o cunhado Marlon Brandt. A secretária de Saúde Maria Aparecida Moreira Martins também foi detida suspeita de participação no esquema criminoso. Os policiais cumpriram ainda mandados de busca na casa do atual secretário da Fazenda, além de vistoriar as residências dos acusados, lacrar comércios e até mesmo uma estância de luxo, pertencente à família de Érica.

A reportagem do jornal O LIBERAL REGIONAL esteve na casa da principal suspeita do esquema de corrupção. Os vizinhos, que não quiseram se identificar, contaram que sempre desconfiaram da rápida “ascensão” financeira do casal. “Cada dia aparecia com um carro novo, construíram essa mansão aí e tudo. Mas nunca que podia passar pela nossa cabeça que isso seria às nossas custas, roubando o nosso dinheiro, do contribuinte”, contou um morador.

A mansão se destaca em meio às outras casas no bairro Santo Expedito. Longe dali, aproximadamente 30 quilômetros de distância, o casal Oliveira construiu recentemente um imóvel em uma estância. A luxuosidade chama a atenção até mesmo dos motoristas que passam pela rodovia Elyéser Montenegro Magalhães. Segundo a PF, tudo foi pago com o dinheiro público desviado dos cofres da prefeitura.

ESQUEMA

De acordo com a PF, estimativas iniciais indicam que a ex-tesoureira do município pode ter desviado cifra superior a cinco milhões de reais durante o tempo em que trabalhou na Prefeitura de Jales. Somente nos últimos dois anos, ela teria desviado aproximadamente dois milhões de reais.

“Somente no período de seis meses, ela desviou aproximadamente um milhão de reais, em benefício próprio ou das empresas do marido. A ex-tesoureira emitiu cheques da prefeitura, pagou boletos bancários das empresas do marido e até transferiu valores diretamente das contas da Prefeitura Municipal, principalmente da área da Saúde, em benefício próprio, de seus familiares, fornecedores pessoais e das empresas de seu marido. Em princípio, os fornecedores não tinham conhecimento da fraude, pois os cheques eram descontados e depositados em dinheiro para os destinatários dos pagamentos”, informou a PF.

De acordo com o delegado responsável pelas investigações, Cristiano Pádua da Silva, os policiais localizaram cheques em branco assinados pela Secretária da Saúde e a ex-tesoureira. “Só de salão de beleza existe um cheque da prefeitura no valor de sete mil reais. A gente decidiu deflagrar logo essa operação para estancar esses desvios, porque é uma covardia”, disse em coletiva de imprensa na sede da PF em Jales.

Mesmo após 13 anos de contrato, sem concurso público, a mulher continuava gerenciando os recursos financeiros da administração municipal. Em julho de 2017, após questionamento do Ministério Público Estadual, ela foi demitida e recontratada no mesmo dia, como diretora financeira.

“Agora, a PF quer saber se outros servidores públicos foram coniventes com esse tipo de situação e apurar se houve negligência. Depois de interrogar a secretária de saúde, eu sugeri à Justiça que revogasse a prisão por ela ter colaborado com as investigações e não ficar conclusivo se a suspeita teve participação ativa nos desvios dos recursos”, concluiu o delegado.

 

Os presos serão indiciados por peculato, lavagem de dinheiro e associação criminosa. A Prefeitura de Jales instaurou uma sindicância interna para apurar os fatos e exonerou a diretora de finanças e a atual secretária de saúde do município. A reportagem tentou contato com os advogados de defesa dos acusados, mas nenhum quis se manifestar.

 

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