Ex-funcionário de igreja vai à Justiça, relatando perseguição após denúncia

Um ex-funcionário de uma igreja em Araçatuba entrou com ação na Justiça do Trabalho, denunciando prática de assédio moral após ter feito denúncias contra membros da instituição por suposto desvio de verbas relacionado à má administração de dízimos. Ele pleiteia a rescisão indireta de seu contrato, com o objetivo de que seus direitos trabalhistas sejam garantidos. A pedido das partes envolvidas no processo, os nomes serão preservados. O caso já avançou tanto que, nesta terça-feira, pela manhã, haverá audiência, em São Paulo, com a autoridade geral da igreja.

De acordo com o processo, o qual O LIBERAL REGIONAL obteve acesso, o funcionário começou a trabalhar para a igreja em 2012 como administrador de propriedades. Três anos depois, conta ele, uma série de irregularidades começou a chegar ao seu conhecimento. Dentre elas, a falsificação de notas para pagamento de despesas de aluguel em escritório da instituição mantido em Ribeirão Preto. Logo, uma auditoria foi feita, resultando na demissão de um dos envolvidos no esquema.

O ex-funcionário afirma que, pouco tempo depois, passou a sofrer retaliações pela denúncia feita, todas de líderes da igreja ligados ao empregado envolvido na fraude. A prática, diz o ex-funcionário, consistia em auditorias surpresas em seu trabalho que resultaram em advertências por ele consideradas injustas. “Desta forma, meus superiores hierárquicos participaram diretamente do plano de vingança, já que tinham ciência de quem denunciava, o porquê denunciava e agiam sempre com clima de desconfiança contra mim”, afirma ele, no processo.

Em seguida, conta o administrador, em meio a sucessivas ameaças de demissão, foi determinada sua transferência compulsória para São Paulo. Ele ressalta que, ao buscar documentos e pertences para a transferência para a capital paulista, chegou a constatar que todas as chaves de sua antiga sala estavam todas trocadas.

A reportagem apurou que, após ter ingressado na Justiça, veio a sua demissão por justa causa. “Sei que os fundos da igreja são sagrados e oriundos de dízimos e ofertas, feitos muitas vezes por membros, viúvas, idosos que sequer têm condições mínimo a de fazê-los, mas o fazem com a convicção de que os mesmos serão empregados e administrados por homens dignos e honrados”, diz o administrador.

Conforme informações obtidas pela reportagem, a audiência da próxima terça-feira é considerada crucial para os próximos desdobramentos do caso.

Da Redação

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