Município mantém estrutura de combate à doença transmitida por carrapato

Números da Secretaria de Estado da Saúde revelam dados preocupantes em relação à Febre Maculosa Brasileira. Em 2016, foram notificados 64 casos e 37 mortes em todo o território paulista; no ano passado, 39 confirmações e 32 óbitos. Já neste ano, somente até julho, foram 17 mortes entre pessoas com idades entre 17 e 77 anos. As estatísticas motivaram, na Câmara Municipal, a apresentação de requerimento, cobrando da Prefeitura posicionamento sobre a situação da doença em Araçatuba, que reúne características favoráveis à incidência.

A resposta do Executivo ao pedido de informações apresentado pela vereadora Beatriz Soares Nogueira (Rede) chegou ao Legislativo no último dia 5 e deixa a população tranquila. Até o momento, não houve casos desta doença na cidade. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, houve notificações de pessoas de outros municípios, mas todas as suspeitas foram descartadas após exames laboratoriais. Apesar da inexistência de ocorrências, o município mantém uma estrutura voltada à prevenção, segundo a resposta encaminhada ao Legislativo. 

Cabe aos municípios o trabalho de campo para controle da doença, bem como a investigação dos casos.

Questionada se os médicos de Araçatuba têm fácil acesso ao protocolo clínico da febre maculosa, a gestão do prefeito Dilador Borges (PSDB) informou, no documento, que os protocolos estão disponíveis no site do CVE (Centro de Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo). Segundo o município, a Santa Casa, referência para tratamento, conta com núcleo de vigilância epidemiológica interna responsável por estas orientações. Já as UBSs (Unidades Básicas de Saúde) têm acesso ao CVE e recebem apoio da Vigilância Epidemiológica Municipal. 

Ainda segundo a administração municipal, há kits de tratamento na Santa Casa e na Farmácia Municipal. Quando acabam, esses materiais são repostos pelo DRS (Departamento Regional de Saúde), órgão ligado ao Estado. 

INFECÇÃO

Transmitida por carrapatos, a FMB, como é chamada, é uma doença infecciosa. Na situação clássica, seu sinal clínico mais precoce é a febre, habitualmente associada à cefaleia, mialgia, artralgia, asteneia, inapetência, dor abdominal, náuseas e vômitos. Trata-se de um quadro que especialistas consideram pouco específico por ser comum a diversas doenças infecciosas e, sem contato com carrapatos, o diagnóstico da maculosa é muito difícil. 

A preocupação com possíveis ocorrências em Araçatuba está ligada à abundância de capivaras no município, conforme Beatriz. De acordo com o requerimento, esse carrapato hematófogo pode ser encontrado em animais de grande porte (bois, cavalos, etc.), cães, aves domésticas, roedores e especialmente capivaras.

Controle da população de capivaras é uma das principais ações

Uma das principais ações do município a fim de prevenir essa doença com alta taxa de letalidade está no controle da população de capivaras, principalmente aquelas que vivem dentro do Peba (Parque Ecológico Baguaçu) ou às margens dos rios.

Na resposta ao requerimento de Beatriz, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade informa que a principal forma de controle praticada pelo poder público é a construção de barreiras, com cercas e alambrados. 

“Através de monitoramento, a secretaria acompanha os pontos de maior incidência destes animais”, diz o documento oficial. 

A manifestação do Executivo diz ainda que, no Peba, as trilhas públicas são limpas periodicamente, sendo que, em períodos de incidência de carrapatos, a visitação monitorada não é realizada e os visitantes são orientados. 

E finaliza: “Em locais onde as capivaras habitam com maior frequência, não é autorizada a visitação, como é o caso da Lagoa da Pedreira, que não possui acesso ao público”.

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