POLÍCIA CONCLUI PRIMEIRO INQUÉRITO RELACIONADO AO ASSALTO DA PROTEGE

A Polícia Civil de Araçatuba concluiu o primeiro inquérito que investiga o ataque ao prédio da Protege em outubro do ano passado. Ainda continuam presas 17 pessoas e outras cinco estão foragidas. Depois da deflagração da operação ‘Homem de Ferro’, em junho deste ano, as investigações avançaram bastante e, por esse motivo, a polícia vai abrir um segundo inquérito para tentar identificar os outros envolvidos na ação.

O presidente do inquérito, Antônio Paulo Natal, deu entrevista coletiva à imprensa no fim da tarde de sexta-feira (17). Segundo o delegado, as investigações mostram que existe relação entre o ataque à Protege de Araçatuba e outras empresas de transporte de valores em outros estados.

“O comando é um só. Eles são células compartilhadas. Nós já sabemos que alguns criminosos que participaram do ataque aqui também estão envolvidos nos roubos de empresas de valores em Rio Claro e Limeira (SP). Também apuramos que duas pessoas que tiveram participação na explosão em Uberaba (MG), também agiram em Araçatuba”, informou.

Além disso, Natal afirma que um dos chefes da quadrilha tinha uma relação muito próxima com ‘Serginho’, homem que foi preso em Birigui suspeito de ter participado do crime. “Ficou provado que ele tinha vínculos com um dos chefes da quadrilha que é de Campinas e continua foragido. Esse suspeito passava férias na casa do ‘Serginho’”.

Depois da realização da operação ‘Homem de Ferro’, a polícia também conseguiu identificar mais dois suspeitos, que continuam foragidos. Um deles utilizava documentos de uma pessoa falecida, por isso a dificuldade de identificá-lo.

A partir de agora, um segundo inquérito será aberto justamente para dar prosseguimento às análises dos objetos apreendidos durante a operação. O foco dos trabalhos do setor de inteligência está nos celulares. Mensagens, áudios, ligações, tudo pode ajudar na identificação de outros suspeitos. Somente em Araçatuba, cerca de 30 bandidos participaram da explosão e roubo da Protege.

MORTE DE POLICIAL
A execução do policial civil André Luiz Ferro, morto durante o assalto, continua sendo um mistério. Mas apesar disso, a polícia parece estar perto de conseguir esclarecer o que aconteceu. Em junho, André Luís Pereira da França, de 35 anos, apontado como principal suspeito de ter matado a vítima foi preso. Segundo Natal, ele confessou informalmente a participação, mas negou ter atirado em Ferro.

“Ele confessa informalmente que participou do crime, só que diz que não o matou. A esposa do suspeito diz em uma gravação que ele é bom pra atirar em policial e roubar banco no interior”, concluiu.

‘HOMEM DE FERRO’
A operação foi desencadeada no dia 28 de junho e reuniu 600 policiais civis, que cumpriram 147 mandados de busca e apreensão, além de 24 de prisão temporária, na capital paulista, grande São Paulo, região de Campinas, Piracicaba, Rio Claro, Presidente Prudente e Araçatuba, além dos estados de Mato Grosso do Sul, Goiás, Piauí e Minas Gerais. Também foram cumpridos mandados dentro de penitenciárias.

A operação recebeu o nome “Homem de Ferro” em homenagem ao policial civil André Luiz Ferro. Na região de Araçatuba foram cumpridos mandados de busca em Glicério, Buritama e Guararapes. Em Birigui, dois homens foram presos por suspeita de participação no assalto. A primeira prisão ocorreu na casa de um encanador, de 45 anos, localizada no Jardim Aeroporto. O outro suspeito preso na operação é um ajudante de pedreiro, de 44 anos, morador do bairro Vila Maria.

O ASSALTO
Os assaltantes agiram com sincronismo em diferentes frentes. Um grupo obrigou um motorista que estava em um posto às margens da Rodovia Marechal Rondon a atravessá-lo na pista. O bloqueio foi na altura do quilômetro 522. A manobra tinha como objetivo impedir a chegada de reforços de outras cidades. Caminhões em chamas foram colocados estrategicamente nas esquinas de acesso ao quartel da Polícia Militar, na Rua Capitão Alberto Mendes Júnior (sede do CPI 10 e do 2º Batalhão). Além disso, bandidos ficaram escondidos na Escola Francisca Arruda (em frente ao quartel), atirando contra os policiais para impedir que saíssem. O objetivo foi sitiar a PM.

Enquanto tudo isso ocorria, outros grupos aterrorizavam aquela região da cidade com centenas de tiros que atingiram veículos e estabelecimentos comerciais. O objetivo era exatamente criar clima de terror.

Já na Protege, a aproximadamente 700 metros do quartel, os bandidos usaram elevada carga de explosivos. A destruição foi total e atingiram casas próximas. Nas proximidades da Protege, os bandidos também fizeram muitos disparos. Rapidamente fugiram levando R$ 10 milhões. Segundo a Polícia Civil, naquele dia havia a quantia de R$ 50 milhões dentro da empresa.

Da Redação

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