LONGA ESTIAGEM PROVOCA QUEBRA NA SAFRA E CAUSA PREJUÍZO A PRODUTORES

Faz quase 100 dias que não chove forte em Araçatuba e algumas cidades da região. De acordo com os números do Ciiagro (Centro Integrado de Informações Agrometeorológicas), órgão vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo). A última chuva foi no dia 2 de abril, com precipitação de 70,6 milímetros. Nos dias 20 de maio e 13 junho, choveu, mas apenas 3 milímetros, volume considerado insignificante. Os técnicos consideram volume relevante a partir de 10 milímetros. Com a longa estiagem, a produção agropecuária está comprometida. A produção do milho safrinha foi comprometida. Com isso, outros setores, como a pecuária (bovina, suína e avícola) ficam comprometidos.
No ano passado, com ciclo das chuvas equilibrado, houve uma produção expressiva de milho, inclusive na safrinha, cultivada a partir de fevereiro. Porém, este ano a situação foi completamente diferente. De acordo com o Escritório de Defesa Agropecuária de Araçatuba (Coordenadoria de Assistência Técnica Integral) e que abrange 18 municípios, área cultivada com o milho safrinha na região foi de 24.452 hectares (devido ao regime hídrico caracterizado pela escassez de chuvas, possivelmente uma área próxima de 1.000 hectares foi cultivada com sorgo granífero da seca em substituição ao milho).
De acordo com dados fornecidos por Marcelo Moimas, assistente agropecuária do EDR, a longa estiagem resultou numa quebra de safra de milho-safrinha da ordem de 48,17%. “A previsão atual é de um rendimento de 2673 kg/ha (quilos por hectare) contra uma previsão inicial de 5157 kg/ha”, explicou Moimas.
A quebra na safra pode resultar em prejuízo financeiro da ordem de R$ 39,2 milhões considerando a cotação de R$ 36,20 por saca de 60 quilos (média dos últimos 3 meses).

PERDA TOTAL
Embora na região a quebra na produção foi da ordem de 50%, em determinadas regiões do município de Araçatuba teve produtor que perdeu tudo. Uma fazenda na região do Angaí perdeu 200 hectares de milho safrinha. O produtor mandou tombar a terra. Não tinha o que colher. Outros passaram pela mesma situação.

PECUÁRIA

A quebra na safra do milho e a longa estiagem, que também atinge as pastagens, comprometem a pecuária, porque o milho é a base da ração. Com pouco pasto, há necessidade de suplementar a alimentação dos animais. Isso reflete no preço da produção. Isso atinge também a produção de suínos e aves (corte e ovo), já que a base da ração é o milho.
Em início de julho de 2016 e 2017 a arroba do boi estava sendo comercializada a R$ 125,00 reais em São Paulo e R$ 113 em Mato Grosso do Sul. Já a cotação nesta segunda-feira (9), era de R$ 140,00 em São Paulo e R$ 127 em Mato Grosso do Sul. Essa variação de preço é reflexo dos problemas climáticos, que comprometem a produção.

ANTÔNIO CRISPIM
Araçatuba

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