BIRIGUI FARÁ CAMPANHA DE COMBATE À ENTREGA DE ESMOLAS

Sabe aquela cena, no trânsito das vias de grande circulação, em que, ao parar veículos nos semáforos, pessoas de baixa renda se dirigem aos motoristas e pedem uns trocados? Essas situações são recorrentes em muitas cidades e, em Birigui, não é diferente. Acabar com essa prática, de modo a conscientizar a população, está nos planos da Prefeitura. Agora, por lei, o município terá de desenvolver campanhas de combate à entrega de esmolas.

A medida foi sancionada na última quarta-feira pelo prefeito Cristiano Salmeirão (PTB) e publicada na quinta em diário oficial, dois dias após a Câmara  aprovar o plano durante sessão extraordinária.

De acordo com a lei, caberá à Prefeitura implantar a campanha socioeducativa “Dar esmolas não alimenta”, com o objetivo de desestimular o costume de dar esmolas, “promovendo a conscientização da população sobre malefícios ocasionados por essa prática”.

As ações ficarão a cargo da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social. A pasta terá o papel de promover orientações direcionadas à população sobre as opções e ações sociais existentes na cidade para as quais as pessoas que se encontram em situação de risco social nas ruas podem ser encaminhadas e atendidas.

COMUNICAÇÃO
De acordo com o texto, a Prefeitura deverá distribuir panfletos e instalar placas educativas com o seguinte dizer em locais de fluxo intenso e onde o hábito é mais frequente, como os semáforos: “Dar esmolas não alimenta”. Esses materiais deverão ainda trazer números de telefones para a população obter informações sobre ações sociais sob responsabilidade da Prefeitura. O poder público terá o papel de estabelecer a padronização técnica dos panfletos.

As campanhas poderão contar também com apoio da iniciativa privada. De acordo com a lei, a gestão municipal poderá firmar convênios ou parcerias com empresas ou o terceiro setor a fim de obter apoio financeiro para a confecção das placas ou dos panfletos em troca de publicidade. A regulamentação da medida, com informações sobre a forma de trabalho e um período para a campanha, ainda será publicada.

DICA
Essa campanha resultou de sugestão de um grupo formado na Câmara pelos seguintes vereadores: Andrey Servelatti (PSDB), Kal Barbosa (PSB), Eduardo Dentista (PT), Zé Luiz Buchalla (PRP) e Odair da Monza (PSC). O quinteto parlamentar sugeriu a ação em anteprojeto encaminhado ao Executivo.

Para eles, a esmola é o que mantém a pessoa na condição de rua. “O sentimento coletivo de solidariedade tem que ser revertido para projetos sociais e fundos de apoio”, dizem eles, na justificativa da proposta. “Além de não ajudar, a prática atrapalha o trabalho de quem tenta tirar essas pessoas das calçadas”, avaliam.

 

MUNICÍPIO TEM DOIS SERVIÇOS DISPONÍVEIS À POPULAÇÃO DE RUA
Atualmente, a Prefeitura de Birigui conta com dois serviços de atendimento à população de rua.

Um é o Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua João Dias de Almeida, também chamado de “Centro Pop”. Esse programa é voltado à reinserção social, atendendo de 15 a 25 pessoas por dia. São oferecidas orientações social, psicológica e médica. Segundo a Prefeitura, há acolhidos que já foram encaminhados para indústrias, estão trabalhando e mudaram completamente seus modos de vida.

Nesse serviço, os usuários são atendidos por uma assistente social ou psicóloga, recebem kit de higiene com sabonete, creme dental, escova de dente, presto barba, creme de barbear, bucha, shampoo, condicionador, hidratante corporal, pente, chinelo e mochila. E ainda: tomam café da manhã na própria unidade e almoçam no Restaurante Popular, além de serem encaminhados para a rede de serviços do município para retirada de documentos pessoais, atendimento odontológico e ambulatorial.

Há ainda o acolhimento institucional para população de rua. Esse programa busca acolher as pessoas em situação de rua, proporcionando-lhes moradia temporária para aqueles que têm intenção de sair dessa situação e arrumar emprego. Eles ficam “hospedados” por, no máximo, um ano. Nesse período, o programa busca a capacitação profissional e conta com várias atividades diárias, como oficinas de artesanatos, trabalhos diários na horta comunitária, participações em reuniões socioeducativas, passam regularmente por assistente social e psicólogo.

Em caso de dependente químico, antes de aderir ao programa, passa por tratamento, que passa por psiquiatra, e é encaminhado à comunidade terapêutica Maria de Nazaré ou à Casa do Caminho Ave Cristo, onde ficam internados de seis a nove meses. Depois da alta, vão para o acolhimento.

Arnon Gomes

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