Projeto de horta comunitária recebe reconhecimento nacional

ARNON GOMES – ARAÇATUBA

Era 2012. O Conjunto Habitacional Elias Stefan, em Araçatuba, estava em seus primeiros anos de existência. No final da rua Nelson Olsen, praticamente onde termina o núcleo, também chamado de Araçatuba G, havia um terreno fadado a virar depósito de lixo. A situação preocupou um morador, o professor de educação física Rodrigo Espósito, hoje com 45 anos. Logo, ele pensou em fazer uma horta comunitária a fim de dar vida ao local e, assim, evitar a criação de um “lixão” em uma localidade com mais de 500 casas. Seis anos após Rodrigo sonhar, a área é, hoje, um celeiro de alimentos saudáveis para aquela comunidade. A boa ação acaba de obter reconhecimento nacional.
Com o trabalho realizado no bairro da zona leste, Rodrigo recebeu, na semana passada, o Selo Benchmarking Brasil de Sustentabilidade, da Fundação Alphaville, que reconhece as melhores práticas socioambientais. O projeto obteve a sexta colocação entre mais de 40 iniciativas avaliadas. Esse programa já emitiu o troféu a mais de 300 projetos no País. No caso da horta, a ação da entidade fez parte da metodologia por ela intitulada “Convivência que Constrói”. Nela, o objetivo é estimular o protagonismo das pessoas por meio da construção coletiva.
De acordo com a instituição, no ano passado, durante sete meses, as famílias participantes foram capacitadas e entregaram, como projeto final, a área revitalizada, melhorando a estrutura dos canteiros e do espaço de convivência por meio de um mutirão com a comunidade. O grupo, fortalecido pela aplicação da metodologia, mobilizou parceiros, captou recursos e estabeleceu as normas de funcionamento da horta comunitária.

EQUIPE
A horta envolve aproximadamente 30 moradores de até 17 famílias. Cada um delas, em média, vai ao local duas vezes ao dia. “Precisa ter uma rotina a ser seguida. Tem que cuidar, molhar e tirar as praguinhas porque não usamos veneno, nenhum produto químico”, explica o líder. O objetivo é garantir a qualidade dos alimentos. A variedade é grande. Alface, couve, rúcula, almeirão, estes são alguns dos produtos facilmente observados por quem a visita. As verduras são usadas para consumo das próprias famílias ou vendidas pelos participantes.
Além da Fundação Alphaville, a Prefeitura de Araçatuba é uma das principais parceiras. O custo da água é de responsabilidade da Secretaria Municipal de Meio Ambiete, enquanto servidores orientam quanto ao uso do solo. Conquistar esse apoio, fundamental para manter o projeto ao longo dos anos, no entanto, não foi tarefa fácil.

SUPERAÇÃO
No mesmo ano em que mentalizou a horta, Rodrigo chegou a parar com o projeto por falta de incentivos. Porém, por volta de 2015, procurou mais uma vez a Prefeitura, conseguindo, assim, a ajuda esperada. Do município, obteve madeira para fazer a cerca do local. O poder público veio ainda com trator, colaborando com a organização dos canteiros. Hoje, são 17, ao todo. Telas também foram cedidas. Tempos depois, por razões que ele afirma desconhecer, o projeto chegou ao conhecimento da Alphaville, que investiu na ação. Além daquele trabalho de capacitação, a fundação também contribuiu com a compra de materiais e na cobertura do espaço.
A iniciativa causou grande impacto na comunidade, que passou a ver o trabalho do professor como modelo de respeito ao meio ambiente. “Percebi que os moradores abraçaram a ideia e ficaram satisfeitos com o prêmio que recebemos, pois foi uma luta de anos”, afirma Rodrigo.

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