POLÍCIA CIVIL PRENDE SUSPEITOS DE ASSALTO EM EMPRESA DE VALORES

Depois de nove meses de investigação, a Polícia Civil deflagrou na manhã de quinta-feira (28) em diversas cidades do estado de São Paulo e na região de Araçatuba, a primeira fase da operação “Homem de Ferro”, que investiga uma organização criminosa especializada em roubos a empresas de transporte de valores.

Os trabalhos tiveram início em outubro de 2017, quando bandidos armados com arsenal de guerra explodiram e assaltaram o prédio da Protege, em Araçatuba. As investigações foram coordenadas pela Delegacia Seccional do município. A operação reuniu 600 policiais civis, que cumpriram 147 mandados de busca e apreensão, além de 24 de prisão temporária, na capital paulista, grande São Paulo, região de Campinas, Piracicaba, Rio Claro, Presidente Prudente e Araçatuba, além dos estados de Mato Grosso do Sul, Goiás, Piauí e Minas Gerais. Também foram cumpridos mandados dentro de penitenciárias.

A operação recebe o nome “Homem de Ferro” em homenagem ao policial civil André Luiz Ferro, morto durante o assalto em Araçatuba. O suspeito de ter matado o agente foi preso, hoje, em Ferraz de Vasconcelos, na grande São Paulo. O criminoso leva o mesmo nome da vítima. Ele foi identificado como André Luís Pereira da França, de 35 anos. De acordo com um dos chefes da investigação, o delegado Antônio Paulo Natal, o policial foi executado com requinte de crueldade pelos criminosos.

“Uma filmagem mostra que ele já saiu com as mãos para cima, rendido, não provocando nenhuma resistência à ação dos bandidos. Ele foi covardemente morto, porque era policial”, informou durante entrevista coletiva realizada na Delegacia Seccional de Araçatuba.

ORGANIZAÇÃO

A maior dificuldade durante as investigações, segundo a polícia, foi o fato da organização criminosa se dividir em diversas células. Ou seja, cada grupo de criminosos tinha a responsabilidade de fazer determinada tarefa durante os ataques.

“São células compartimentadas. Existe, por exemplo, a célula dos veículos, onde os criminosos trazem os carros no dia do crime. A outra parte executa o crime. O restante são aqueles responsáveis por detonarem os explosivos. Então, essa divisão dificultou muito a nossa investigação, pois muitos deles não se conheciam”, revelou o delegado.

Extremamente organizado, o grupo não fazia o uso de celular, mais um motivo para dificultar a identificação por parte dos policiais. Alguns integrantes da quadrilha também são suspeitos de terem participado de assaltos em outras empresas de transporte de valores em Campinas, Ribeirão Preto, Uberaba e Ciudad del Este, no Paraguai.

PRISÕES

No total, 22 pessoas foram presas na operação, sendo 16 delas por mandados de prisão temporária, válidos por 30 dias, e seis em flagrante. Além disso, a polícia apreendeu sete quilos de maconha, 400 gramas de crack, mais de um quilo de cocaína e seis tubos de lança-perfume. As equipes também localizaram seis armas de fogo, grande quantidade de cargas roubadas e quase R$ 46 mil em dinheiro.

Na região de Araçatuba foram cumpridos mandados de busca em Glicério, Buritama e Guararapes. Em Birigui, dois homens foram presos por suspeita de participação no assalto à Protege. A primeira prisão ocorreu na casa de um encanador, de 45 anos, localizada no Jardim Aeroporto. Os policiais do GOE (Grupo de Operações Especiais) apreenderam cartas suspeitas e uma máquina caça-níquel. O outro suspeito preso na operação é um ajudante de pedreiro, de 44 anos, morador do bairro Vila Maria.

Segundo as investigações, os dois homens teriam auxiliado a quadrilha, composta por 25 a 30 pessoas, a alugar um rancho em Glicério e uma casa no bairro Jardim Universo, em Araçatuba, para que os criminosos monitorassem toda a movimentação no prédio. A organização teria ficado nos locais pelo menos um mês antes do assalto.

‘EDGARZINHO’

O principal contato dos membros da facção criminosa em Araçatuba foi o araçatubense Edgar dos Santos Silva, o ‘Edgarzinho’, considerado pelas autoridades um dos maiores assaltantes de banco do estado.  O criminoso encontra-se atualmente preso na Bolívia, depois de ter deixado o sistema prisional paulista em abril deste ano, após conseguir um habeas corpus no STF (Supremo Tribunal Federal). A liberdade foi assinada pelo ministro Marco Aurélio Mello. Após a liberdade, Edgarzinho seguiu para o país boliviano, já que pretendia estabelecer locais na Bolívia para o envio de cocaína e armas ao Brasil.

“Ele foi o primeiro contato na região com esse pessoal. Um suspeito que foi preso em São Paulo durante a operação revelou em depoimento que o ‘Edagrzinho’ entrou em contato com ele solicitando o dinheiro no assalto da Protege. Um pouco antes da deflagração do crime, o ‘Edgarzinho’ foi preso e o filho tentou receber o dinheiro”, revelou Antônio Paulo Natal.

O ASSALTO

Os assaltantes agiram com sincronismo em diferentes frentes. Um grupo obrigou um motorista que estava em um posto às margens da Rodovia Marechal Rondon a atravessá-lo na pista. O bloqueio foi na altura do quilômetro 522. A manobra tinha como objetivo impedir a chegada de reforços de outras cidades. Caminhões em chamas foram colocados estrategicamente nas esquinas de acesso ao quartel da Polícia Militar, na Rua Capitão Alberto Mendes Júnior (sede do CPI 10 e do 2º Batalhão). Além disso, bandidos ficaram escondidos na Escola Francisca Arruda (em frente ao quartel), atirando contra os policiais para impedir que saíssem. O objetivo foi sitiar a PM.

Enquanto tudo isso ocorria, outros grupos aterrorizavam aquela região da cidade com centenas de tiros que atingiram veículos e estabelecimentos comerciais. O objetivo era exatamente criar clima de terror.

Já na Protege, a aproximadamente 700 metros do quartel, os bandidos usaram elevada carga de explosivos. A destruição foi total e atingiram casas próximas. Nas proximidades da Protege, os bandidos também fizeram muitos disparos. Rapidamente fogem levando R$ 10 milhões.

 

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