DILADOR QUER MUDAR LEI QUE PROÍBE EMPRESAS DE TRANSPORTE DE VALOR NA ÁREA URBANA DO MUNICÍPIO

ARNON GOMES
Araçatuba

Três meses após proibir a instalação de empresas de transporte de valores na área urbana de Araçatuba, o prefeito Dilador Borges (PSDB) quer mudar a lei municipal que instituiu essa regra. No último dia 18, durante sessão da Câmara, foi lido projeto do Executivo que exclui dessa proibição companhias do ramo instaladas nos parques industriais e empresariais da cidade com projetos de construção aprovados por órgãos técnicos da Prefeitura.
A medida, na prática, vai regularizar a atuação da Protege, que já está instalada e operando em um dos parques da cidade. Na madrugada de 16 de outubro do ano passado, essa empresa foi alvo daquele que é considerado o maior assalto da história do município. Na ocasião, por pelo menos uma hora, o bairro Santana, onde o grupo funcionava, foi tomado por bandidos. Armados e deixando moradores em pânico, eles conseguiram impedir a ação da polícia e roubaram a Protege. Após uma onda de tiros e explosões, que resultaram em destruições de casas e veículos, além de pessoas feridas e na morte de um policial, os criminosos fugiram com aproximdamente R$ 10 milhões.
Segundo a administração municipal, quando ocorreu a ação criminosa, a Protege tinha uma autorização provisória para atuar no parque industrial. Mas, agora, já está tudo regularizado e a empresa funcionando no local.

CÂMARA
A proibição foi proposta pelo vereador Gilberto Batata Mantovani (PR) na mesma semana em que ocorreu o mega-assalto no Santana. Com a medida por ele proposta, essas empresas só poderão ser instaladas na zona rural, em áreas distantes de dois quilômetros, no mínimo, de colônias agrícolas, condomínios e em bairros rurais com dez ou mais residências concentradas em um espaço que compreende distância de 200 metros.
A mesma lei estabelece prazo de um ano para as empresas se readequarem ou ser instaladas em local de acordo com as novas exigências. Na justificativa da matéria que prevê a mudança nas regras, Dilador reconhece que a proposta de Batata foi garantir maior segurança à população, especialmente pelo histórico de Araçatuba com assalto a empresas que guardam e transportam altos valores – antes do episódio ocorrido em outubro passado, ataque semelhante à Protege ocorreu em 1997, oportunidade em que os assaltantes levaram R$ 1,5 milhão.
Entretanto, avalia Dilador, os parques industriais e empresais estão relativamente afastados da cidade, razão pela qual se pensou em mudar a lei recém-criada. Isso, segundo a gestão tucana, vai possibilitar “a manutenção de empresas já instaladas nesses locais, contando elas com infraestrutura segura ao seu ramo de negócio”.
Extraoficialmente, setores do governo consideraram também a possibilidade de fuga dessas empresas da cidade, gerando como consequência a queda na arrecadação de impostos.

QUER DISCUTIR
Procurado ontem pela reportagem, o vereador Batata disse que já tem conhecimento da proposta do Executivo. Ele disse que, antes de fazer alguma consideração, pretende analisá-la.
Entretanto, antecipou que pretende colocar alguns questionamentos na mesa com o governo. “Há segurança nos parques industriais? O que pensam as outras empresas ali instaladas? Se a medida proposta tiver a anuência delas, tudo bem”, argumentou o parlamentar.

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