A ARAÇATUBENSE QUE, NESTE DOMINGO, TORCEU COM O CORAÇÃO DIVIDIDO

ARNON GOMES
Araçatuba

No carro, uma imagem que começou a ficar recorrente no trânsito de Araçatuba nos últimos dias: a bandeira do Brasil colocada junto ao veículo. Mas, no corpo, a blusa que representa a bandeira da Suíça. Quem a observa, pode estranhar ou ficar curioso em saber o porquê. Mas, para pelo menos uma moradora da cidade, assistir à estreia do Brasil na Copa do Mundo, neste domingo, será sinônimo de coração dividido. É assim que a advogada araçatubense Melanie Mötteli Wood Massarenti, de 27 anos, estará diante da tevê na tarde de hoje. Afinal, a relação com a Suíça, a primeira adversária da seleção brasileira no mundial, ultrapassa gerações em sua família.
Tudo começou com sua avó, Edith Wirth (já falecida), que era suíça. No país europeu, ela se casou, mas, depois, divorciou-se. Veio, então, para o Brasil, onde conheceu um fazendeiro, que, curiosamente, era suíço também. Com ele, casou-se. A senhora tinha uma fazenda entre Rubiácea e Guararapes. Melanie conta que, certa vez, sua mãe, Karin Lilly Mötteli, suíça de nascimento, então com 18 anos, veio visitar dona Edith em um período de férias. Logo, gostou do Brasil e, por aqui, resolveu ficar. A mudança, porém, não a fez romper os laços com aquela que é uma das nações mais ricas do planeta. Melanie nasceu no Brasil, mas conseguiu tirar cidadania suíça por ser filha de mãe nascida lá. “Então, eu sou suíça também”, diz ela, explicando que, naquele país, a dupla cidadania é permitida nesses casos.

LEMBRANÇAS
Desde então, ela já visitou aquela região da Europa por três vezes. Na primeira, tinha apenas 6 anos. Voltou quando estava com 14 e 16. Em cada viagem, sempre a passeio e em períodos de férias escolares, ficou aproximadamente 30 dias. Tempo suficiente para conhecer uma cultura que vai muito além dos tradicionais chocolates e queijos.
Ruas e avenidas extremamente limpas. Pessoas cordiais. Paisagens montanhosas. A beleza do Lago Maggiore, que separa o finzinho do país do norte da Itália. Locarno, cidade onde mora seu avô. Os passeios de barco pelo famoso rio Reno. Estas são as principais lembranças de Melanie, quando fala da Suíça.
A jovem não deixa de falar também das cidades mais conhecidas daquele país. Cita Zurique, centro econômico.
E se mostra encantada com Berna, a capital suíça. A cidade é pequena, diz ela. Impressiona pelo charme de suas residências: muitas cobertas por flores; outras em estrutura de madeira. “Parecem até casas de bonequinha”, brinca. “Mas esta é uma característica dos moradores: ter cuidado com a beleza do lugar”, destaca Melanie, que também é filha do médico Glenn Wood.
Não deixa de mencionar também o clima, predominantemente frio. Entretanto, quando esteve por lá, Melanie pegou aquele que, em tese, seria o período mais quente do ano. “Julho, lá, é considerado calor, mas eu, que sou brasileira, sentia aquele friozinho também”, relembra. Uma das viagens mais marcantes, relembra, foi a segunda, ocasião na qual aproveitou para conhecer outros países europeus, como Itália e França.
Toda essa relação e a experiência adquirida nas viagens garantiram muito saber a Melanie. Ela aprendeu o idioma alemão – o oficial e o ensinado nas escolas. Sua mãe, aliás, é professora de alemão. No país, no entanto, ainda se fala outros três idiomas: o romanche, nos alpes; o francês, em regiões próximas à França; e o italiano, no sul. Melanie, por sinal, é casada com um descendente de italiano: Renan Alberto Massarenti.

FUTEBOL
E, no esporte, como são? Na Suíça, que sediou a longínqua Copa de 1954, as pessoas são tão apaixonadas pelo futebol como os brasileiros? Melanie diz que a empatia é menor. Mas isso, pondera ela, é uma característica das pessoas, de perfis mais reservados. “A Suíça, de um modo geral, é um país bem neutro. Não se envolve em guerra. Na moeda, por exemplo, não tem o euro. É o franco-suíço”, avalia.
É, portanto, essa ligação com os dois países que a deixou dividida para o jogo de ontem. “O coração fica dividido. Não sei para quem torcer. Gosto muito do Brasil e gosto do sangue suíço também. Qualquer um dos dois que ganhar, vou ficar satisfeita”, diz ela.

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