Jogos do Brasil na Copa alteram horários de prefeituras, bancos e comércio

ARNON GOMES – ARAÇATUBA

A tradição está mantida para 2018. Os jogos da seleção na Copa do Mundo, que acontecem na Rússia, a partir de quinta-feira, irão mudar a rotina dos brasileiros. Meio período de funcionamento em repartições públicas e dispensa antecipada de funcionários por causa das partidas, mais uma vez, estão no roteiro, conforme comunicados distribuídos nos últimos dias por prefeituras e entidades de classe. É a prova de que, apesar da decepção do último mundial, realizado no Brasil, e do momento conturbado na política, o futebol ainda é levado a sério no País.

Em Araçatuba, o prefeito Dilador Borges (PSDB) publicou hoje em diário oficial decreto em que estabelece o horário de funcionamento dos setores da administração municipal nos dias 22 e 27 de junho, datas do segundo e do terceiros jogos do time comandado pelo técnico Tite no torneio – a estreia será no próximo domingo, contra a Suíça. No dia 22, sexta-feira, quando o adversário é a Costa Rica a partir das 9h, o atendimento será das 13h às 17h30. Cinco dias depois, na partida contra a Sérvia, a partir das 15h, as repartições funcionarão entre 8h e 13h.

Caso o Brasil avance às fases subsequentes da competição (oitavas e quartas de final, semi e decisão), novos expedientes serão regulamentados pelo poder público local. Apenas serviços que não podem sofrer interrupção, como postos de saúde, não terão suas jornadas alteradas por causa da Copa.

Medida semelhante ocorreu em outras cidades da região. Em Andradina, os horários e os dias são os mesmos de Araçatuba. Em Guararapes, por exemplo, o prefeito Tarek Dargham (PTB) publicou ontem o decreto que determina o funcionamento das atividades da Prefeitura a partir das 13h no dia 22 e o encerramento nesse mesmo horário no dia do último jogo da primeira fase.

Já em Birigui, houve uma pequena variação nos horários. No dia da segunda partida, o expediente será das 12h às 17h, enquanto no da terceira, entre 7h30 e 13h30. A medida também afetará os estabelecimentos de ensino. Os CEIs (Centros de Educação Infantil), as escolas municipais e as Emeis (Escolas Municipais de Educação Infantil) funcionarão a partir das 12h no dia 22 e, em 27 de junho, até o meio-dia.

COMÉRCIO

No comércio, mudanças também. Em Araçatuba, a suspensão do horário de trabalho não é regra, mas a Acia (Associação Comercial e Industrial de Araçatuba) orienta que, no dia do jogo contra a Costa Rica, a lojas abram as suas portas a partir das 12h. Já na partida que encerra a etapa inicial do campeonato, o ideal seria o fechamento a partir das 14h. O entendimento de representantes do setor é que, durante as partidas da seleção, os corredores comerciais se esvaziam.

BANCOS

Nas agências bancárias, também estão definidos horários diferenciados para os dias de jogo do time verde e amarelo, conforme a Febraban (Federação Brasileira dos Bancos).

Em dias de jogos às 9h, o atendimento ao público nas unidades do interior, da capital e regiões metropolitanas será das 13h às 17h. Quando forem às 11h, o expediente será das 8h30 às 10h30 e das 14h às 16h.

População se divide entre parar e não parar durante os jogos

Ontem, a três dias do início do Mundial, a reportagem de O LIBERAL REGIONAL foi às ruas de Araçatuba saber como anda a expectativa das pessoas. A pergunta: você vai parar seus compromissos para assistir às partidas da seleção brasileira na Copa do Mundo?

“Eu pretendo parar, mas minha filha vai estar operada. Então, vai ficar sob meus cuidados. Tínhamos até reunido um grupo para poder participar, mas vou dar uma espiadinha, né?”

Eunice Bárbara de Queiróz, 65 anos, do lar.

“Não. A situação tira o ânimo. Não assisto futebol. Só assisto a Copa. Neste ano, não vou assistir. Por causa dessa situação do País, perde-se o clima. Hoje, não há tempo a perder com a Copa do Mundo. A Copa de 2014, no Brasil, foi um dinheiro malgasto, um dinheiro que deveria ser gasto com saúde, educação e outras coisas.”

Isaura Nogueira Cardoso, 67 anos, do lar.

“Eu costrumo acompanhar. Tenho um time amador, que joga na nossa cidade. Sou eu quem cuido dess time. Aí quando é Copa, para tudo. Não tem jeito. Às vezes, marcamos treinos e bate o horário. Então, para tudo. Quando acabar a Copa, nós voltamos.”

Tana Pereira, 53 anos, domador de animais e treinador de futebol

“Não. Eu tenho medo de acontecer de novo o que aconteceu na última Copa (7 a 1). Mudou demais! Foi de repente. Eu torço para o Brasil, que já foi campeão uma porção de vezes. Mas, deixar o compromisso para assistir futebol, não. Tenho medo de perder as duas coisas.”

Sebastião de Souza, 74 anos, aposentado.

Futebol pode propiciar momentos de lazer diante das dificuldades

O professor de Filosofia e Sociologia em Araçatuba, Wilian Leite, considera a Copa do Mundo um momento importante para a reflexão do brasileiro, que tanto tem sofrido com a corrupção, o aumento da desigualdade e os exorbitantes números do desemprego. O mundial, nesse contexto, torna-se um momento de lazer e descontração.  “Todavia, é válido se divertir durante aquelas duas horas, sem perder a capacidade de refletir a realidade social e política, na qual estamos embutidos”, analisa.

Questionada pela reportagem se a Copa ainda é capaz de gerar um sentimento de “união nacional”, como tanto se propagou no passado, Leite concorda que essa tese persista. “Mas, pelo que sinto, lidando com os alunos e nas experiências diárias, é uma brutal perda dessa força de comoção nacional em direção à seleção brasileira na Copa”, observa o professor.

Mais uma vez, o atual contexto político e social ajuda a explicar essa lenta mudança de paradigma. Em outras copas, relembra ele, o tema “mundial de futebol” era a tônica de rodas de conversas em bares, faculdades e até mesmo na famílias. “Hoje, vejo, às vésperas de uma copa nascer, que os grandes temas ainda são as reflexões na política brasileira. Na Copa, tende a se alterar. Mas, acho que o brasileiro não vai ter aquele sentimento de comoção nacional. E creio que a tendência é dminuir paulatinamente, bem mais do que vivenciamos há algumas copas atrás.”

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