Ataque de jacaré a cão reacende a discussão sobre riscos na Lagoa Maior

ANTÔNIO CRISPIM – TRÊS LAGOAS

A cidade de Três Lagoas, que no próximo dia 15 vai completar 103 anos de fundação tem como um dos cartões postais a Lagoa Maior, já bastante urbanizada e que compõe conjunto das três lagoas que deram o nome à cidade. Porém, na semana em que se comemora o Dia Mundial do Meio Ambiente (5 de junho), a população volta a discutir um antigo assunto: a presença de jacarés na Lagoa Maior, convivendo em meio a outros animais e às pessoas que frequentam o local. A discussão voltou porque na quinta-feira (31), dia de Corpus Christi, quando dezenas de pessoas e famílias estavam no local para passear, um cãozinho, supostamente da raça pinscher, foi devorado por um jacaré. No ano passado um cachorro foi morto por jacaré.

A reportagem apurou que muitas pessoas estavam passeando na Lagoa Maior, algumas das quais aproveitando para passear com animais de estimação. Um rapaz, não identificado, que estava com um pinscher, permitiu que o animal entrasse na água. Enquanto o cãozinho nadava, ele foi atacado pelo jacaré, de aproximadamente dois metros, que após o abate, o levou para uma ilhota (porção de terra), e o devorou. Algumas pessoas que estavam filmando aleatoriamente perceberam o possível quando viram o jacaré nadando em direção ao cão e chegaram a comentar o animal seria atacado. Porém, nada poderiam fazer. Depois do ataque, uma criança que aparece no áudio, dá sinais de choro. Fato comovente.,

Rapidamente o assunto ganhou as redes sociais e reacendeu a antiga discussão. O fato repercutiu também na imprensa de Três Lagoas.

PRECEDENTE

A Lagoa Maior transformou-se em principal cartão postal de Três Lagoas, atraindo diariamente muitas pessoas para passeios. No entanto, há alguns anos começaram a surgir animais, como capivaras e muitas aves aquáticas. Posteriormente foram vistos jacarés e até sucuri. 

Com o aumento do número de animais começaram surgir alguns problemas. As capivaras começaram a passear por vias próximas. Os jacaré começaram a atacar capivaras, aves e até cachorros. Isso começou a preocupar os moradores e iniciou a discussão sobre os riscos de manter os répteis na área. Há os favoráveis e os contrários.

No ano passado foram removidos dezenas de ovos de jacaré para uma unidade de Ilha Solteira. Posteriormente especialistas removeram quatro animais para uma reserva no Rio Ivinhema. Estas ações deixaram o assunto esquecido. Porém, agora, com o ataque ao cãozinho, a discussão sobre o futuro dos jacaré voltou à pauta do dia.

JUSTIFICATIVAS

Nas redes sociais e nos comentários das postagens, há pessoas que cobram uma ação mais efetiva do poder público no sentido de remover com urgência os jacarés antes que possa acontecer uma tragédia com ataque a uma criança. No entanto, há aqueles que defendem a permanência dos animais e cobram mais responsabilidade das pessoas que frequentam o local. Um dos comentários referem-se ao tutor do cão pinscher, que deixou ele entrar na água para nadar mesmo sabendo dos riscos com a presença de jacaré. Alguns mais radicais cobram até mesmo punição ao tutor do cãozinho por não ter agido com cautela para proteger o animal.

POLÊMICA

Certamente nos próximos dias o assunto ainda vai render muitas discussões na sociedade de Três Lagoas e deve repercutir, também, na Câmara Municipal e até mesmo no Judiciário, pois há houve ação pedindo a transferência dos animais para outros locais.

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