Após um ano, acidente que matou Luís Fernando e piloto continua sem respostas

Um ano de dor, sofrimento e angústia. Amanhã (28) completa um ano em que o avião do empresário Luís Fernando de Arruda Ramos, 47 anos, caiu em Coxim, Mato Grosso do Sul. Ele e o piloto da aeronave, Fábio Pinho, 37, morreram.

O acidente aconteceu na Fazenda Siriema, a cerca de 25 km de Coxim, Mato Grosso do Sul. A aeronave pertencia ao empresário e não tinha nenhuma irregularidade. Com o nome Luís Fernando da Lomy, ele disputou a prefeitura de Araçatuba pelo PTB e obteve 38,69% dos votos, ficando em segundo lugar nas eleições municipais de 2016. Arruda também foi apresentador de um quadro no programa ‘Waguinho Animal’, do SBT Interior.

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Ele e o piloto estavam a bordo de um Piper Seneca V de prefixo PT-WPD, que teria decolado da fazenda de Luís, em Porto Esperidião, em Mato Grosso. Depois de um barulho, o avião foi avistado voando em baixa altitude e chegou a fazer um pouso de emergência em uma pastagem, segundo a Polícia Civil. Logo em seguida, a aeronave colidiu contra duas árvores e pegou fogo. Os ocupantes morreram na hora.

O Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) foi enviado ao local e está apurando o acidente. Desde então, as causas continuam indeterminadas, segundo nota enviada pelo assessoria de imprensa do órgão.
“Está em andamento a investigação do acidente envolvendo a aeronave de matrícula PT-WPD ocorrido no dia 28 de maio de 2017, em Coxim/MS. A necessidade de descobrir todos os fatores contribuintes garante a liberdade de tempo para a investigação. A conclusão de qualquer investigação conduzida pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA), órgão subordinado ao Comando da Aeronáutica, terá o menor prazo possível, dependendo sempre da complexidade do acidente”.

A missa de um ano de morte do empresário e do piloto vai ocorrer nesta segunda-feira na Igreja São João, em Araçatuba, a partir das 19h30. A reportagem tentou contato com os familiares das vítimas, mas elas não quiseram se manifestar sobre o assunto.

ANÁLISES E FATORES
A reportagem do jornal O LIBERAL REGIONAL ouviu o presidente do Aeroclube de Birigui, Munir Djaback, que tem mais de 40 anos de aviação. O piloto Fábio Pinho obteve o brevê no local. Segundo Djaback, o Cenipa tem até 90 dias para concluir o inquérito, o que não aconteceu.

“Um dos fatores que pode ter contribuído para isso é o fato que a aeronave ficou tão danificada, que dificulta ainda mais o processo de análise das peças, já que os investigadores remontam todo o avião. Além disso, os depoimentos de testemunhas que presenciaram o acidente são essenciais para a fase de investigação”, acredita.

Para o aviador, é difícil saber o que realmente aconteceu, mas diante das informações repassadas à época pela Polícia Civil, algumas análises podem ser feitas. Por exemplo, a falta de combustível, segundo ele, é muito remota, pois a aeronave pegou fogo. O tipo de avião em que Luís Fernando e Fábio Pinho estavam tem autonomia, ou seja, tempo de voo com o tanque cheio, de aproximadamente quatro horas e meia.

“Se o avião decolou com o tanque cheio de Porto Esperidião, ele teria autonomia pra mais uma hora e meia de voo quando caiu, pois já havia voado quase 800 quilômetros até o ponto exato da queda, ou seja, quase três horas de voo”, analisa.

Outro fator que pode ter contribuído para o acidente é o tempo, que estava fechado, bastante nublado, no momento da queda. “O tempo fechado é um problema para nós pilotos de aeronaves menores. A visibilidade do piloto fica prejudicada, causando a desorientação espacial, ou seja, o comandante não sabe se ele está voando em alta ou baixa altitude”.

Outra hipótese que não pode ser destacada, segundo Djabak, é a de uma pane elétrica, já que testemunhas escutaram um barulho anormal e viram o avião sobrevoando a propriedade rural em baixa altitude, antes de fazer o pouso forçado. O especialista salienta que tudo não passa de especulação.

“Não dá para saber o que realmente aconteceu. Isso vai depender de uma investigação minuciosa pelos órgãos competentes e do depoimento de testemunhas. Nenhum acidente aéreo é igual. Por isso, o Cenipa investiga para descobrir as causas e evitar que um novo tipo de acidente aconteça novamente”, concluiu.

Da Redação

 

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