Transporte público de Araçatuba pode parar na quarta-feira

No quinto dia de greve de caminhoneiros, os reflexos na região de Araçatuba só aumentaram. A falta de produtos básicos já era sentida pelos consumidores. Em meio ao caos pelo Brasil afora, o transporte público foi o mais afetado. A TUA (Transportes Urbanos Araçatuba) anunciou que poderá parar de operar no município na próximo quarta-feira (30), véspera de feriado de Corpus Christi.

O anúncio foi feito pela Prefeitura na tarde de sexta-feira (25). De acordo com a administração municipal, devido à paralisação dos motoristas de veículos de cargas e a falta de óleo diesel, o serviço sofrerá alterações. “A direção da TUA alegou que consome três mil litros de diesel por dia para oferecer os serviços contratados, mas tem, em estoque, apenas sete mil litros de combustível”, informou a nota enviada pela assessoria de imprensa.

Por conta disso, caso a situação não se normalize, os serviços de transporte público em Araçatuba vão parar a partir da próxima quarta-feira. Antes disso, os horários de atendimento da empresa vão sofrer alterações a partir deste sábado (26). De acordo com a Prefeitura, hoje, o transporte de passageiros será oferecido até as 15h20. No domingo (27), os ônibus circularão até as 13h20 na cidade. Na segunda e terça-feira, os coletivos trabalharão normalmente.

Desde ontem (25), os ônibus da TUA trabalharam com 30% da frota reduzida. De acordo com a concessionária, somente as linhas principais foram atendidas em meio à crise instalada no país por conta da greve. A empresa ainda criticou a política de preços adotada pelo governo federal. Os valores têm subido desde julho do ano passado, acumulando, desde então, 58% de aumento.

TRANSPORTE ESCOLAR
Os reflexos da paralisação dos caminhoneiros também chegaram até aos estudantes da rede municipal de ensino de Araçatuba. Devido à necessidade de racionamento de combustível, a Prefeitura informou que o transporte escolar será temporariamente interrompido a partir de segunda-feira (28).

“A medida serve para que o estoque atual de combustível atenda, prioritariamente, os serviços essenciais, como Bombeiros, ambulâncias e segurança”, informou a administração municipal.

O Executivo pediu ainda a compreensão da população pelos possíveis transtornos e ressaltou que o serviço será restabelecido imediatamente quando for possível reabastecer a frota de ônibus do município.

Também foram adotadas medidas de contenção em todos os setores administrativos. A gestão do prefeito Dilador Borges (PSDB) informou que, dentre as recomendações adotadas, está a redução do uso de veículos oficiais em todas as secretarias, que operam em caso de extrema necessidade. “Estão sendo priorizadas as secretarias municipais de Saúde e Segurança Pública, que prestam serviços de urgência e emergência”, finaliza a nota.

INTERMUNICIPAL
O transporte intermunicipal também foi drasticamente afetado pela greve dos caminhoneiros. A empresa Reunidas Paulista anunciou que vai reduzir hoje o número de ônibus em circulação em aproximadamente 50% e amanhã, em 20%. “A empresa orienta seus clientes com passagens compradas para que confirmem a manutenção ou não da viagem contratada por meio do site ou na própria agência de vendas de passagens localizadas nos terminais rodoviários”.

Outras empresas de transporte interurbano que operam na cidade também anunciaram medidas para economizar combustível e informaram que passarão por readequação nos horários de viagens dos passageiros.

Desde quinta-feira (24), as empresas emitiram comunicados a fim de orientar seus clientes por causa das consequências da paralisação. A Reunidas Paulista, por exemplo, já tinha informado que, devido à greve, houve uma redução de vários insumos para adequação ao atual momento em que o país se encontra.

SAÚDE
O setor da saúde também já se prepara para enfrentar problemas ao longo dos próximos dias, caso os caminhoneiros não cheguem a nenhum acordo para encerrar a greve. A Prefeitura de Araçatuba esclareceu que irá reagendar o transporte de pacientes para outras cidades, com exceção dos casos de emergência. Os serviços do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), das ambulâncias e do almoxarifado para entrega de remédios e banco de leite, por enquanto, estão mantidos.

Já em Suzanápolis e Três Lagoas, Mato Grosso do Sul, o transporte de pacientes até as unidades hospitalares da região foram suspensos por tempo indeterminado, já que os veículos não possuem combustível suficiente para as viagens.

A reportagem do jornal O LIBERAL REGIONAL entrou em contato com os dois hospitais que atuam em Araçatuba sobre a situação das unidades em meio ao caos instalado pela greve. A Santa Casa não havia respondido aos questionamentos até o fechamento desta edição.

Já a Unimed informou que até o momento os pacientes não foram afetados na unidade, por conta do controle de estoque. “Porém já fomos informados por alguns fornecedores que há possibilidades de atraso em algumas entregas e se a greve persistir, certamente seremos afetados. No entanto, todo nosso efetivo de recebimento de materiais e medicações (Almoxarifado, farmácia, UTIs e Centro Cirúrgico) estão monitorando para que nenhuma falta venha atingir nosso pacientes”, complementou a nota.

POLICIAMENTO
Muitos boatos se espalharam pela internet ontem sobre possível paralisação das viaturas policiais no patrulhamento ostensivo na região de Araçatuba. Na área do CPI-10 (Comando de Policiamento do Interior), a informação foi desmentida por meio de nota enviada pela assessoria de imprensa da corporação.

“A Polícia Militar acompanha desde o dia 21 de maio a paralisação de caminhoneiros ocorrida em vias do Estado. A Instituição está presente para garantir a ordem pública e segurança dos envolvidos. É importante esclarecer que não há paralisação de viaturas por falta de abastecimento”, informou a nota.

Protesto de caminhoneiros termina em confusão
No quinto dia de manifestações de caminhoneiros pelas principais rodovias da região de Araçatuba, um ato na Marechal Rondon (SP-300) terminou em confusão na manhã de sexta-feira (25).

Segundo informações da Polícia Rodoviária, manifestantes danificaram três caminhões que não pararam às margens da via, na altura do quilômetro 527, em Araçatuba, para aderir à greve. Uma viatura policial se deslocou até ao local e registrou boletim de ocorrência. Como os autores não foram encontrados, o líder do ato seria responsabilizado.

Ainda na rodovia Marechal Rondon, caminhoneiros ocuparam durante todo o dia a faixa da direita no sentido Capital/Interior, na altura do quilômetro 613, em Guaraçaí. Aproximadamente 20 caminhões permaneceram parados no local em forma de protesto. O movimento foi pacífico e terminou no início da noite, segundo a polícia.

Já na região de Penápolis, os policiais registraram uma manifestação de caminhoneiros na rodovia Assis Chateaubriand (SP-425), em José Bonifácio. O ato transcorreu sem problemas e terminou durante a tarde.

Da Redação

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