Veterinária da Unesp retoma projeto de assistência a cavalos usados em carroça

A Faculdade de Medicina Veterinária da Unesp (Universidade Estadual Paulista), de Araçatuba, vai retomar projeto voltado a garantir a assistência médico-veterinária de animais usados em carroças no município. O lançamento do “Carroça e Cia” ocorre nesta quinta-feira, às 15h, no campus universitário – Rua Clóvis Pestana, 793, Dona Amélia.

Idealizado pelo professor adjunto da faculdade, Francisco Leydson Formiga Feitosa, a iniciativa tem o objetivo de desenvolver ações educacionais por meio da assistência veterinária, a fim de melhorar a saúde e a higiene dos animais de tração e, consequentemente, a capacidade de trabalho deles e dos próprios carroceiros.

Ontem, em entrevista ao jornal O LIBERAL REGIONAL, Feitosa disse que esse trabalho foi desenvolvido na cidade, pela última vez, em 2003. Segundo ele, a interrupção por 15 anos se deu por falta de apoio financeiro. O docente conta que, no ano passado, foi procurado pelo vereador Lucas Zanatta (PV) para discutir a possibilidade de retorno da ação. A partir dali, as tratativas intermediadas pelo parlamentar avançaram e o projeto conseguiu parceiros.

O trabalho conta com apoio da APA (Associação Protetora dos Animais de Araçatuba), Sindimoto (que também representa os carroceiros) e as seguintes empresas do setor agropecuário: AraçaProlab, Hiberquímica/Shopping Rural, Ceva Saúde Animal, Carmix Comércio Produtos Agropecuários. Os medicamentos que serão usados no trabalho foram doados por empresas de Araçatuba, Birigui e Paulínia (SP).

Todo esse apoio, explica Feitosa, foi fundamental para a retomada do projeto. Ele afirma que, em um ano, chegaram a atender aproximadamente 400 animais de tração. “Porém, além de o trabalho ser amplo, o custo para sua medicação também é alto, cerca de R$ 1,3 mil”, explica o professor da Unesp de Araçatuba.

NÚMEROS

A faculdade irá obter uma estimativa atual quanto ao número de carroceiros a serem junto com o sindicato que os representa. Entretanto, uma pesquisa sobre a condição socioeconômica desses trabalhadores em Araçatuba realizada pela Unesp em 1996, portanto quando o projeto já estava desativado, revelou dados preocupantes.

O estudo mostrou que 33% dos animais recebiam atendimento veterinário, enquanto a grande maioria (67%) era medicada pelos próprios donos. Mais da metade dos animais eram vermifugados (67%), porém, somente 24% eram vacinados. Constatou-se que 73% dos equinos apresentavam problemas de cascos.

Apesar de a grande maioria ter suas ferraduras colocadas por profissionais, a porcentagem de animais corretamente ferrageados foi muito pequena (8%). Na ocasião, a renda mensal girava em torno de R$ 290,00 para carroceiros que, em média, tinham de três a quatro dependentes em suas famílias.

“O que percebi, à época, é que os carroceiros não cuidavam melhor dos animais não por falta de vontade, mas por falta de dinheiro. Ou eles gastavam com os animais ou eles gastavam colocando comida na boca dos seus filhos”, pontua Feitosa. “O cavalo, portanto, precisa estar bem porque é o meio de essas famílias ganharem a vida. São pessoas muito carentes. A universidade pública tem, por obrigação, prestar serviço social à sociedade. É ela quem paga nossos salários”, analisa.

você pode gostar também